Mobilização partidária

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Desde o final das eleições municipais, que se percebe uma mobilização política para mudanças de partidos e alterações em legendas. Principalmente em Sergipe, registra-se um movimento que, se concretizado, vai alterar composições fechadas em 2002. Detecta-se que todas as alterações estão vinculadas aos partidos que apoiaram o engenheiro João Alves Filho ao governo do estado. O senador Almeida Lima, que ainda assina pelo PDT, está prestes a alçar vôo ao ninho tucano e passar a integrar o PSDB, colocando-se como candidato a governador. Os membros do PDT e do PPS estão viajando para uma convenção no Rio de Janeiro. Durante dois dias, os dois partidos vão discutir um rompimento com o Governo Federal, independência total nos estados e a fusão para criação de uma nova legenda, que tenha tendência de esquerda, sem sectarismo nem outros exageros.

Seria uma espécie de PT antes das eleições presidenciais. A idéia, inclusive, anima o deputado federal João Fontes, que está sem partido e pretende entrar em uma sigla do tipo, que depois se coligue com o Pensou, com um programa político que tenha projetos sociais de longo alcance e uma reformulação na economia, voltada para os interesses nacionais. Em Sergipe, esse novo partido também estaria distanciado do PFL, e o governo do estado perderia uma outra legenda que integra o seu bloco. O PMDB está analisando situações e querendo retornar à frente que acomodou os rejeitados e perseguidos pela ditadura militar. Embora ainda não tenha batido o martelo quanto a um afastamento do Governo Federal, em Sergipe a maioria dos seus integrantes deseja independência em relação ao governo do estado. Não seria oposição, mas também não rezaria na cartilha pefelista, procurando uma identidade própria, dentro dos princípios que sempre nortearam o então MDB de doutor Ulisses Guimarães.

Essa aparente dispersão, pinta um quadro de isolamento do Partido da Frente Liberal, que hoje comanda o estado e o governador vai disputar a reeleição. Claro que tem partidos como o PP – e alguns de menor porte – que ainda mantêm posição de coligados, mas não dá para juntar os cacos de uma composição às vésperas de uma nova eleição. É preciso trabalhar agora o caminho que o partido do governo estadual pretende seguir. O vice-presidente regional do PFL, deputado José Carlos Machado, perguntado sobre esse aparente afastamento dos demais aliados e com quem iria o PFL no próximo pleito, respondeu: “vai com o PFL”. Fazendo uma reflexão, o partido sempre foi assim. Em 1998 enfrentou o Governo praticamente sozinho e em 2002 só se fortaleceu no segundo turno, porque o PMDB, que apoiava o então candidato Francisco Rollemberg, preferiu fechar com João Alves Filho. Mas não se pode confiar nisso, porque a linguagem política de hoje não é a mesma de dois anos atrás. Sem dúvida, há necessidade de uma mobilização política, de reabrir o diálogo, para ver o que vem acontecendo na área governistas, porque não foram detectados focos de dissidência e abandono dentro do bloco oposicionista.

O governador João Alves Filho já marcou com um dos seus mais próximos correligionários, uma conversa exclusivamente política. Vai fazer um balanço geral das perdas, ganhos e danos, para corrigir distorções e se preparar para trabalhar. O PFL tem candidato a presidente da República, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que está animado com a perspectiva de chegar ao poder e vai iniciar um série de eventos, percorrer o Brasil e levar uma proposta de desenvolvimento sustentável para o país. Quer, inclusive, mudar a fase de um PFL que não conseguiu se desgrudar da pecha de conservador e atrasado. Para isso é necessário que os estados comecem a preparar o partido, dando-lhe um tempero que aguce o paladar de uma sociedade descrente e sem apetite político, que está em busca de alguma coisa nova, diferente, confiável.

