Musiqualidade

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L A N Ç A M E N T O

Cantor: MARCO VILANE
CD: “COISA ALGUMA”
Gravadora: BÁSICO BRASIL

O compositor e cantor Marco Vilane é baiano de Jequié, mas praticamente começou a sua carreira artística em Aracaju, quando aqui se fixou para cursar a faculdade de Arquitetura. Durante doze anos, cantou em diversos barezinhos, participou de vários festivais de música e, após lançar o seu primeiro e ótimo disco “Avesso”, através do qual consolidou o seu nome em terras sergipanas, resolver mudar-se para São Paulo a fim de tentar vôos mais altos.

A batalha nunca é fácil, principalmente quando o artista não se verga a modismos oportunistas e opta em conduzir o seu trabalho por caminhos decentes, fazendo música inteligente. É o caso de Vilane que, com muita luta, está lançando o seu segundo trabalho, inaugurando (juntamente com o CD “Por Um Fio”, da cantora Lu Garcia) o selo independente Básico Brasil, uma iniciativa ousada, mas muito bem-vinda no cansado mercado fonográfico brasileiro.

Ainda que o som do seu CD de estréia seja mais encorpado, é visível o crescimento do artista neste novo trabalho: Vilane está cantando bem melhor e suas letras ganharam em inteligência e criatividade. Algumas influências marcantes (como Lenine, Moska e Chico César) ainda continuam presentes, mas começam a se diluir em meio a construções próprias, o que é muito bom pois confirma o incontestável talento do rapaz.

As canções têm pegada pop e a maioria delas leva programações e loops, o que facilita a aceitação por um público consumidor mais jovem. A música “A Ordem das Coisas” foi escolhida como a faixa de trabalho, mas há outras canções mais interessantes. É o caso da bela e desconcertante toada “Nem Sempre” que, ainda por cima, conta com a participação especialíssima de Dominguinhos nos vocais e executando o seu acordeão ímpar, e das bem construídas e inspiradas baladas “Do Que Não Sei” e “Opostos”, dois grandes momentos do disco. Mas as surpresas ficam mesmo é por conta das excelentes “Conselho de Ana” e “Esteira”, ambas mostrando lados insuspeitados do compositor e denotando que o seu leque de criação, ao ser totalmente aberto, pode ainda presentear o público com inusitadas criações. A primeira, com um pé no brega, ressalta o lado bem-humorado de Vilane. A segunda, que alia influências folclórico-populares com a estética do movimento mangue beat, possui uma força e um suingue sensacionais. Das treze faixas do álbum, somente uma delas não pertence a Vilane. Trata-se de “O Sim”, do conterrâneo e também radicado em Sergipe Alex Sant’anna, um delicioso roquezinho pincelado com nítidas tintas que remetem à Jovem Guarda.

Vilane é também o produtor do seu trabalho e, esperto, soube se cercar de músicos que conhecem bem o seu universo artístico. Dentre eles, há as presenças de Álvaro Alexandre e Beto Vasconcelos (guitarra e baixo) que o acompanharam em sua ida a Sampa, e dos sergipanos Rômulo Filho (bateria) e Pedrinho Mendonça (percussão), os dois em franca atividade atualmente por estas bandas de cá.

A continuar nesse caminho, Vilane terá um futuro promissor pela frente. Tomara que, dentro em breve, o moço caia nas graças de algum grande nome da nossa MPB para que, assim, possa ser mais rapidamente alçado a um merecido lugar de destaque no nosso cenário nacional.

 

N O V I D A D E S

 

· O grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado lança, em parceria com a MTV, um DVD que teve origem no show “A Trajetória da Terra”, gravado em julho na Casa das Caldeiras, em São Paulo. São vinte e cinco canções extraídas basicamente dos dois primeiros discos do grupo, mas há a presença de quatro inéditas.

· O cantor Roberto Carlos regravou “Loving You”, sucesso de Elvis Presley, para o novo CD que estará, em breve, nas lojas. No disco, haverá também um encontro do Rei com Chitãozinho e Xororó numa canção cuja letra é uma conversa entre três amigos. Além dessas, Roberto ainda vai cantar, pela primeira vez, “Promessa”, música de sua autoria, mas que, na época Jovem Guarda, se transformou em sucesso na voz de Wanderley Cardoso. Outras canções confirmadas no disco são “Índia” e “A Volta”, ambas incluídas nas trilhas das novelas “Alma Gêmea” e “América”, respectivamente.

