MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Cantora: OLÍVIA BYINGTON

CD: “OLÍVIA BYINGTON”

Gravadora: BISCOITO FINO

 

Na juventude, a cantora Olívia Byington cantava com o mesmo entusiasmo tanto óperas quanto rocks. Estudou piano, violino e violão e logo poria à mostra sua grande extensão vocal através do disco de estréia intitulado “Corra o Risco” (de 1973), o qual, à época, foi muito bem recebido pela crítica. Embora até hoje não seja muito conhecida pelo grande público, já trabalhou ao lado da nata da nossa MPB, como Tom Jobim, Chico Buarque, Paulo Moura, João Carlos Assis Brasil, Turíbio Santos, Egberto Gismonti e Radamés Gnatalli. Seus álbuns mais conhecidos são mesmo os dois mais recentes: “A Dama do Encantado” (de 1997), em homenagem a Aracy de Almeida, e “Canção do Amor Demais”, em homenagem a Elizeth Cardoso.

É esta cantora, dona de rara refinação, que acaba de lançar, através da gravadora Biscoito Fino, o seu novo CD, o décimo da carreira. São doze faixas que realçam a belíssima voz da artista, de estilo erudito, mas plenamente à vontade no cancioneiro popular. Todas as canções são de autoria da própria Olívia, a maioria delas em parceria com o poeta português Tiago Torres da Silva (apenas “Balada do Avesso” foi composta com Geraldo Carneiro, “Todo Par” com Marcelo Pires e “Clarão” com Cacaso). A diferença dela para grande parte das cantoras que também ousam compor é que Olívia tem tino para a coisa. Suas melodias são graciosas e agradáveis ao ouvido. Por sua vez, os arranjos, executados com maestria por músicos do porte de Leandro Braga (piano), Marco Pereira (violão) e Jamil Joanes (baixo), são um show à parte.

Entre canções calmas e outras mais animadas, o disco vai se formando e firmando com um grande trabalho, ao tempo em que se enfileiram belos momentos como, por exemplo, as faixas “Guarda Minha Alma”, “Por Dentro das Canções”, “O Mar É Minha Hora” e “Sapatilhas de Ponta”, esta emoldurada por atmosfera teatral que conta com a participação de um coro especialíssimo.

E para coroar esse muito bem-vindo álbum surgem, em brilhantes participações, Seu Jorge (perfeito em “Na Ponta dos Pés”) e Maria Bethânia (elegante em “Mãe Quelé”, um inspirado tributo a Clementina de Jesus).

Ao lançar um CD de inéditas (na contramão da cartilha abraçada pelo mercado fonográfico atual), Olívia Byington optou pela ousadia. Ponto pra ela porque o resultado ficou bom pra caramba!

 

 

R E S E N H A     2

 

Cantora: BEBEL GILBERTO

CD: “MOMENTO”

Gravadora: SONY & BMG

 

Desde pequena, Bebel Gilberto respira música. Filha de João Gilberto e Miúcha, ainda criança participou de alguns especiais infantis levados ao ar pela Rede Globo. Em 1986, gravou o seu primeiro disco, um mini LP com cinco faixas, relançado posteriormente em CD pela WEA. Naquela oportunidade, já esboçava também o seu lado compositora, assinando (ao lado de Cazuza e do baixista Dé Palmeira) canções como “Mais Feliz” e “Preciso Dizer Que Te Amo”, que viriam a se transformar, anos depois, em grandes sucessos nas vozes de Adriana Calcanhotto e Marina Lima, respectivamente.

Foi somente em 2000, todavia, que Bebel viu seu nome ser projetado de maneira mais incisiva. E tal se deu com o CD “Tanto Tempo”, lançado inicialmente no mercado estrangeiro, o qual terminou sendo admiravelmente bem recebido dentro e fora do Brasil. Produzido por Suba, o trabalho revestia o som clássico da bossa nova com a luz cool das programações eletrônicas. Faixas como “Samba da Bênção”, “Sem Contenção” e “Bananeira” mereceram rasgados elogios e ela viu seu nome se transformar em sinônimo de requinte e bom gosto.

A receptividade favorável, contudo, não voltou a se repetir com o CD seguinte que chegou ao mercado em 2004. De fato, o trabalho resultou monocórdio e com exceção das faixas “O Caminho” e “Aganju” certamente teria passado em brancas nuvens.