O governador João Alves Filho já disse que pretende dar essa guinada, a começar pela mudança de segmentos do seu governo, para avançar no conceito administrativo de melhores resultados. Confidenciou insatisfação com um setor importantíssimo do seu governo, mas não disse que iria altera-lo, porque o seu trabalho hoje é feito com consultas e conselhos. João sabe que tem gente em lugar errado, que tem auxiliar acomodado e que existe instrumentos desafinados na orquestra, além de um ambiente em que, numa reunião de três, um não pode sair porque falam mal dele. O governo precisa mudar, o PFL tem que avançar e não deixar de fazer política, porque é através dela que se chega ou se mantém o poder.

APOIO
João Alves Filho (PFL) pediu ao deputado José Carlos Machado (PFL) que dissesse ao prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que Sergipe está pronto para apóia sua candidatura a presidente da Republica. Quando esteve com o prefeito César Maia, quarta-feira, em Brasília, Machado transmitiu o recado do governador.

UNIDADE
O prefeito César Maia confirmou a Machado que é candidato a presidente da República e quer a unidade do partido, que se fortaleceu com as eleições municipais de Salvador. César Maia calcula que o PFL ganhou em nove estados do Nordeste que, somado ao Rio de Janeiro, soma 40% dos votos do país.

CÁLCULO
Um cálculo renal levou o deputado federal José Carlos Machado ao hospital, em Brasília, para retira-lo ontem pela manhã. Machado, entretanto, amanheceu sem problema, porque o calculo se alojou na bexiga e será eliminado pela urina. Teve dores terríveis…

RESULTADOS
O secretário da Segurança, Luiz Mendonça, agora tem conhecimento real do que acontece com a Polícia de Fronteira e se espera uma mudança radical no pessoal. Inclusive em Aracaju, de vez em quando, as possantes camionetes que servem a Polícia de Fronteira, circulam com as sirenes ligadas. Fazem o quê.

FLORO
Como o convite do secretário Luiz Mendonça para comparecer à Assembléia Legislativa, era para falar sobre a Polícia de Fronteira, ninguém falou no Caso Floro. Mas a sociedade não pode esquecer que Floro Calheiros fugiu, está livre, leve e solto, com uma concessionária na cidade de Barreiras (BA). Por que ninguém o prende?

DENÚNCIA
Um ex-secretário da Justiça disse ontem, depois que Luiz Mendonça falou na Assembléia Legislativa, que há necessidade geral de uma reformulação em setores da Segurança. Lembrou que a entrada de armas nos presídios só podem ser facilitada por policiais ou agentes penitenciários que são cúmplices dos detentos.

HELENO
O deputado federal Heleno Silva (PL) disse que as oposições não devem colocar o ex-governador Albano Franco (PSDB) como candidato ao Senado. Heleno está trabalhando firmemente para disputar o Senado e já comunicou isso ao prefeito Marcelo Déda (PT).

CONVERSA
O encontro que o senador Almeida Lima (PDT) e o prefeito Salvador Enoque (PPS) tiveram em Aracaju, não teve nada de político. Almeida falou de alguns projetos dele e perguntou a Enoque como poderia ajudar Poço Redondo com emendas do orçamento. “Tentando recursos hídricos”, respondeu Enoque.

PROJETOS
O senador Almeida Lima perguntou qual era os planos e projetos de frei Enoque a partir de primeiro de janeiro, quando ele deixa a Prefeitura de Poço Redondo. Acrescentou que não tem projeto futuro: “sou padre e vou retornar à igreja, para continuar com a minha missão religiosa”, disse e encerrou o assunto.

SECA
Sobre a situação de calamidade pública em Poço Redondo, o prefeito Salvador Enoque disse que até o momento não se tem uma única solução. O estado de emergência tem que ser decretado pelo governo no Diário Oficial e, quando chega em Brasília, repete-se toda a burocracia, enquanto a fome e a sede têm pressa.

PAIXÃO
Uma fonte influente do PPS disse, ontem, que o deputado federal Ivan Paixão teve uma grande contrariedade com o ministro Ciro Gomes (PPS), em Brasília. Agora ele está aliado ao bloco do deputado federal Roberto Freire e vai lutar para que o partido se junte ao PDT e rompa com o governo federal.

