Musicalidade, por Rubens Lisboa

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L A N Ç A M E N T O     1

 

Cantora: MARGARETH MENEZES

CD: “PRA VOCÊ”

Gravadora: EMI

 

Quando o axé music estourou no Brasil inteiro, na década de 90, e antes mesmo de se tomar conhecimento do furacão Daniela Mercury, quem acontecia pra valer no meio era Margareth Menezes. Dona de uma voz peculiarmente grave, foi ela quem primeiro cantou os sucessos do gênero, o que lhe fez ficar conhecida inclusive no exterior.

 

Mas como tudo nesse nosso Brasil se faz em ciclos rápidos, pouco tempo depois Margareth começou a ser esquecida e outros nomes do Carnaval soteropolitano começaram a se fazer mais presentes nas paradas de sucesso.

 

De uns dois anos para cá, todavia, a negra bonita de lábios fartos e sorriso arrebatador resolveu arregaçar as mangas e reconquistar o lugar que lhe é de direito. Depois de gravar dois CD’s de maneira praticamente independente e de distribuí-los na garra, começou a ouvir suas canções de novo na boca do povo a ponto de a gravadora Som Livre ter se interessado em lançar, ano passado, CD e DVD que se originaram do registro de show realizado no Festival de Verão de Salvador.

 

Quando se era de esperar, então, que Margareth aproveitasse o momento e viesse com um novo trabalho recheado de axés e sambas-reggae, eis que a cantora surpreende e põe nas lojas o audacioso CD “Pra Você”. A verdade é que, já há algum tempo, ela acalentava a vontade de não restringir seu canto aos batuques dos trios elétricos, mesmo estando à frente do famoso bloco “Os Mascarados”, o mais GLS dos festejos de Momo.

 

Assim, Margareth terminou por construir aquele que talvez seja o melhor disco de sua carreira. Com produção do competente Moogie Canázio e as participações afetuosas dos amigos Ivete Sangalo e Cláudio Zoli, a baiana se mostra antenada com o momento atual, registrando, em seu caldeirão sonoro, ritmos e influências que, se a princípio poderiam soar díspares, terminam é dando um gosto de quero-mais ao trabalho. Os arranjos das canções são muito bem elaborados e, embora pequem (quase todos) pela forma abrupta com que fazem terminar as faixas, privilegiam a voz potente da cantora, que também se revela uma boa compositora, como em “Chame Ele”, por exemplo.

 

Entre belas canções românticas (“Versos de Amor” e “Contra o Tempo”) e sambas contagiantes (a faixa-título e “Boléia Brasil”), há espaço ainda para o pop (“Só Eu e Mais Ninguém” e “Mesmo Assim”). Mas os fãs de outrora não precisam ficar decepcionados porque, em meio a tantas novidades, eles vão poder pular à vontade: basta que se deixem levar pelo contagiante reggae “Miragem na Esquina” e pela irresistível levada de “Abanaê”.

 

Enfim, um belo CD que vem comprovar a força e o talento de uma guerreira que preferiu ousar a se acomodar. Muito massa!

 

 

L A N Ç A M E N T O     2

 

Cantor: DANIEL CARLOMAGNO

CD: “DANIEL CARLOMAGNO”

Gravadora: TRAMA

Lançando o segundo CD, Daniel Carlomagno aperfeiçoa o estilo mostrado no seu trabalho inaugural de 2001. O paulista, que abandonou a faculdade de letras para seguir a carreira artística e começou como diretor musical do programa “Companhia da Música” da TV Cultura, é um dos queridinhos da gravadora Trama e costuma ter músicas suas gravadas por Luciana Mello, Simoninha e Pedro Mariano, intérpretes que com ele, aliás, participaram do projeto Artistas Reunidos.

 

A música de Carlomagno é estilosa e, embora as melodias não estejam entre as mais inspiradas dessa nova geração de compositores, não há como negar que o rapaz capricha na produção de seus álbuns e nos arranjos das canções. Quanto às letras, elas em geral se prendem a temas do cotidiano amoroso e a constatações de dilemas modernos. Se a maioria das faixas tivesse duração mais reduzida, o resultado certamente seria melhor: resultariam menos cansativas e soariam mais diretas.

 

Quase todas as canções são de autoria do próprio Carlomagno, mas há algumas parcerias que terminam por vitaminar o disco. “Machina” (que conta com a participação especial do co-autor Renato Teixeira), por exemplo, é uma bela canção que se encaixaria perfeitamente no repertório de Maria Rita. E enquanto “O Inevitável” (parceria com Marcos Valle) destaca-se pela pegada ligeira e pelo eficiente naipe de metais, “Simples Desejo” (com Jair Oliveira) torna-se momento de especial suavidade em um disco caracterizado pela pluralidade de programações e efeitos.

