Musiqualidade

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L A N Ç A M E N T O    1

 

Cantor: OSWALDO MONTENEGRO

CD: “LÉO E BIA”

Gravadora: JAM MUSIC / EMI

Se existe, no Brasil, um artista injustiçado pela crítica, esse artista é Oswaldo Montenegro. Tido como falastrão por alguns, visto como porra-louca por outros, o fato é que o cara compõe muito bem, canta pra caramba e sabe alicerçar as suas criações com arranjos que as engrandecem.

Nada disso, porém, pareceu convencer os tais entendidos que insistiam (e insistem até hoje) em ignorar o seu trabalho. Os motivos podem ser vários ou pode sequer existirem. As razões podem ser as mais óbvias ou as mais complexas. Porém, o que importa é que Oswaldo conquistou, ao longo de anos na estrada, um público que o acompanha e prestigia onde quer que se apresente, e que continua a produzir, embora num ritmo menos intenso que no começo da carreira, música de ótima qualidade.

 

Oswaldo é carioca mas desde muito pequeno passou a morar em Brasília. Os ares da Capital Federal inebriaram-lhe a alma e foram os responsáveis pela sua primeira incursão teatral, o musical “Léo e Bia”.

 

Embora tenha participado de diversos festivais de música (e foram eles que fizeram com que Oswaldo passasse a ser reconhecido pelo grande público – quem não se lembra, por exemplo, de “Bandolins”, “Agonia” e “O Condor”?), o cantor sempre se fez ligado ao teatro por estar à frente de vários grupos. Diversos foram os artistas que começaram pelas mãos do Menestrel: Zélia Duncan, Cássia Eller, Milton Guedes, Vanessa Barum, Tânia Maya e Danny Carlos são só alguns desses nomes.

 

Incansável, Oswaldo tem lançado discos com freqüência, alterando trabalhos inéditos com revisitas a vários de seus grandes sucessos.

 

Aproveitando a nova montagem da peça “Léo e Bia”, acaba de chegar ao mercado mais um CD por ele assinado, contendo releituras das canções que fizeram parte do espetáculo original. O CD contém as participações de Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Moska, Jorge Vercilo, Sandra de Sá, Lui Coimbra, Eduardo Costa, Zélia Duncan e da atriz Glória Pires que, além de declamar, também canta doce e lindamente na faixa “Éter no Cristal”.

 

O trabalho é todo ele um primor! Ney imprime tintas definitivas à bela música-título, Sandra está perfeita em “Por Descuido ou Displicência” e Zélia parece bastante apropriada em “Coisas de Brasília”, três das melhores faixas do disco. Mas não dá para deixar de citar ainda a suingada “Vida de Artista”, a bem-humorada “Quem Diria”, a inusitada “Chique” e a inspirada “Release”.

Esqueça tudo o que já ouviu falar de suspeito sobre Oswaldo e mergulhe de cabeça! Com certeza fará uma excelente viagem musical…

 

 

L A N Ç A M E N T O    2

 

Cantora: PRETA GIL

CD: “PRETA”

Gravadora: UNIVERSAL

Preta Gil chega ao seu segundo CD com produção de Betão Aguiar. Não bastasse o poderoso círculo de amizades que possui, a garota, ainda por cima, é filha do atual Ministro da Cultura, o contraditório Gilberto Gil. Não fossem esses qualitativos (?), talvez fosse difícil chegar onde chegou porque o fato é que Preta nunca foi e nem é cantora. Sua voz é anasalada e meio fanha. Se falando já irrita; cantando não convence.

 

Mas o fato é que o seu novo trabalho supera, e em muito, o seu CD de estréia. Naquele, a única canção de qualidade era mesmo “Sinais de Fogo” (parceria de Ana Carolina com Totonho Villeroy). Já no álbum atual, há algumas canções bem bacaninhas.

 

A melhor delas é, de longe, “Leva Eu Pro Samba” composta pelo talentoso Moraes Moreira. Mas “O Beat” (de um dos filhos de Moraes, Ari) é um outro destaque (muito pela participação possante de Lenine, é verdade!). “Valeu” mostra um insuspeitado Pedro Luís no terreno amoroso. E para honrar a sua baianidade, Preta não poderia deixar de fora o axé, o qual se encontra representado pela contagiante “Você e Eu, Eu e Você”.

 

Além de medianas inéditas de Adriana Calcanhotto e Sandra de Sá (“Vá Lá” e “Estágio do Perigo”, respectivamente), há ainda a regravação de “Cheiro de Amor” que só fez comprovar o poder que tem Maria Bethânia, a sua intérprete original, de transformar em canção chique uma baladazinha com um pé no brega, como se constata através da versão de Preta.

