MÉDICO POR VOCAÇÃO, ARTISTA POR OPÇÃO

0

Grupo Instrumental de médicos: Sérgio, Zé Carlos, João, maestro Daniel, Lúcio, Karla, João Alberto e Rômulo.
A frase é do médico paulista Marcelo de Toledo, já falecido, que escondia atrás do jaleco branco uma alma artística das mais sensíveis. Além de poeta, Marcelo escreveu contos, crônicas e também se revelou um fotógrafo de peculiar senso estético. Ele é um exemplo, dentre tantos, de médicos que revelam uma sensibilidade tocante ao rimar suas tragédias cotidianas ou amorosas, com expressões artísticas, expondo por vezes seu ambiente de trabalho com emoção.

Entre médicos, a tendência às artes é acentuada pela necessidade de aliviar as tensões do cotidiano. Por ser uma profissão que lida com o que há de mais sagrado, que é a vida, os sentimentos e as relações entre as pessoas, sentimentos colhidos por uma anamnese cuidadosa que revela muitas vezes conflitos e tensões do dia-a-dia, há uma necessidade intrínseca e uma tendência natural por essas incursões. Não são poucos os que se dedicam, por opção, à música, pintura, escultura,  literatura, entre outras manifestações artísticas. Nomes de prestígio nacional como Pedro Nava, Jorge de Lima, Carlos Lacaz, Moacyr Scliar, Álvaro Souza e em Sergipe, Garcia Moreno, Airton Teles, Antonio Garcia, Augusto Leite, Dr.Carrera, José Abud, Eduardo Garcia, Marcelo Ribeiro, Emanoel Zacarias, Gilmário Macedo, Antonio Samarone, Marcos Almeida, José Carlos Santana, João Lima, José Augusto Bezerra, Rômulo de Oliveira Silva, Arlinda Costa, João Alberto, Sérgio Lopes, Petronio Andrade Gomes, Marcos Prado, Gildo Simões, Natanael Dórea, Paulo Leal, William Soares, Marcos Ramos, Gilmário Macedo, Henrique Batista, só para citar esses, são exemplos de médicos do passado e do presente com atuação literária, artística ou musical.

Analisando a estrutura da Academia Sergipana de Letras, na galeria dos Patronos, observamos as presenças dos médicos Felisbelo Freire (1858-1916), Ascendino Reis (1852-1926), Maximino Maciel (1855-1923), Antonio Dias de Barros (1871-1928), José Lourenço de Magalhães (1831-1905), Guilherme Pereira Rabelo (1858-1928). Como fundadores encontramos Ranulfo Hora Prata (1896-….), Helvécio Ferreira de Andrade (1864-1940) e Augusto César Leite (1886-1978). Na mesma Academia, passaram como acadêmicos antecessores Antonio Garcia Filho (1916-1999), Renato Mazze Lucas (1919-1985), José Maria Rodrigues Santos (1929-1997), João Batista Perez Garcia Moreno (1910-1976), Walter Cardoso (1911-2001) e João Gilvan Rocha. Atualmente ocupam assentos os médicos Eduardo Garcia, José Abud e Marcelo Ribeiro, além do Dr.Marcos Almeida, que faz parte do MAC – Movimento de Apoio Cultural Antonio Garcia Filho, da Academia Sergipana de Letras.

Não é nada estranho que haja entre os médicos um grande número de excelentes escritores, poetas e músicos.  Pelo esplêndido conhecimento da natureza humana, todos têm esta marca registrada: quase sempre avessos a divagações, são objetivos sem serem frios, o que não lhes impede o requinte estético e a largueza do espectro.

Evoquei essas reminiscências  para falar do que vai acontecer em Salvador. Sucesso retumbante na sua primeira versão, realizado há 2 anos, o Congresso Brasileiro de Medicina e Arte retorna agora de 14 a 16 de setembro vindouro, dessa vez contando com o apoio da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina e para o qual Sergipe deverá enviar uma expressiva delegação. Uma das presenças confirmadas é a do Grupo Instrumental UNICANTO da Unimed Sergipe, formado somente por médicos de diferentes especialidades (foto). Os colegas que tiverem interesse em participar devem acessar o site oficial do evento, (www.abma-medarte.com.br ) ou ligar para a gente (9972-3285) para obter maiores informações sobre a programação e com se integrar à delegação que segue para a “boa terra”, para usufruir desse momento de integração cultural, lazer e contemplação. 

Comentários