 

Merecem destaque as presenças da cantora Fernanda Porto nos vocais da instrumental “Antigas Novidades” e de César Camargo Mariano com seu piano característico na mediana “Acontece Que Ela Tem Namorado”.

 

Seguindo na sua estrada, Daniel Carlomagno mostra evolução, mas ainda deve precisar de um certo tempo de maturação para vir a cair nas graças de um público mais abrangente…

    

 

N O V I D A D E S

 

·                     Hoje, segunda-feira (dia 05/09), vai ocorrer, logo mais às 21 horas, nova edição do Projeto Pixinguinha. Desta vez, sobem ao palco do Teatro Tobias Barreto os artistas Cida Moreira, Henrique Cazes Quarteto e Sérgio Souto. Vamos lá?

 

·                     E por falar no Pixinguinha, a paranaense Rogéria Holtz passou por Aracaju no mês passado, junto com a caravana do Projeto, e mostrou-se uma intérprete pronta para o sucesso. Talentosa, bonita e simpaticíssima, a morena tem um CD gravado de maneira independente (“Acorda”) que merecia estar tocando (e muito) nas rádios. Sua voz grave, aveludada e potente passeia por um repertório impecável, no qual bons compositores de sua terra (Marcelo Sandmann e Benito Rodrigues, por exemplo, autores do bem-humorado samba “Saudoso Maluco”) se juntam a nomes como Zeca Baleiro (“O Amor Que Merece”), Rita Lee (“Cartão Postal”), Beto Guedes (“Lumiar”) e Egberto Gismonti (“Mais Que a Paixão”). Entre as melhores faixas, a excelente “Vê Se Me Esquece” (parceria de Itamar Assumpção e Alice Ruiz) e a hilária “Vou Falar com Pitanguy” (do paulista Carlos Careqa). Tomara que a gente ainda venha a ouvir falar muito dessa garota!

 

·                     E são as seguintes as canções que compõem o repertório do novo CD de Maria Rita, sugestivamente intitulado de “Segundo”: “Caminho das Águas” (Rodrigo Maranhão); “Recado” (Rodrigo Maranhão); “Mantra” (Rodrigo Maranhão e Pedro Luís); “Casa Pré-Fabricada” (Marcelo Camelo); “Despedida” (Marcelo Camelo); “Mal Intento” (Jorge Drexler); “Muito Pouco” (Moska); “Ciranda do Mundo” (Eduardo Krieger);Sem Aviso” (Fred Martins e Francisco Bosco); “Feliz” (Dudu Falcão) eConta Outra” (Edu Tedeschi), além das regravações deA Minha Alma” (Marcelo Yuka e O Rappa) e de “Sobre Todas as Coisas” (Chico Buarque e Edu Lobo). O álbum estará nas lojas na próxima semana.

 

·                     E o nosso Brasil que tem Maria Rita também possui Rita Maria. Gravado de maneira independente durante cinco anos e distribuído pela Tratore, está chegando às lojas o primeiro CD da cantora paulista que também é a produtora do trabalho, ao lado do violonista Zeca Loureiro. Das treze faixas, onze são de autoria da própria Rita que, bastante afinada, possui voz de timbre agudo bem trabalhado e agradável, afora a sua bela aparência de menina. Se não são excelentes todas as composições de Rita, há (pelo menos) duas grandes canções de sua lavra, responsáveis pelos melhores momentos do disco: “Borboleta Preta” e “Pé Calejado”. A sonoridade do álbum é acústica, alternando percussões sutis e formações mais enxutas (como duo de voz e guitarra ou voz e baixo) com instrumentações mais densas com a presença de instrumentos de corda, entrelaçados de forma harmônica e criativa. As duas regravações presentes (“Maçã do Rosto”, de Djavan, e “Nego Maluco”, de Edu Lobo e Chico Buarque) comprovam que a garota também tem grande potencial como intérprete.

 

·                     Depois do estrondoso sucesso alcançado com o seu disco para crianças no qual adotou o heterônimo de Adriana Partimpim, a gaúcha Adriana Calcanhotto, atendendo a solicitação de sua gravadora, registrou espetáculo ao vivo, o qual será lançado brevemente em CD e DVD. A maioria das músicas do repertório vem do disco inicial, mas há inéditas: “Quando Nara Ri” (parceria de Adriana com Kassin), além de canções por ela adaptadas do livro “Um Gato Chamado Gatinho”, de Ferreira Gullar, tipo: “Ronron do Gatinho”, “Gato Pensa?” e “O Gato e a Pulga”.

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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