Musculação, Body Pump e Lesões

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Embora a musculação seja a modalidade de ginástica mais praticadas nas academias de todo o mundo, algumas pessoas dizem que não gostam da atividade. Ao indagar as razões, as respostas mais freqüentes é a monotonia do treinamento. Particularmente, acredito que essas pessoas na realidade não aprenderam a treinar musculação. Tenho observado que professores sem vivência da modalidade transmitem aos alunos o conceito de que musculação de resume em contar séries e repetições de alguns exercícios periodicamente remanejados para quebrar a monotonia. Com essa concepção, não creio ser possível gostar de musculação. Professores e técnicos experientes na modalidade ensinam aos alunos como sentir o trabalho muscular e como orientar o número de séries, repetições e a carga dos exercícios em função de suas sensações. Dessa maneira o treinamento é muito mais dinâmico, sendo os exercícios instrumentados para o conhecimento do corpo, e fonte de indescritível prazer que é a sensação de um trabalho muscular bem feito. Com essa concepção do treinamento com pesos, nas academias orientadas por professores e técnicos experientes, as pessoas não costumam sentir monotonia, mesmo quando realizam sempre os mesmos exercícios, muitas vezes com equipamento muito simples e convencional. No entanto, não se pode esperar que todas as pessoas gostem das mesmas coisas.

 

Body Pump é uma nova forma de ginástica com pesos, caracterizada por exercícios coreografados e realizados com altas repetições. Aos adeptos da musculação a novidade não entusiasma, mas para quem acha que não gosta da musculação clássica, o Body Pump surgiu como uma esperança de obter os reconhecidos efeitos do treinamento com pesos, porém com os exercícios realizados de uma forma muito semelhante à ginástica aeróbica. Embora não estejam disponíveis estudos completos sobre todos os efeitos desta nova atividade, não se podem esperam resultados melhores do que os da musculação para um efeito plástico, determinados pela mudança da composição corporal. As sobrecargas do treinamento com Body Pump são inferiores às oferecidas pela musculação em relação à massa muscular e massa óssea. Para os efeitos de “tonificação” do corpo e mobilização de gordura, esperam-se efeitos semelhantes. Porém, comparativamente a outras formas de ginástica de academia, os efeitos estéticos devem ser melhores. No que diz respeito à aptidão, espera-se do Body Pump um melhor estímulo para a resistência muscular e uma melhor condição aeróbia em relação à musculação.

 

Recentemente recebi alguns trabalhos divulgados pela empresa promotora do Body Pump, realizados com adultos jovens saudáveis, que ajudam a compreender melhor a atividade. Basicamente foi confirmado que a atividade tem um grande componente anaeróbio, e que a ativação aeróbia é de média magnitude. Para induzir aprimoramento da condição aeróbia, o Body Pump foi eficiente para as pessoas descondicionadas, embora inadequado para esse objetivo no caso de atletas bem treinados. O consumo calórico foi relativamente alto, entre 400 e 500 Kcal por sessão, na média de homens e mulheres, denotando importante contribuição para o processo de emagrecimento. A média dos batimentos cardíacos durante a sessão foi em torno de 135 bpm, indicando valores altos de pico. Isto sugere que o duplo-produto do Body Pump não deve ser seguro para pessoas em grupo de risco para doenças cardiovasculares, mas o mesmo ocorre com muitas outras formas de ginástica de academia, sendo a musculação uma das mais seguras. Não foram apresentados dados objetivos de composição corporal, embora medidas não controladas entre praticantes tenham indicado redução de gordura corporal e pequeno aumento de massa magra. Uma estimativa de lesões por questionário entre 200 praticantes durante 3 meses indicou apenas três incidentes: duas lesões na coluna vertebral e uma em ombros. Os professores de Body Pump entre nós têm afirmado que as lesões são realmente pouco freqüentes, mas também tem ouvido algumas outras impressões.

 

Evidentemente, em todas as atividades físicas esperam-se algumas lesões, mas certamente nenhuma forma de ginástica de academia é excessivamente traumática. Diversos trabalhos demonstram estatisticamente que a musculação clássica é uma das atividades mais seguras, enquanto que os diversos jogos com bola, muito praticados e raramente criticados, estão entre as que mais freqüentemente produzem lesões. Tendo em vista que é de interesse da Federação Paulista de Musculação contribuir para o conhecimento dos fatores traumáticos envolvidos nas diversas formas de exercícios com pesos, solicitamos a todos que procurem a ajudar, encaminhando dados referentes aos casos de lesões observados na prática da musculação clássica e também do Body Pump. Os dados serão trabalhados pelo Cecafi, Centro de Estudos em ciências da Atividade Física, da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo. As informações deverão ser encaminhadas para a sede da Fepam, aos cuidados da Diretoria Científica. As seguintes informações são importantes:

 

– Nome e telefone da pessoa lesionada

– Diagnóstico da lesão emitido por médico, quando disponível

– Descrição do exercício e das condições em que ocorreu a lesão

– Detalhes do treinamento com pesos realizado pela pessoa

– Informar sobre outras atividades físicas paralelas

– Dados sobre o treinamento e evolução da lesão, quando disponíveis.

 

O Grupo Integrado de Medicina do Esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Ciências da USP, que atua em conjunto com o Cecafi, está em condições de atender todos os casos de traumas esportivos e mantém convênio com a Fepam.

 

* Por Dr. José Maria Santarém – diretor Científico da Federação Paulista de Musculação, médico pesquisador Doutor da faculdade de Medicina da USP e Coordenador do Cecafi – Centro de Estudos em Ciências da atividade Física da FMUSP.

 

 

* Araujinho Qualificação: Instrutor Técnico registrado pelo Confef – Conselho Federal de Educação Física – nº 000072/T-SE, CREF – Conselho Regional de Educação Física – e pela FSCMF – Federação Sergipana de Culturismo Musculação e Fitness – reconhecida pelo COB – Conselho Olímpico Brasileiro e filiada a IFBB – International Federetaion Of Body Building -; árbitro de Culturismo e Fitness da FSCMF; vice-campeão sergipano de Musculação, Técnico em musculação pela NABA, Federação Paulista de Musculação, Consultor Fitness em exercícios resistidos e acadêmico do curso de Educação Física pela Universidade Tiradentes – Unit – e ex-acadêmico da Universidade Federal de Sergipe – UFS.

 

Dúvidas e Sugestões: araujinhopersonal@infonet.com.br / (0xx79) 9978-6799.

 

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