Música, para muitos!

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Assisti pela televisão  a carreata acontecida na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Para uma das redes de TV, a Record, o Presidente participou de “um encontro com apoiadores”.

Para a rede Globo, o encontro foi “uma manifestação antidemocrática e inconstitucional contra o STF e o Congresso”.

Preliminarmente, e em lamentação à Constituição que não prevê assim, confesso-me sem qualquer apreço ao congresso que em Brasília está, e que deveria, no meu entender, ser dissolvido, para ser renovado em novas eleições.

Infelizmente a nossa Constituição, dita “Cidadã”, foi escrita para beneficiar só os Deputados e Senadores, afastando-os por quatro e oito anos do crivo popular.

Nada como chamar o povo para dizer o que deseja e como assim quer!

Quanto ao Supremo, vejo-o estendido por semelhante camarilha congressual que lhe deu uma sobrevida, mal suportada, quando muitos togados ali já deviam estar, em maioria, gozando o “otium cum dignitate”, proibidos de exercer a advocacia, “usque in aeternum”, inclusive, impedidos de vender laudos e pareceres.

Porque melhor procedimento seria vê-los pilotando um carrinho de mercadinho, na feira ou na bodega, anonimamente, discutindo o preço da banana, sem chicana, por supremo mister de cidadania.

Como não é assim, eis os protestos de desapreço se repetindo nas avenidas das grandes cidades, igual à carreata que vi passar à margem da ex-Praia Formosa, ao som do Hino Nacional com muitas bandeiras verde-amarelas desfraldadas.

Praia Formosa, é bom lembrar, por viagem a tempos mais românticos, que Aracaju se balneava em suas águas benfazejas.

E que depois, por virar cenário rebelde de intentona revolucionária, foi renomeada como Praia 13 de Julho em homenagem àquela data histórica e brigante só nossa, apenas.

Um feito bravio do tenentismo sergipano, é verdade!

Mas que restou esquecido, igual à praia que de formosura nada herdou, e hoje é um fétido lamaçal; cloaca terminal e destino definitivo dos esgotos da cidade, onde o esquecimento bem convive com o excremento, um exemplo notável da boa ecologia e da excelente política ambiental de nossos governantes.

Afastando-me de tantas excelências, e abandonando a merda com o seu perfume, volto à carreata retomando o prumo, porque ali ouvi algumas palavras de ordem que aos poucos vão assumindo o bom gosto popular.

Confesso que não as gravei ainda, um sinal de pouco ensaio e real aceitação.

Uma me chamou atenção.

Ela denunciava um anterior desapreço, não de agora, mas bem antigo, contra o Supremo Tribunal Federal, tanto que ousarei repeti-la, esperando que isso não me cause a imputação de uma acusação criminal, por instigação ao ódio contra a Democracia.

Porque a democracia: “Ah, Democracia! Quantos te louvam por demagogia!”

Oportunidade em que ouso divagar novamente e sem perder o rumo, porque a ele voltarei ainda.

Mas eu não posso passar indiferente sem firmar distância a tanta algaravia, com que que as pessoas se apropriam das ideias dos outros.

Em tempos atuais de arranhões à democracia, por patranha conveniência e artimanha decadente das utopias, louva-se como profilaxia a tudo que é tolice a frase surrada de Churchill num discurso pouco célebre.

Assim, eis Winston Churchill celebrizado, um ícone da direita britânica, sendo repetido por variado pensamento esquerdista em grosso e à granel.

Seria por falta de alfafa em seu farnel, que essa gente cansou de citar Joseph Stalin, o genial “Guia dos Povos” e o cubano Fidel, líderes desta esquerda sibilina e ferina,  que agora está a preferir a bagoga do charuto babado de Churchill, enquanto nova maconha alucinógena?

Sem desafino, nem trinar falsete, não está essa gente mudando de pau pra cacete muito rápido, se apropriando sem vergonha ou desvergonha do velho buldogue como novo porta-bandeira de seu bloco?

Ah! Quanta saudade daquele tempo em que essa gente mascava Karl Marx como chicletes Adams, já sem sabor e sem doçura!

Não eram eles que até desafiando a cana dura, gritavam e defendiam que a única e ideal Democracia vigia no paraíso bolchevique, república ditada pelo proletariado, no qual poucos mandavam e mamavam, enquanto o resto pagava a farra e obedecia, sem direito a protestar dúvida ou discutir melhor dialogia?

Ah! Eis-me de novo usando palavras torpes, a repelir o vulgo, por necessário!