Acaba de chegar às lojas o novo álbum da artista intitulado “Momento”. Trata-se de um trabalho que soa lounge e superior ao último, embora ainda fique aquém do já citado “Tanto Tempo”. Bebel tem seu charme especial e isso é incontestável. Mas não é nem uma grande cantora nem uma compositora impactante. Como intérprete, sua voz de pequena extensão por vezes chega a lembrar o timbre da mãe. Bem colocada, soa sensual e não prejudica o resultado final. Como autora, no entanto, soa repetitiva. Isso fica claro porque das onze faixas do recém-lançado álbum, oito são dela (todas assinadas com parceiros). Dessas somente “Os Novos Yorkinos”, “Um Segundo” e a faixa-título mostram algum fôlego. Os melhores momentos ficam mesmo por conta das releituras de “Night and Day” (de Cole Porter), “Tranqüilo” (de Kassin, com participação da Orquestra Imperial) e especialmente “Caçada” (do tio Chico Buarque). Uma prova de que Bebel deverá ousar mais nos próximos trabalhos…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               O trio pé-de-serra Geração do Forró, um dos melhores do nosso Estado, estará amanhã à noite (dia 14 de agosto), a partir das 19:30 horas, no Teatro Tobias Barreto, fazendo parte da encenação teatral “O Povo Tem Poder, Quer Ver?”, uma iniciativa do TRE de Sergipe, dando o pontapé inicial ao Projeto Eleitor do Futuro. A entrada é gratuita e o espetáculo é imperdível!

 

·               Depois de lançar o CD “Tecnomacumba”, um projeto antigo que somente se viabilizou há pouco tempo, a cantora Rita Ribeiro já planeja gravar o DVD do show homônimo com o qual vem percorrendo o Brasil com grande sucesso. Se tudo der certo, a talentosa maranhense planeja contar, no registro em vídeo, com as participações especiais de alguns colegas, dentre os quais Ney Matogrosso, Alcione, Zeca Baleiro e Beth Carvalho.

 

·               O grupo vocal Mulheres de Hollanda, depois de cinco anos realizando shows cujo repertório recai sobre a obra de Chico Buarque, se prepara para o lançamento do projeto nos formatos CD e DVD, contando com Zé Renato, Cláudio Nucci e o Quarteto em Cy como convidados especiais.

 

·               Teresa Salgueiro é cantora portuguesa que sempre se declarou apaixonada pela música brasileira. Depois de flertes em alguns de seus trabalhos solo, a artista (que é a vocalista do famoso grupo Madredeus) acaba de lançar o primeiro disco voltado exclusivamente para o cancioneiro nacional, o qual se intitula “Você e Eu”, bela parceria de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, o qual acaba de chegar às lojas através da gravadora EMI. Acompanhada do magnífico septeto que tem à frente João Cristal, Teresa construiu um álbum que se revela uma verdadeira obra-prima. Não obstante várias canções já terem sido exaustivamente regravadas, a voz bem colocada da cantora, de timbre límpido, belo e afinado à exaustão, consegue conferir-lhes cores novas. Emolduradas por arranjos que beiram o improviso jazzístico, as faixas se sucedem, uma a uma, desfiando um verdadeiro rosário de pérolas. Há Ary Barroso (“Risque”), Dorival Caymmi (“Maracangalha”), Tom Jobim (“Chovendo na Roseira”), Antônio Maria (“Valsa de uma Cidade”), Pixinguinha (“Lamento”) e Dolores Duran (“Estrada do Sol”).

 

·               A excelente intérprete Margareth Reali está lançando o CD “Um Trem para o Sonho”, no qual homenageia a obra do compositor mineiro Nivaldo Ornelas. Boa pedida para quem tem gosto musical apurado!

 

·               A sambista Dorina, acompanhada pelos violões de Cláudio Jorge e Carlinhos 7 Cordas, acaba de lançar o CD “O Violão e o Samba”. Focado nas cordas de aço (presentes nas letras das doze canções e na concepção do disco), o álbum traz arranjos simples, mas nem por isso menos envolventes. Dentre os compositores escolhidos estão Paulinho da Viola, Cartola, Sidney Miller, Candeia e Nei Lopes.

 

·               A gravadora Biscoito Fino lança o CD “Uma Porção de Marias”, novo trabalho de Jane Duboc que, acompanhada pelo violão mágico de Arismar do Espírito Santo, reúne músicas que falam de mulheres nas letras. Jane está em plena forma vocal. Afinadíssima, arrisca-se em divisões jazzísticas que fazem o charme do disco. Do repertório constam, entre outras, as canções “Maria Moita” (de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), “Rosa Morena” (de Dorival Caymmi) e “Emília” (de Wilson Batista e Haroldo Lobo).

 

·               A cantora Marina de la Riva, embora carioca e criada na Bahia, tem mãe mineira e pai cubano. Daí ter buscado, em seu primeiro CD (que acaba de chegar às lojas), entrelaçar estes dois universos musicais. Dentre bons momentos, tais como as releituras de “Sonho Meu” e de “Ta-Hí”, o maior destaque fica mesmo por conta da participação especial de Chico Buarque na faixa “Ojos Malignos”, canção originalmente nascida como bolero mas que, neste registro, transforma-se em um agradável samba.

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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