Mesa esquenta

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O assunto ainda estava na cozinha, mas chegou à sala depois que o presidente da Casa, deputado Antônio Passos (PFL), apresentou uma resolução antecipando a eleição da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa para dezembro. Acenderam-se as luzes e todo o recinto encheu-se de conversa sobre continuidade ou mudança da direção do Legislativo para este biênio. É bom lembrar que as eleições para formação da mesa geralmente são tranqüilas e poucos parlamentares demonstram desejo de presidir o Legislativo, no primeiro biênio. Entretanto, quando o mandato passa por um período eleitoral estadual, a disputa pela mesa toma outras dimensões. A explicação é fácil: no comando da Assembléia Legislativa o deputado recupera alguns municípios e até ganha outros, com o uso natural da força do poder. As próximas eleições para formação da mesa terão esta característica.

 

Alguns deputados acham que o recuo do presidente Antônio Passos em sua resolução para antecipação do pleito faz com que haja um congelamento das conversas. Outros admitem que o pessoal se animou e agora não vai mais parar os contatos e entendimento para a disputa da presidência do Legislativo. Pelo menos três deputados de partidos diferentes ouvidos ontem, admitiram que o deputado Antônio Passos está fazendo uma boa administração e foram unânimes em citar a instalação da emissora de televisão, que transmite as sessões plenárias diárias. Todos eles, entretanto, consideraram que haverá mais de uma candidatura, mesmo com a interferência do governador João Alves Filho. Fato, aliás, que se procura esconder, mas que sempre foi muito clara a força do poder Executivo sobre um Legislativo excessivamente permissivo.

 

Essa permissividade, aliás, descaracteriza um pouco o poder, que termina não se impondo por total dependência de parte dos seus membros, cuja maioria está atrelada ao Executivo. Lógico que o Legislativo é assim em todo o país, inclusive e principalmente em Brasília, onde a força do Planalto passa por cima das ações do Congresso.

 

Um deputado da oposição, que já está conversando sobre a formação da mesa, é de opinião que entre ficar com o presidente Antônio Passos, que é candidato do Governo, ou um rebelde que também integra o bloco governista, será melhor manter o quadro que está. Segundo o parlamentar, há uma reação de grupos isolados, amarrando acordos para ver o que consegue alguma coisa mais na frente. Em outras palavras: lança-se candidato a presidente para ser um dos secretários, de preferência o primeiro, que é a posição mais cobiçada, depois da presidência. A oposição pode até trabalhar apoiando um rebelde, mas quer posições privilegiadas na Casa: “e não uma quarta secretaria, como sempre nos foi oferecido”, disse. Os partidos oposicionistas também vão analisar se vale a pena marcar presença, porque um rebelde tem que atrair mais três nomes para formação de uma maioria que eleja um novo presidente e ninguém ficará contra o governo se não lhe for reservada uma boa posição na diretoria.

 

Uma coisa também é unanimidade: haverá disputa.

 

O deputado estadual Luiz Garibalde (PDT) foi o único que afirmou que está conversando, com seus colegas, sobre a formação de uma chapa para a presidência da Assembléia Legislativa. Considera que vem obtendo uma boa receptividade, mas está disposto a colocar o seu nome à disposição dos parlamentares, embora também reconheça que Antônio Passos está fazendo um bom trabalho. Na realidade, Garibalde deixa claro que quer a presidência, mas também aceita a primeira secretaria, hoje bem servida pelo deputado Marcos Franco. Garibalde não acha difícil a formação de uma outra chapa e por isso começou mais cedo o seu trabalho de consultas. A Assembléia hoje tem um pequeno grupo de deputados calados e insatisfeitos e pode surpreender a uma posição adotada por segmentos do Governo, exatamente por questões de ressentimentos.

 

De qualquer forma, a sucessão da presidência do Legislativo está posta à mesa. Esquentou com a Resolução e deve começar a ferver a partir de janeiro. Entretanto, há quem imagine que haverá um esfriamento no processo, mas um experiente parlamentar admite que agora já não dá mais para segurar. A oposição não tem número para enfrentar a situação, mas pode se unir a esse grupo ressentido que pretende mostrar que tem capacidade de rever um quadro político. Muita coisa vai acontecer e a oposição também servirá de trampolim para um ou outro parlamentar que está precisando de uma boa conversa de pé de ouvido com o Palácio dos Despachos.

