Mariazinha quer que eu fale que toda unanimidade é burra

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Mariazinha Farofa era uma menina que estudava no Atheneu no tempo em que houve uma greve estudantil, lá nos idos de 1968. Neste tempo eu estava iniciando minha carreira como professor, lecionando Física e Química. Houve, porém, esta greve estudantil. Com que objetivo eu não lembro. Mas era uma greve só de estudante. Naquele tempo professor não fazia greve. Não havia também Deputado vindo do meio sindical. Aliás, o peleguismo sindical ainda não vingava na Educação. E o ensino era melhor. Bem melhor.

 

O Atheneu, com todas as suas deficiências de então, era um centro de excelência, mesmo tendo professores acadêmicos como eu, e a maioria, simples aprendizes em meio a tantos mestres. Mas, por conta dos descaminhos que levariam à fechadura e à cana dura do AI5, e ao lamentável recrudescimento da repressão, a estudantada estava inflamada numa greve, fruto de agitação surgida concomitantemente aos seqüestros de embaixadores pelos movimentos guerrilheiros.

 

Achava-se que os militares seriam derrubados por um grito de passeata e aí aconteceu o que todo mundo bem sabe. O ano de1968 ficaria na história deste país como aquele que não terminou, só para usar o mote-título do fascinante livro de Zuenir Ventura, que narra feitos e desfeitos daquele tempo, responsável por tantos atrasos na busca da democracia.

 

Mas, como eu dizia, naquele tempo os pelegos de hoje, sobretudo os da Educação, ainda não tinham vingado. Estavam lustrando os bancos escolares, firmando a promessa que iriam melhor envernizá-los e torná-los mais confortáveis.

 

E o resultado está a olhos vistos: o ensino público teve uma melhoria substancial. Tem-se mais gestão democrática, tem-se mais eficiência de conteúdo, tem-se mais liberdade para não estudar. Tem-se representantes classistas nos parlamentos federal, estadual e municipal. Tem-se uma melhoria em tudo, desde a conservação predial, de quadros-negro e bibliotecas, aí incluídos intendências, sanitários e cantinas, ausências de fedentinas, num ensino revolucionário. Tudo o que pensaram, ousaram e conquistaram para si e para a sua canalha. Ah! Perdão! Não falemos de canalhas, porque canalhas serão sempre os outros. Eu inclusive.

 

E Mariazinha Farofa pensava assim quando exibia em porta-estandarte uma bandeira libertária do proibido proibir, como meta a prosseguir e construir. E Mariazinha, como supremo exercício libertário do grevismo de então, resolveu ser mais que libertária. Resolveu deixar de ser moça-menina e passionária para virar libertina, pregando a apologia junto aos meninos, do sexo sem limites de fronteiras e de parceiros, conclamando muitos a sentir e a constatar o seu furor uterino. E Mariazinha Farofa passou a ser receptáculo de sêmen de variado galar e transmissora de sífilis para variar.

 

E quando o vaiar cansou, a greve acabou, e a orgia terminou, Mariazinha Farofa restou prenha na ressaca, rejeitada por um pai inclemente que a banira porta a fora envergonhado, temendo da sociedade a sua rejeição em maioria, inclusive dos pretensos pais da criança que se escafederam, eximindo-se de responsabilidades.

 

E Mariazinha Farofa sumiu do Atheneu. Conseguiu um aborteiro, por supremo libertário sem limites, para matar-lhe a criança carbonária.

 

Alguém comentou. Soube-se inclusive depois, que passara mal, quase morrera de uma hemorragia quando deste abortamento. Depois, pra viver e sobreviver, Mariazinha Farofa largou os estudos e a militância, e passou a vender carinhos e carícias, sem renegar seu libertarismo e sua libertária promiscuidade.

