Brasil vai repetir o erro?

Por Marcos Cardoso*

Essa tal de polarização deixou pessoas tão embotadas e confusas a ponto de preferirem se molestar e rejeitar o que foi realizado em seu próprio benefício. Algumas delas preferem continuar adorando aqueles machos que sempre desprezaram as mulheres, mas insistem em não apoiar quem lançou um pacto para prevenir todas as formas de discriminação, misoginia e violência de gênero contra mulheres e meninas.

Um perfil nas redes sociais confessa: é extremamente broxante ver que existe grande parte da população brasileira considerando “devolver” o Brasil para a família que contribuiu diretamente para a morte de 700 mil pessoas na pandemia; que recolocou o Brasil no mapa da fome; que atacou a cultura e a ciência; que tentou acabar com a democracia com um golpe de estado; que minou o sistema da justiça e a Polícia Federal para acabar com investigações; e que sempre atacou os direitos das minorias.

Outro nota que metade do país quer a volta da fila do osso só para tirar do poder quem reduziu a desigualdade e levou o Brasil ao menor índice de desemprego da história; que prefere tirar do poder quem quer acabar com a escala 6×1 para trazer de volta quem tirou os seus direitos trabalhistas; que está insatisfeita com quem zerou o imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e trazer de volta um governo que reclamava de empregada doméstica na Disney.

Se é politicamente correto defender o feminismo, muitas mulheres preferem ficar do lado de quem considera que ter uma filha mulher foi “uma fraquejada” e desdenha do movimento feminista dizendo que não está preocupado com mulher de braço cabeludo.

Se é politicamente correto defender os índios e garantir o que lhe são de direito, porque são os donos originais das terras, porque foram chacinados e a maioria dizimada pelos colonizadores, pelos latifundiários, pelos madeireiros, pelos mineradores e pelo próprio Estado, há quem prefira quem defende que índio não merece um centímetro de terra e que merece é comer capim, “para manter as suas origens”.

Em agosto de 2018, esta coluna fez os seguintes questionamentos:

Você votaria num candidato a presidente da República que nega a história do país que pretende dirigir? Que nega que tenha havido ditadura militar e que, ao mesmo tempo, tem como herói um oficial militar que é símbolo da tortura aos presos políticos da ditadura? Você votaria num candidato que nega a maior ferida da história brasileira, a escravidão, raiz das desigualdades e razão vital da nossa cruel sociedade do atraso?

E questionava:

Você votaria num candidato que desdenha da colega dizendo que só não a estupra porque a acha feia? Que acha normal as mulheres ganharem menos do que os homens? Votaria num candidato que em 28 anos de mandato como deputado federal conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei de pouca relevância e que nesse longo período não aprendeu o básico, como procurar entender o funcionamento da economia do Brasil real? E que não fez nada para tentar melhorar a segurança do seu estado, o Rio de Janeiro?

Por fim:

Você votaria num candidato que prega honestidade, mas que em quatro anos multiplicou o próprio patrimônio por mais de 150%, segundo declaração no TSE, sem conseguir explicar como realizou esse extraordinário milagre?

A maioria votou nesse candidato e deu no que deu. O Brasil não vai repetir o erro. Ou vai?

(Citando @brasilforadacaverna e @livrespensadores)

Foto: Agência Senado

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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