 

Daqui para janeiro, evidentemente que muita água vai rolar…

 

JEREISSATI

O senador Tarso Jereissati (PSDB) informou que o partido fará a festa de filiação de três novos senadores, depois das eleições. Entre eles está Almeida Lima, de Sergipe.

Segundo Jereissati, o partido está querendo se fortalecer no Congresso, com maior número de parlamentares. Almeida Lima ainda não confirmou a transferência para o tucanato.

 

ALMEIDA

Embora haja sinais de Brasília sobre a transferência de Almeida Lima para o PSDB, o senador diz que há 45 dias não conversa com ninguém da cúpula tucana.

Acrescentou que possivelmente, depois das eleições, algum encontro pode acontecer, mas ele evita comentários e declarações.

 

ULICES

O deputado Ulices Andrade disse ontem que já conversou com o ex-governador Albano Franco e o deputado federal Bosco Costa sobre a filiação de Almeida Lima.

O sentimento dentro da cúpula do partido é de que a convivência com Almeida não terá dificuldade, mas não aceita o seu comando.

 

CONSULTA

Os três também acertaram que depois do segundo turno vão levar a discussão sobre a filiação de Almeida Lima aos diretórios do interior.

Ulices lembra que o PSDB tem prefeitos, vereadores e lideranças que precisam ser ouvidas sobre a filiação. Admite que é bom para o partido a vinda de um senador, “mas para comandar, não”.

 

LIBERAL

Segundo informação de João Fontes, a estratégia do ex-governador Albano Franco é sair do PSDB como vítima, porque é amigo de Fernando Henrique Cardoso.

Acrescentou que o ex-governador e seus aliados vão se transferir para o Partido Liberal e ficar ao lado de Marcelo Déda e do presidente Lula.

 

FONTES

A bancada federal do PDT voltou a procurar o deputado João Fontes para conversar. Aconteceu o encontro e o parlamentar sergipano disse que não iria para o PDT agora.

Na realidade, João Fontes só pretende se filiar ao PDT depois da saída do senador José Almeida Lima. Quer o partido sem vínculos com o Governo de Sergipe.

 

CONVERSA

A filiação de João Fontes ao PDT tem sido tratada com a direção nacional do PSol, que deseja formar um bloco de partidos que apóie a candidatura de Heloisa Helena a presidente da República.

João Fontes e Heloisa Helena já tiveram uma conversa com o presidente nacional do PDT, Carlos Luppi, no Rio de Janeiro, para tratar da filiação do deputado sergipano.

 

ASSINATURA

O senador Almeida Lima (PDT) algumas vezes convidou o deputado federal João Fontes a ingressar no seu partido. O fez da tribuna da câmara.

Ontem ele disse que fica satisfeito com a possibilidade de filiação de João Fontes: “faço questão de endossar sua ficha com a minha assinatura”, disse.

 

CARONA

O deputado João Fontes deu uma carona à senadora Heloisa Helena (AL) de Aracaju a Maceió, na quarta-feira passada.

Não havia mais vôo para Maceió e a senadora tinha compromissos lá às 10 horas. Vieram de Salvador a Aracaju e João Fontes foi levá-la à capital alagoana.

 

EDUARDO

O presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra chega hoje pela manhã em Aracaju e participa de duas solenidades no Tecarmo.

O Terminal é utilizado há dez anos como centro de pesquisas e prospecção de petróleo, que são aproveitadas em outras áreas do país, inclusive em Campos.

 

ROCHADEL

Às 17h30 José Eduardo vai ouvir explanação do promotor Orlando Rochadel sobre o projeto da escola Vitória de Santa Maria.

Será construída no bairro Santa Maria (antigo Terra Dura) com o apoio de várias empresas, inclusive da Petrobras.

 

TRANSPOSIÇÃO

Foi marcada para hoje, em caráter de urgência, em Brasília, a reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

O objetivo é aprovar imediatamente a transposição das águas do rio São Francisco, passando por cima da decisão do Comitê, aprovada quarta-feira passada.

