MULHER DE 50

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O compositor Luiz Antonio fez o samba “Mulher de Trinta”, que foi celebrizado na voz do

 

 

inconfundível Miltinho, enorme sucesso na programação radiofônica da década de 60. Depois disso, ninguém teve a idéia, ao que sei, de fazer uma música para celebrar a “Mulher de 50”.

Fiquei nos últimos dias pensando nisso, porque bem ao meu lado, há 30 anos, uma mulher comemora 50 anos de vida. A letra da música cantada por Miltinho, diz: “Você, mulher, que já viveu, que já sofreu, não minta…Um triste adeus, nos olhos seus, a gente vê, mulher de trinta. No meu olhar, na minha voz, um novo mundo, sinta. É bom sonhar, sonhemos nós, eu e você, mulher de trinta. Você, mulher…”

Se tivesse um pouco de talento, tentaria fazer uma música para homenagear esta mulher de 50. Mas não tenho, já tentei colocar, sem êxito, música em poemas de amigos. Um deles, Vasco Garcia, matemático de estirpe, professor da UFS e acima de tudo poeta, dos bons, de rara sensibilidade, muitos anos atrás, deu-me um poema de sua autoria para que eu colocasse uma melodia. Não consegui. Até hoje, todas as vezes que me encontro com ele, vem a cobrança. Recentemente, foi o colega médico e músico, José Carlos Santana, cardiologista dos bons, que me entregou uma poesia para musicar. Temo que ele fique “a ver navios”. Resta-me pois, escrever essas mal-traçadas linhas, tentando transmitir toda a admiração, respeito e amor

Cris com nosso primeiro filho, Lucinho
que tenho por ela.

A “Mulher de 50” é Cristina Maria Garcia Dias, esposa, companheira e amiga, mãe dos nossos três filhos e avó de Larissa. Cris, como carinhosamente a chamamos, nasceu em 27 de outubro de 1957, em Aracaju, filha ansiosamente aguardada do médico Antonio Garcia Filho e de dona Valdete Conde Garcia. O casal possuía três filhos varões, já bem crescidos, que foram surgindo numa “escadinha”: Eduardo, Sérgio e Renato. Faltava a menina que eles desejavam tanto! Deram-lhe o nome de Cristina Maria, em homenagem a Cristo e a Nossa Senhora. Cristina Maria, o doce sonho de Garcia e Valdete tornado realidade, fez o curso primário e o ginasial no Colégio São José. Casamos em 1977, ano em que ela entrou na Faculdade de Medicina. Lucio Garcia Dias foi o primogênito, depois veio Marcela em 1980 e finalmente Bruno seis anos depois. O primeiro formou-se médico e faz o segundo ano da residência em anestesia, na cidade de Santo André, em São Paulo, onde reside ao lado da esposa Luciana e da filha, nossa neta, Larissa. Marcela formou-se em psicologia e Bruno começa a carreira universitária de Medicina agora em outubro.

Em 1982, com a formatura, Cristina escolheu a pediatria como especialidade, seguindo o exemplo dos professores Dr.Machado, Dr.Hyder e Dr.Byron Ramos. Se a Medicina foi a acertada vocação, a pediatria tem sido a sua grande paixão, com uma identificação total com os pacientes, atendendo a todos com o mesmo carinho, quer seja num posto de saúde, no IPES ou no consultório particular. Criada numa sólida educação moral e humanista, ela soube cativar, ao longo da vida, a admiração das pessoas e de seus pequenos pacientes.

Por isso, agora, cercada do carinho da família e dos amigos mais próximos, que ela soube cativar, recebe nesse momento mágico da vida, o reconhecimento de todos os que, ao longo do tempo, procuraram-lhe para cuidar de seus pequeninos seres, fragilizados pela doença. O carinho e atenção que dedicou a essas crianças (e ainda dedica) é algo de extraordinário, recheados de doses generosas de preocupação e zelo, na busca incessante para aliviar o sofrimento e a dor. E são nos momentos mais dramáticos, onde o destino impõe situações mais dolorosas, que ela cresce e se agiganta em humanismo e dedicação, ajudando as pessoas de forma espontânea e sincera, sem se preocupar com qualquer forma de compensação. Digo isso porque sou testemunha de sua atuação, do seu desprendimento e forma de agir.

As pessoas da família e os amigos, convocados para dar depoimento sobre ela, confirmam o que digo. Filha generosa e dedicada, seus cuidados ao querido pai, em sua longa enfermidade até a morte, foi um exemplo vivo de amor e vocação, que permanece ainda hoje na presença constante ao lado da não menos querida mãe, Valdete, com suas limitações e dependências que o tempo cruel e implacável lhe proporcionou.

Mas Cristina não se abate, vive de bem com a vida, segue todos os passos dos filhos, mesmo já crescidos e ainda encontra tempo para lidar com as minhas inconsistências, que não são poucas. E juntos vamos trilhando o caminho da vida, com seu ombro amigo, forte e solidário a nos amparar, até quando a vida permitir. E assim talvez eu possa, quem sabe, mais no futuro, atender aos meus amigos Vasco e Zé Carlos, colocando, enfim, música nas suas letras e elevando loas à Cristina de 60, 70, 80, 90 anos…!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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