· Os dois volumes do disco “Tim Maia Racional”, gravados e lançados pelo cantor de voz tonitruante entre 1974 e 1975, quando pertencia à seita Universo em Desencanto, deixarão de ser raridades encontradas somente nos sebos. É que a gravadora Biscoito Fino vai relançar os trabalhos em CD’s até o final do ano. Os fãs do eterno síndico agradecem!

· O paulista Guilherme Arantes (que agora vive em Salvador) planeja lançar, no começo de 2006, o seu próximo disco de inéditas. Dentre as faixas já garantidas estão uma parceria com o cantor e guitarrista Max Viana, filho de Djavan (“Disque Sim”), e duas com o parceiro de outras eras, o arteiro Nelson Motta (“Chega de Saudade 2005” e “Vai e Vem”).

· Com apenas uma balada no repertório, é bem dançante o novo CD de Ivete Sangalo que já está nas lojas. O CD tem cinco canções pop, duas faixas na levada samba-reggae e outras duas com tempero caribenho. As duas restantes são as regravações de “Chorando Se Foi” e da música-tema da novela “América”.

· Já o décimo disco solo da baiana Daniela Mercury chegará às lojas até o final de novembro. Com o sugestivo título de “Balé Mulato”, o trabalho marca a estréia da cantora na gravadora EMI e reúne 14 faixas produzidas por Ramiro Musotto e Alê Siqueira. A primeira música de trabalho (“Topo do Mundo”, de Jauperi e Gigi) já começa a tocas nas rádios. As regravações ficam por conta de “Pensar em Você” (de Chico César, registrada originalmente pela maranhense Rita Ribeiro), “Tonelada de Amor” (de Márcio Mello), “Aquarela do Brasil” (de Ary Barroso) e “Meu Pai Oxalá” (parceria de Toquinho e Vinicius de Moraes).

· Pedro Miranda, integrante do Grupo Semente (que acompanha a sambista e esposa Teresa Cristina) prepara a sua estréia em CD solo, o qual será lançado no comecinho do próximo ano pela gravadora Deckdisc. Do repertório constarão composições de Roque Ferreira, Zé da Zilda, Jararaca, Zé Keti, Heitor dos Prazeres e Paulinho da Viola.

· Ana Martins já tem discos gravados no Japão e acaba de lançar o seu primeiro CD aqui no Brasil através da gravadora Biscoito Fino. Trata-se de “Samba Sincopado”, uma compilação de canções anteriormente gravadas por Nara Leão, intérprete que tinha o dom de pinçar pérolas do cancioneiro popular. Dentre os compositores gravados, há nomes como Paulinho da Viola, Chico Buarque, Sidney Miller e Vinicius de Moraes. A voz de Ana é graciosa mas possui um timbre bastante comum. A garota é a segunda filha do baterista Tutty Moreno com a cantora e compositora Joyce, responsável pelos arranjos do álbum. Diferentemente da irmã mais velha também cantora, a sensual Clara Moreno (que baseia o seu trabalho em roupagem moderna), Ana opta por uma linha nitidamente acústica. Dentre os destaques do repertório estão as menos conhecidas “Maria Joana”, “Pranto de Poeta” e “Madalena Foi Pro Mar”. Há, ainda, a participação especial do sambista Elton Medeiros na boa faixa “Quatro Crioulos”.

· O produtor Arnaldo DeSouteiro terminou de arregimentar, por estes dias, o CD “The Tropical Lounge Project”, do percussionista Marcelo Salazar. No álbum, em breve nas lojas, estão as participações especialíssimas da saudosa bateria de Dom Um Romão, do trompete de Jessé Sadoc e do sax de Marcos Szpilman, além de Danilo Caymmi, Taryn Szpilman e Ithamara Koorax nos vocais e solos.

· Chegará ao mercado, no início de 2006, mais um tributo à obra de Gonzaguinha. Agora é a vez de Clara Becker (filha dos atores Walmor Chagas e Cacilda Becker) que, em seu segundo CD, resolveu mergulhar na vasta e bela obra do compositor falecido tão precocemente. Com o título de “Dois Maior de Grande”, a cantora vai mesclar músicas do autor de sucessos como “Explode Coração” com alguns sucessos de Luiz Gonzaga, pai adotivo do homenageado.

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