Musiqualidade

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M U S I Q U A L I D A D E

 

 

R E S E N H A

 

Cantor: MARKINHOS MOURA

CD: “MULHERES E CANÇÕES”

Gravadora: LUA MUSIC

 

Nos anos oitenta, a música popular brasileira tinha espaço para todas as tribos. Enquanto a MPB de qualidade tentava se manter no topo, posto alcançado no final da década anterior, e o samba mostrava sinais de um arrefecimento que só viria a ser suplantado de alguns anos para cá, o chamado rock nacional começava a assolar as paradas de sucesso de todo o país. Mesmo assim, a chamada música romântica de cunho quase brega tinha lugar garantido nos programas de auditório mais famosos da época e na programação das rádios voltadas para uma fatia mais popular de público.

Um dos artistas que mais se destacou nesse último nicho foi Markinhos Moura. Natural do Ceará, ele mudou-se, aos vinte e três anos, para o Rio de Janeiro, iniciando-se na carreira artística três anos depois. Quando surgiu, despertou de imediato a curiosidade geral por conta de seu timbre de voz bastante parecido com o de Elis Regina, a maior cantora da história do nosso cancioneiro, falecida precocemente em 1982. Utilizando-se dessa semelhança natural, Markinhos foi sendo conhecido até que explodiu definitivamente quando gravou “Meu Mel”, canção de melodia pegajosa que se transformou em megahit instantâneo. Em seguida, ele engatou outro grande sucesso, a bonitinha “Anjo Azul”. Dono de voz de grande extensão e de incontestável afinação, Markinhos, no entanto, não conseguiu manter seu nome em evidência nem tampouco fez por onde sedimentar sua carreira.

Uma ótima oportunidade para dar a volta por cima surge agora com o CD “Mulheres e Canções”, um lançamento da gravadora Lua Music. Markinhos, que já há algum tempo reside em São Paulo, depositou nas mãos do produtor Thiago Marques Luiz o sonho de gravar um álbum em que realmente pudesse fazer aflorar o seu verdadeiro gosto musical e assim se concretizou o projeto que ora aporta no mercado.

Composto por treze canções, trata-se de um trabalho que se torna um divisor de águas na pequena discografia do artista. Markinhos – é fato – já não possui o vigor vocal de outrora, mas continua cantando bem. Como o CD é recheado de participações especiais (em onze das faixas, ele se faz acompanhar por cantoras que admira, o que justifica o título do disco), em alguns momentos nota-se que ele tem que se adaptar a tons menos confortável em prol de algumas convidadas. Nada, no entanto, que comprometa sobremaneira o resultado nitidamente satisfatório.

O repertório é díspar e alia compositores de ponta como Rita Lee (“Doce de Pimenta”, parceria com Roberto de Carvalho – um grande achado! – gravada ao lado de Maria Alcina) e Chico César (“Mulher Eu Sei”, com a presença de Fabiana Cozza) a outros nomes menos conhecidos do grande público, como é o caso de Cátia de França (“Coito das Araras”, com a sempre bem-vinda Amelinha) e Irinéia Maria (“Meias Partes”, parceria com Suely Correia, com a participação de Jane Duboc). E ainda sobra espaço para canções razoavelmente datadas da lavra de Leci Brandão (“Ombro Amigo”, um grande momento com Zezé Motta) e Vanusa (“Rotina”, parceria com Mário Campanha, que conta com os vocalises de Claudya).

O CD traz oportuna regravação da inspirada “A Feminina Voz do Cantor” (lado B da parceria entre Milton Nascimento e Fernando Brant), esta uma das duas músicas que Markinhos canta sozinho (a outra é “Bonita”, de Tom Jobim). Completam o time de cantoras convidadas (e é um time mesmo, posto que totalizam onze!) Verônica Ferriani (em “Nasci Pra Sonhar e Cantar”, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho), Cida Moreira (em “Me Acalmo Danando”, de Ângela Ro Ro), Vânia Bastos (em “Vida de Artista”, de Sueli Costa e Abel Silva), Marcia Castro (em “Grand’Hotel”, de Paula Toller, George Israel e Lui Farias) e Tetê Cavalckanti (em “Minha Nossa Senhora”, de Fátima Guedes).

Markinhos Moura ressurge com um bom trabalho, o qual lhe confere credibilidade para altaneiros voos. Que assim seja!