 

Soube-se ainda muito depois, que sem qualificação e sem ajudas, inclusive dos companheiros da greve que cresceram na política, que ingressara na difícil vida que os homens dizem ser fácil ou alegre. Virara uma profissional do sexo, conhecida por não impor limites a quaisquer desejos libertários de parceiros e a contar as aventuras que tivera com os companheiros das greves e passeatas, hoje muitos vivendo burguesamente, degustando raros vinhos na rabeira do poder.

 

E assim, Mariazinha Farofa foi descendo cada vez mais a escala da sociedade. Virou esmoler, prostituta de esmoler e sumiu. E ninguém mais se lembra dela, como tantas carcomidas por aproveitadores de todo universo ideológico, sobretudo o de esquerda, que abomina um discurso de correção e de pureza.

 

E eu que nunca lhe fora próximo, lembrei-me apenas dela, só porque uma outra Mariazinha, esta não Farofa, mas uma Mariazinha farofeira, que se diz libertária também, está a cobrar de mim uma manifestação que não desejo.

 

Quer esta nova Mariazinha que eu avalie o trabalho dos Deputados Ana Lúcia e Venâncio Fonseca, justamente eu que conheço os dois, e pessoalmente não lhes tenho qualquer restrição, muito menos ética e moral. Posso divergir-lhes de posições e de ações políticas. E mesmo assim, nada melhor que a alternância de poder para mostrar a dimensão do anão e do gigante.

 

Não é que o PT e o modo petista de mal governar está conseguindo revigorar o Deputado Venâncio Fonseca? Creio que até o próprio Deputado Venâncio está se espantando com tanta matéria a inspirar-lhe em verve e ironia. Dá gosto ouvi-lo, sobretudo porque põe a nu a indigência e a inapetência deste governo que mais arrota que reluz, e que a continuar tão ausente de luz, brevemente mostrará ser um mero borra-botas, sobretudo no tão decantado social.

 

Mas, aos poucos o povo vai despertando para o arroto do gigante tornado pigmeu no modo petista de governar.

 

Na Assembléia, dizem que dos 24 Deputados, o governo petista possui 19 em seu apoio. É uma maioria gigante, que pode tudo, inclusive tem o quorum qualificado. Assim, em fato raro até então, só cinco criticam os defeitos e os des-fatos do petismo eivado de muitos “melancias”, desatinos e desafinos. E assim o Deputado Venâncio dá um show que nunca conseguira, nem a própria Deputada Ana Lúcia quando do seu tempo de estilingue ou baleadeira.

 

Mas deixemos esta Mariazinha faladeira e as gagueiras petistas, generalizadas. Triste dizer generalizadas. Igual ou quase igual à oposição federal se opondo a renovação da CPMF, o imposto do cheque que é a arapuca necessária para garfar no erro o empresário sonegador. Aquele idiota também que acha que a modernidade e a informática o deixarão impunes no crime e na sonegação.

Estão a inventar que a CPMF é a culpada de tudo nesta nação.

 

E neste particular eu estou com Lula, o único petista que merece ser ouvido e aplaudido. Se fosse para beneficiar rico a CPMF já tinha sido aprovada.

 

Não é à toa que os setores mais abonados e sonegadores da sociedade estão a espalhar cartazes gigantes, caros outdoors pela cidade, para enganar o pequenino e mal instruído trabalhador, dizendo que o feijão com o arroz seriam de custo bem menor sem a CPMF.

 

E eu me volto para estes ilusionistas, para estes malfeitores e contraventores por sonegadores, que pensam poder enganar a modernidade. Igual aos motoristas que xingam os necessários fiscais eletrônicos de velocidade e os “pardais cabuetas” que flagram os desrespeitadores dos semáforos. Tudo o que deve enraivecer qualquer libertário que quer delinqüir e prosseguir.

 

Todavia, eu prossigo sem atingir e sem deixar Mariazinha farofeira, quando eu quero falar é de uma outra arteira. Esta uma verdadeira arteira em unanimidade burra a imortalizar Nelson Rodrigues e Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), em estultices, obscurantismo e atrasos.

