MAS CEARÁ POSSÍVEL?

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Cartas do Apolônio

 

 

Cascais, 18 de março de 2006

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Semana passada fui a um tal Congresso Luso-brasileiro de Comunicação em Lisboa. Lá estavam os papas do jornalismo de língua portuguesa como Lupércio Trajano, afamado radialista português também conhecido como ‘Lulu Boca de Microfone’, o teórico brasileiro Décio Pignatari e o impagável Nenen Prancha, além de algumas comunicólogas anônimas afins de criar fama e -sobretudo- deitar na cama, como diz aquele axioma.

O congresso foi uma beleza. Marcado, sobretudo, pelas belas noitadas ao som de um bom fado ou do batidão das boates do centro histórico lisboeta. Das palestras, sinceramente, não lembro de nenhuma. Como todo bom congressista, priorizei o contato pessoal com a nova geração de estudantes, afinal, quem vai a congessos para assistir palestras?

Tudo iria bem, não fosse o surgimento de uma esdrúxula figura auto-intitulada ‘Luiz Gonzaga, o cara!’ O gajo em questão era um cearense pra lá de esquisito. Boa gente, sem dúvida, mas –convenhamos- êta bichinho cheio de maluquices. Vá ser estranho assim lá em Exu!       

Nosso amigo, sabe-se lá porquê, não largava a mala em lugar nenhum. Andava pra cima e pra baixo carregando aquele verdadeiro farnel estampado com motivos de camuflagem militar. Um vexame pra mim, já que ‘o cara’ não largava do meu pé.

Quando eu descia para o hall do hotel, lá já estava o Luiz Gonzaga em carne e osso a me esperar.

       Vamos? Perguntava-me. (Que jeito? Pensava eu).

       Vamos, né? Cedia, por falta de opção.

Certa feita, num desses passeios pela cidade entrei numa livraria e comprei o novo livro do Zé Saramago. A atitude quase motivou um bate boca entre eu e ‘o cara’.

          Você comprou…um livro!!? Perguntou com um tom grave na voz.

          Foi Um livro. Por que? Alguma coisa errada? Tentei me defender.

          Tudo bem, o dinheiro é seu mesmo… Ponderou, feito um Pôncio Pilatos. Depois disso, ficou o resto da tarde de cara amarrada.

Luiz Gonzaga não era lá muito chegado ao hábito de banhar-se com certa regularidade. Durante os três dias em que estivemos juntos, só o vi de cabelo molhado uma única vez. Mesmo assim, só o cabelo mesmo é que estava molhado. ‘O cara’ suava por baixo da roupa.

Não resisti e fui ao sanitário conferir os vestígios do tal banho. Nada, box enxuto, gotas d’agua, só algumas na pia em frente ao espelho.

          Luiz, fala a verdade: Você tomou banho mesmo, rapaz?

          Tomei, oxênte! É que eu tenho uma técnica que desenvolvi lá no Ceará.

Ce sabe, o Estado sofre muito com a falta d’água, né? Meu banho, cabra é praticamente à seco.

Ainda bem, que a transposição vem aí!         

 

 

Até semana que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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