 

GUERRA

O projeto de transposição do rio São Francisco vai virar uma guerra jurídica, depois que o Comitê da Bacia do Rio São Francisco votou contra ela.

Como o ministro do Desenvolvimento Nacional, Ciro Gomes, já disse que a posição do Comitê não vale, vai querer levar o projeto na marra o que levará o caso para a justiça.

 

REASSUME

O prefeito Marcelo Déda (PT) desembarcou ontem a tarde em Aracaju, e reassumiu o cargo às 18 horas, iniciando imediatamente a trabalhar.

Marcelo teve uma reunião com o vice-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), que fez um relato do que ocorreu durante sua ausência.

  

Notas

 

MUDANÇAS

Um assessor direto do prefeito Marcelo Déda garantiu, ontem, que ele não vai falar sobre mudança do secretariado em novembro. Terá todo o mês de dezembro para elaborar uma nova equipe, que terá como base o mesmo pessoal que esteve com ele durante o primeiro mandato. Mudará pouca coisa.

O próprio Marcelo Déda já disse que as mudanças ocorrerão para que sejam atendidas as reivindicações, dos partidos que apoiaram a reeleição do prefeito. Se não fosse esse compromisso, a equipe seria a mesma.

 

OBRAS

O presidente do Tribunal de Contas da União, Valmir Campelo, disse em Aracaju que as obras realizadas em Sergipe pelo Governo Federal, e que foram embargadas pelo TCU, as irregularidades já tiveram a situação comunicada aos gestores. O TCU aguarda o envio de informações para liberá-las.

Sergipe tem duas obras neste estágio: a barragem em Poço Verde e a duplicação da BR-101, até Areia Branca. Segundo Campelo, no ultimo caso cabe ao Denit informar ao TCU o que foi feito para baixar o preço da obra.

 

ATENTO

O deputado Luiz Garibalde (PDT) diz que ficará atento com relação a atuação da empresa H. Dantas, que explora o transporte de balsas em Aracaju. A empresa ameaça retirar as lanchas que servem aos moradores da Atalaia Nova, alegando que tem prejuízos em razão do pequenos movimento de passageiros.

A H.Dantas prometeu colocar ônibus para levar o pessoal do centro da Barra dos Coqueiros para a Atalaia Nova, sem pagamento de passagem. O deputado desconfia que alguns meses depois a empresa também retire os veículos.

 

É fogo

 

A deputada Lila Moura (PFL) fez um pronunciamento favorável à recuperação do velho farol do bairro Farolândia.

 

Lila Moura fez um histórico da importância do farol para Sergipe e se soma ao movimento de artistas e intelectuais para que ele seja recuperado.

 

Marcelo Déda pensou em tomar posse hoje à tarde para descansar mais um pouco. Terminou antecipando e retornou ao comando da cidade.

 

O empresário Augusto Celestino e o deputado estadual Fabiano Oliveira mostraram, ontem, ao prefeito em exercício Edvaldo Nogueira, como seria o novo esquema do Pré-Caju.

 

Fabiano Oliveira explicou a Edvaldo Nogueira que este ano o Pré-Caju será iniciado dia 13 de janeiro, porque comemora os seus 13 anos.

 

Jerônimo Reis ainda não sabe o que vai disputar em 2006. Está praticamente certo que seu filho, Sérgio Reis, seja candidato a deputado federal.

 

Antônio Passos recuou da resolução de antecipar as eleições, por atender a alegação que prejudicaria Jorge Araújo, que assume o mandato em janeiro.

 

O governador João Alves Filho desembarcou em Aracaju na noite de ontem e hoje, às 8 horas, concede entrevista à imprensa.

 

É possível que o governador reúna o secretariado neste final de semana, para que todos tenham o primeiro contato com o novo secretário da Fazenda, Gilmar Mendes.

 

O ex-deputado Nicodemos Falcão explicou para o deputado Gilmar Carvalho, que a palavra companheiro quer dizer “amigo de copo”.

 

O Governo Federal está preparando a criação de uma entidade para supervisionar e regular os fundos de pensão do país.

 

Os detentores das tecnologias de telefonia móvel travam uma batalha pelo domínio do mercado brasileiro.

 

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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