 

Como faixa bônus, o CD traz a música “Tresloucado” com as participações de Davi Moraes e Lanlan, os quais, juntamente com Preta, vêm se apresentando em uma série de shows por points cariocas nos últimos tempos. Um disco que deve tocar direitinho, mas que, no fundo, resvala mesmo em mais uma brincadeira da espevitada Preta…  

 

 

N O V I D A D E S

 

·               E segue com grande sucesso o Projeto Assaim de Música realizado semanalmente no Município de Pirambu. Na próxima sexta-feira, dia 16, será a vez de Antônio Carlos du Aracaju, um dos maiores nomes da nossa música sergipana, se apresentar no grande palco armado em frente à bela orla daquela cidade. Se eu fosse você, não perderia mesmo…

 

·               No próximo domingo, dia 18, a partir das 20:30 horas, estará se realizando, no Teatro Tobias Barreto, o espetáculo de ballet “Carta Marcada do Tarô”. Com direção e coreografia assinadas por Cecília Cavalcante, baseia-se na dança oriental, ressaltando dança cigana, dança do ventre, dança flamenca e danças folclóricas árabes. A bela trilha sonora foi composta por  Neu Fontes, Nery e Alvino Argollo.  Uma oportunidade única!

 

·               Em 1980, Daniel Filho, então diretor da Rede Globo, idealizou especiais musicais intitulados “Grandes Nomes” que iam ao ar mensalmente levando ao conhecimento do grande público televisivo o trabalho de vários ídolos da nossa MPB. Um deles (e talvez o mais emocionante) foi o programa Elis Regina Carvalho Costa que está chegando às lojas, em formato DVD, numa parceria das gravadoras Trama e Som Livre. Há registros memoráveis, como aquele em que Elis chora ao cantar “Atrás da Porta”, pungente parceria de Chico Buarque e Francis Hime. São 15 músicas ao todo, entre as quais se destacam “Alô, Alô, Marciano” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), “Aos Nossos Filhos” (Ivan Lins e Vítor Martins) e “Modinha” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). De arrepiar!

 

·               A EMI está lançando “Uma Voz… Uma Paixão”, CD em que Jane Duboc interpreta diversas canções antológicas da música popular brasileira. Jane dispensa comentários: possui timbre limpo e característico e é uma das mais afinadas cantoras do Brasil. Sempre correu à margem das paradas de sucesso, mas possui um fã-clube que sempre lhe rende shows com platéia lotada e razoável vendagem de discos. Entre músicas de beleza inquestionável como “Manhã de Carnaval” (Luís Bonfá e Antônio Maria), “Latin Lover” (João Bosco e Aldir Blanc) e “Acontece” (Cartola), Jane ainda resgata, neste álbum, algumas canções que ficaram conhecidas na sua própria voz. É o caso de “Besame” (Flávio Venturini e Murilo Antunes), “Saudade” (Nato Gomes) e “Que Outro Dia Amanheça” (Édson e Teresinha Faga). Embora embalado por bela capa e arte gráfica esmerada, o trabalho peca por duas falhas consideráveis: como se trata de uma compilação de fonogramas recolhidos das gravadores MoviePlay e Jam Music, no encarte esqueceu-se de registrar os nomes dos músicos responsáveis pela execução dos arranjos de cada faixa (fantásticos, diga-se de passagem). Além disso, é imperdoável a troca de autores da canção “Curare”. Criação de Bororó, o disco erroneamente dá o crédito para Orlando Silva, na realidade o cantor que originalmente gravou a música. Áh! E como em todo bom disco atual que se preze, há a participação da onipresente Zélia Duncan (ao lado do jovem cantor Jay Vaquer, filho de Jane) na faixa “From the Inside”. Para quem ainda não conhece o talento da cantora, trata-se de uma oportunidade imperdível!

 

·               Dois dos discos da excelente cantora Ná Ozzetti estão sendo relançados, desta feita pela gravadora MCD. Trata-se de “Ná” (de 1993) e “Estopim” (de 1999) e ambos vêm com faixas-bônus. O primeiro (que contém preciosidades como “Sutil”, de Itamar Assumpção, e “Morro Dois Irmãos”, de Chico Buarque) apresenta e inédita “Só Te Ver”, parceria de Ná e Itamar. Já o segundo (do qual constam, entre outras, as ótimas “Capitu”, de Luiz Tatit, e “Ultrapássaro”, de Dante Ozzetti) vem com “Batuqueiro”, parceria de Ná e Tatit. Quem ainda não os possui, está na hora de adquiri-los!

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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