 

 

N O V I D A D E S

 

· Alzira E é o nome artístico adotado, de alguns anos para cá, pela cantora e compositora sul-mato-grossense Alzira Espíndola (irmã da excepcional Tetê Espíndola), a qual já possui composições gravadas, entre outros, por Ney Matogrosso, Zélia Duncan, André Abujamra, Ceumar e Carlos Navas. Artista polivalente, posto que também é uma ótima violonista, Alzira acaba de pôr nas lojas, de maneira independente, o seu novo CD intitulado “Pedindo a Palavra”. Produzido pelo guitarrista e baixista Du Moreira, esse recém-lançado álbum é composto por dez faixas, nove delas resultantes de parcerias entre Alzira e o poeta paulistano ArrudA (o tema que completa o trabalho, “Beijos Longos”, é de autoria dela com Jerry Espíndola). Como cantora, Alzira não possui o alcance vocal da irmã famosa nem seus invejáveis agudos, mas dá conta direitinho do recado. No quesito compositora, mostra-se sensível e inspirada, em especial nos três melhores momentos do disco, as faixas “Quasares”, “Olhos de Chico Buarque” e “Se Parece com Você”. A sonoridade do trabalho é acústica, calcada em um formato bem enxuto de instrumentos, mas funciona perfeitamente e o resultado é bastante agradável.

 

· Uma novidade pra lá de especial! Amorosa, nossa grande cantora, está de volta aos palcos. A baixinha super talentosa de Itabaiana (que agora adotou o nome artístico de Antônia Amorosa – aliás, o seu de batismo) promete arrasar, emocionando a todos os que se fizerem presentes ao Teatro Tobias Barreto no próximo sábado (dia 26), a partir das 21 horas, com o novo show intitulado “Noviciado da Paixão”. Dona de voz poderosa e intérprete que se entrega de forma arrebatadora à música, Amorosa cantará melodias suas criadas sobre poesias de Hilda Hilst. Imperdível!

 

· O show de encerramento da turnê “Labiata”, realizado em outubro de 2010, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, foi devidamente gravado e deverá ser lançado, em CD e DVD, ainda este ano. Nele, o cantor Lenine recebeu vários convidados, a exemplo de Pedro Luís, Elba Ramalho e Maria Gadú.

 

· Quebrando um jejum de oito anos, a cantora baiana Daúde (radicada desde a adolescência no Rio de Janeiro) já se encontra em estúdio gravando as canções de seu novo CD, o qual deverá se intitular “Código de Referência”.

 

· Carlinhos Vergueiro resolveu homenagear o centenário do saudoso sambista paulista Adoniran Barbosa. E assim acaba de chegar às lojas, através da gravadora Biscoito Fino, o CD intitulado “Dá Licença de Contar”, no qual são reunidas doze pérolas de autoria do homenageado. A maior parte do repertório é formada por canções bastante conhecidas, a exemplo das antológicas “Tiro ao Álvaro”, “Samba do Arnesto” e “As Mariposa”. Produzido pelo próprio Carlinhos que canta sozinho oito faixas, o álbum mostra a inspiração inata de Adoniran, um artista que, através de suas letras, narrava com maestria crônicas do povo sofrido do subúrbio, mas sempre com pitadas de esperança e bom humor. Há as participações de Dora Vergueiro (que divide os vocais com o pai Carlinhos em “Torresmo à Milanesa”) e do grupo Galo Preto (que executa bela versão instrumental de “Trem das Onze”). Também surgem como convidados especiais Chico Buarque e Martinho da Vila, os quais cantam sozinhos “Bom Dia Tristeza” e “Saudosa Maloca”, respectivamente.  

 

· Visando a comemorar dez anos de carreira solo, a cantora Paula Lima estará lançando em breve sua primeira coletânea. Estarão presentes fonogramas pinçados de seus quatro discos, além da faixa “Ela É a Tal”, de Zeca Baleiro e Lúcia Santos, registrada especialmente para a trilha sonora da telenovela “Ribeirão do Tempo”, exibida atualmente pela Rede Record. 

 

· “A Caixa de Pandora” é o título do box lançado recentemente pela gravadora Sony Music que condensa quatro CD’s e um DVD de Zé Ramalho. Os discos são compilações da obra fonográfica do artista, mas há a inclusão de alguns registros até então inéditos, como cinco canções gravadas para o tributo que ele fez a Raul Seixas em 2001, mas que, na época, ficaram de fora por conta de questões referentes a direitos autorais. São elas: “A Hora do Trem Passar”, “Água Viva”,As Profecias”, “Cachorro Urubu” e “Gita”, todas parcerias de Raul com Paulo Coelho.

 

· Depois de dividir trabalhos com Eduardo Santhana, o cantor e compositor Juca Novaes chega a “Goa”, o seu primeiro CD solo, o qual chegou recentemente ao mercado através da gravadora Dabliú Discos. Produzido por Alexandre Fontanetti e composto por quatorze faixas autorais, várias delas criadas ao lado de parceiros tais como Rafael Altério, Tavito e Sérgio Santos, o álbum desce redondo e conta com as participações especiais de Lenine, Bruna Caram, Danilo Caymmi e Lucila Novaes. Entre os melhores momentos estão as canções “Meio Almodóvar”, “Samba das Índias”, “Verão” e “Quero Bem”.

 

· Tentando novo retorno, a banda RPM capitaneada por Paulo Ricardo encontra-se em estúdio paulista registrando as canções que farão parte de um novo CD a ser lançado este ano. Quem viver, ouvirá!

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor

Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br  

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