 

A nossa douta Câmara de Vereadores aprovou em unanimidade estúpida o impedimento de o comércio funcionar aos domingos. Um atraso, uma condenação ao atraso e ao desemprego. E tudo com o apoio unânime; Liberais, passadistas, saudosistas de comunistas, democratas e pefelistas, petistas, pedetistas, pecebistas e pebesteristas, se nivelando em mediocridade.

 

Medíocres todos por descabeçados e equivocados, como se estivessem fora do mundo e da realidade.

 

Temem os nossos edis que a CLT, a justiça do trabalho, os sindicatos, os fiscais do Ministério e das Secretarias do Trabalho, além do próprio conhecimento dos Direitos Trabalhistas, sejam insuficientes para dar ao trabalhador suas garantias e conquistas.

 

Não! Não bastam as garantias do Estado de Direito! É preciso regredir, recusar a modernidade, sua velocidade e conquistas! É preciso retornar ao atraso, estabelecendo limites ao comércio e aos serviços!

 

Trabalhar no Domingo?! Jamais! O Domingo é um dia de oração, como o Sábado do judeu e a Sexta-feira do muçulmano. E o descanso remunerado semanal do trabalhador tem que ser no Domingo, contanto que haja trabalhadores nos bares e nas praias com cerveja gelada e bolos quentinhos de acarajés.

 

E assim com louvores de améns e de axés, querem os nossos vereadores acabar o comércio dos mercadinhos neste dia. Mesmo que isso implique em desemprego e em desapreço com o consumidor.

 

E não surgiu uma voz dissonante na Câmara! Eis o cúmulo da burrice em unanimidade, igual a incúria desta mesma Câmara querendo na paulada acabar com os estacionamentos pagos nas instituições privadas de ensino. Incúria que foi aprovada por unanimidade, assinada pelo Alcaide pecedobista, mas que o judiciário jogou no lixo da história, pedagogicamente inclusive.

 

Mas, é difícil com qualquer pedagogia ilustrar o cabeçudo e o farsante nele incrustado.

 

E a história começada como farsa, sempre continua com outras farsas renovadas, para o aplauso de outros descabeçados, descabaçados e violentados por tantos farsantes desalmados pela vida. Igual a Pablo e a Mariazinha farofeira, libertários que estão a se amancebar pra conceber, sem fertilizar. Sobretudo porque ousam calar quem lhe é dissonante, esquecidos que as pessoas só devem ser silenciadas na argumentação e no debate. Jamais na ofensa e na desqualificação inviril por anônima. Porque é a dúvida e a divergência que fertilizam, não a unanimidade burra de vereadores e empresários, muito menos o apedrejar incógnito.

 

E assim ousando só conquistar desafetos, repilo tanto os que desejam fechar o comércio em unanimidade como o outro, aquele que deseja em maioria também, vender sem nota fiscal, fraudar o ICMS que pagamos enquanto consumidores, e repelir a benéfica e necessária CPMF.

 

Mas, independente destes descaminhos obtusos e preconceituosos de tantos, o mundo não muda, e quem não faz poeira, leva. O sonegador é tão doente terminal, quanto o que prega o atraso sindical, só para si e para os seus, que pensa apenas nos empregos mantidos, jamais nos acrescentados.

Felizmente, e isso a despeito de quaisquer posições assumidas, os Vereadores e os Deputados sobem e descem. E em maioria de 2/3 ou quase tanto, estão sempre substituídos a cada eleição.

 

E era só disso que eu queria falar, não pra Pablo nem Mariazinha farofeira, que não me querem tanto bem, mas para estes cidadãos ditos do bem que estão na Câmara de Vereadores e na liderança de nosso empresariado, uns querendo aumentar o desemprego na cidade, e os outros tanto quanto equivocados, combatendo a CPMF só por acreditar, poder sonegar impunemente para sempre.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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