PREPARADOS
Deputados dos dois partidos estão prontos para viajar ao Rio de Janeiro, com o objetivo de participar da reunião. Todos eles são favoráveis à fusão. O deputado federal João Fontes também participa da reunião, atendendo a convite do presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire.

NA RELAÇÃO
O secretário da Agricultura, Etélio Prado, está na relação dos secretários que deixarão o governo, com a reforma que o governador João Alves Filho vai fazer. Há denuncias do pagamento de recursos a uma ONG ligada a ele, pagos pelo Sebrae, mas que a obra fora feita pela Codise.

DECISÕES
As decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que antes eram inalteradas, agora pode ser decidida no Supremo Tribunal Federal (STE). Principalmente o Artigo 41 da Lei Eleitoral, que se refere à compra de votos, já está sendo revista pelo Supremo.

Notas

PARABÉNS
O deputado Ulices Andrade (PSDB) parabenizou o líder do Governo, deputado Venâncio Fonseca (PP), pela rapidez com que informou sobre o Programa do Leite, executado no município de Lourdes. Também esclareceu que não classificou o leite como comida de porco, como disseram seus adversários. Ulices também parabenizou o Tribunal Regional Eleitoral que requisitou reforço policial, para que a eleição em Nossa Senhora de Lourdes fosse realizada sem nenhuma violência. O pleito aconteceu domingo passado.

ESPERA
O presidente da Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), empresário Gilson Figueiredo, está torcendo para que o prefeito de Aracaju, Marcelo Deda (PT) entregue logo as obras do Calçadão da João Pessoa, porque os comerciantes da área estão registrando prejuízos nas vendas, durante um período de movimentação. Segundo Gilson Figueiredo, a poeira tem afastado os clientes, além de estragar mercadorias expostas pelas lojas. A 20 dias do Natal, onde as vendas aumentam consideravelmente, os comerciantes reclamam do prejuízo.

SUPREMO
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucionais dispositivos da Constituição do Rio de Janeiro que permitiam a atuação do Ministério Público do Estado junto ao Tribunal de Contas local. A decisão foi tomada ai julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Partido Progressista (PP). O relator do processo, ministro Celso de Mello, sustentou que somente o Ministério Público especial tem legitimidade para atuar junto aos TCs dos Estados. Ele citou diversos precedentes no Supremo que apontam na mesma direção.

É fogo

O Governo voltou à normalidade, ontem, com o fim da pane no sistema de informática da Prodase, depois de mais de uma semana parado.

O problema na Prodase gerou uma série de dificuldades e prejuízos ao próprio governo, à comunidade e aos empresários.

A deputada Ana Lúcia (PT) contestou as alegações do Governo do Estado para a pane no sistema de informática da Prodase.

Ontem pela manhã os secretários de Comunicação que estão em Aracaju tomaram café da manhã regional no Parque dos Coqueiros.

Ontem à noite, os secretários também foram recepcionados pelo governador João Alves Filho, com um jantar no Palácio de Veraneio.

A cidade ficou mais bonita, ontem, com a iluminação da maior árvore de Natal do mundo, erguida pela Energipe.

Políticos de todos os partidos, empresários e jornalistas compareceram ontem para comemorar mais um aniversário do Cinform e a inauguração de sua nova sede.

O conselheiro Hildegards Azevedo assume a presidência do Tribunal de Contas no dia 14 de março.

A Assembléia Legislativa aguarda a segunda e terceira discussões sobre a proposta orçamentária do Estado.

O juiz da 42ª Vara Cível de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, deu 24 horas de prazo para a Vasp pagar o que deve para a indústria CBS Industria, Comércio e exportação.

Caso a Vasp não cumpra com a determinação judicial, o juiz ameaça decretar a falência da empresa.

As devoluções de cheques sem fundos voltaram a aumentar em outubro, atingindo o segundo maior índice do ano, segundo informou o Serasa.

brayner@infonet.com.br

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