Não foi por real necessidade de saneamento desses espíritos equivocados, anárquicos e jacobinos, na goela por excelência, que a tropa saiu às ruas nos idos de 1964, banindo a velha república, seu ópio e seu delírio, com o aplauso do povo que bem aprovou e abençoou, em golpe que se pensava o último e derradeiro?

Mas,… eis-me fugindo de novo do tema da carreata, enquanto problema, por simples reflexão de um outro emblemático pensamento, dessa vez vindo de Karl Marx, o santo pensador de tantos desamparados.

E com tanto desarrimo e desapoio, não vale a pena repetir, só para repelir, a velha estória, segundo Marx, de que a História só se repete duas vezes, uma como tragédia e outra como farsa?

Duas vezes, segundo ele, referendado por Engels!

Porque o tempo, só o tempo os permitiria se enojar com os golpes de Brumário dos dois Bonaparte que conheceram; o tio, que não foi tão conhecido quão admirado, e o sobrinho, que restou bem engolido e mal tragado.

Diferente da História pelo que se viu depois, até por constatação e aporema, os golpes à moda Brumário se repetiram aos borbotões e gorgolejos; inclusive no Brasil: em 1959 com Lott; em 1964 com Mourão Filho; em 1968 com Costa e Silva; e até em 1977 com Ernesto Geisel, quando a tropa botou ordem no coreto, em ordem unida e disciplina, no malfadado pacote de abril de saudosa memória.

Isso, porém, é outra história. Uma história que não deve ser lembrada, porque fingir  também é não ver; em tanta arenga de chorões.

E porque a vida é assim, em altos e baixos, e sem choro nem vela, volto à carreata (finalmente!), só para dizer que alguns do povo, uma minoria ainda, está na rua gritando contra mais uma tentativa de derrubada de um Presidente da República; uma crônica anunciada com meio e fim, para reclamar depois.

Porque essa gente que está na rua não é anônima.

Não é gente mascarada, nem igual àquele que se abusa pseudônimo, se assinando na internet antônimo, em cavilosa ausência de caráter e muita falta de galhardia.

Porque haja cagaço e cobardia a tantos que ousam opinar sem identificação e responsabilidade, mundo a fora!

Quando seria tão simples se os homens bem aceitassem o aforismo notável de Walter Benjamin que repetira ate morrer: “as ideias, como as meretrizes, batem boca em público”.

Como é difícil aceitar o que o outro diz!

Por que não o refutar, com argumentos, simplesmente!

Assim, eis-me louvando a carreata, sem querer impedi-la de falar, “enquanto ilegal e inconstitucional”.

Até porque ninguém quer, embora seja sempre uma opção necessária, acabar como Walter Benjamin que suicidou-se fugindo de quem o queria impedir de viver, e de pensar, em diferenças.

Não está sendo assim, quase igual, com a imprensa querendo calar as manifestações bolsonaristas tratando-as como marginais por não serem do seu agrado?

Por acaso quem está gritando na rua é gente sem nome, sobrenome, CPF, em ampla desocupação?

Por desfortuna, será gente que não bota a cara a tapa, até para receber uma eventual pedrada de um camicase doido, um balestreiro a mal serviço, só intencionado, como Adélio em lograr sucesso?

Por que é proibido criticar a democracia que não nos é de bom agrado, denunciando os eventuais erros dos poderes constituídos?

Assim, em boa razão a carreata gritava na rua em diapasão: “STF, preste atenção! A sua toga vai virar pano de chão!”

Um grito que na rua ecoa até por cobranças, no plenário do Senado Federal, já que por um acordo mal conhecido ainda ali não foi para frente a “CPI da ‘lava toga’” que se esperava salutar para a República e a Democracia.

O grande problema, todavia, se chama Jair Bolsonaro, aquele que não era para ser eleito Presidente da República, mas o povo o quis, rejeitando todos, de FHC e seus bicudos tucanos, passando pelos petistas bons de bicos no erário, em saudosa fama, e outros que em outra rama se derramam e se espalham por partidos, sobretudo os comunistas que não ousam mostrar a cara, todos rejeitados, mundo afora.

Afora tudo isso, para os que odeiam Jair Bolsonaro, tendo a “extrema imprensa” como madrinha de ampla bateria, o Presidente era para ser Marina Silva e sua rede de baiacus resfolegantes, Ciro Gomes, o Cearense boca suja de Sobral, Fernando Haddad, o cavalo chotão mal selado por Lula, ou até o Amoedo aquele que ninguém sabe a que veio ou se dava medo, jogado para repasto de piranhas.

Sem eles e esquecido deles, eis o povo nas ruas gritando novas palavras.

E elas são música,…para muitos!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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