MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A    D E    C D    1

 

Cantor: ZÉU BRITTO

Título: “SALIVA-ME”

Gravadora: INDEPENDENTE

 

Tendo como madrinha a produtora Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, o compositor e cantor baiano Zéu Britto conseguiu emplacar músicas na trilha sonora de dois dos últimos filmes nacionais mais badalados: “Soraya Queimada”, de sua autoria (em “Meu Tio Matou um Cara”), e “A Dama de Ouro”, de Maciel Melo (em “Lisbela e o Prisioneiro”). Estas e mais outras dez canções fazem parte do primeiro CD do artista intitulado “Saliva-me”, uma produção independente que chega ao mercado através do selo Tudo de Bom!, e mostram o caráter bem-humorado de sua obra.

Zéu canta legal e isso fica claro em “Mirabel Molhado”, a faixa mais calminha do disco. Nas outras, Zéu esganiça-se em um som pesado, com guitarras distorcidas nos acompanhamentos, passeando por vários rocks e permitindo-se incursões pelo reggae (“Noite de Motel”) e pelo tango (“Azia”). As letras beiram o histrionismo e não tivessem passagens mais exageradas poderiam ser comparadas às do grupo Mamonas Assassinas (que terminou conquistando o público infantil).

Nesse trabalho de estréia, Zéu faz questão de esbravejar seu desejo incendiário (não bastasse a já citada “Soraya Queimada”, há ainda “Vou Queimar Seu Peito Com o Isqueiro”, de cunho sadomasoquista) e suas heresias sexuais (“Noite de Motel”, “Brega de Leila” e “Lençol de Casal”). Mas nada supera os dois melhores momentos do CD: a hilária “Hino de Louvor à Raspada”, cuja letra cita imagens menos pudicas da atriz Cláudia Ohana, e o permissivo forrock “Ousadia no Fundo do Mar”.

Áh! Um minuto e meio depois do término do disco, surge uma faixa “escondida”. É “Acabou” que, por incrível que possa parecer, fala do término de um relacionamento amoroso. Vamos ver no que vai dar…

 

 

R E S E N H A    D E    C D    2

 

Cantora: CÉU

Título: “CÉU”

Gravadora: TRATORE

 

Cultuada pela crítica especializada como uma das gratas revelações surgidas no meio musical brasileiro no ano passado, a cantora paulista Céu comprova a tese de que “sorte tem quem acredita nela”.

Não que a garota seja ruim. Sua voz pequena é graciosa, sua figura é bonita e suas letras contêm lampejos de criatividade. Mas a supervalorização que lhe vem sendo dada é, de fato, constatável para quem ouve o seu primeiro CD, um lançamento da pequena gravadora Tratore.

Produzido por Beto Vilares, o disco traz arranjos simples e eficientes. O problema maior é que a coisa parece não fluir ao longo das faixas, a maioria delas assinadas pela própria cantora com alguns de seus parceiros. As melodias soam insípidas e a interpretação excessivamente cool de Céu termina por contribuir em muito para essa sensação.

Há duas regravações: o reggae “Concrete Jungle” (de Bob Marley) e o samba “O Ronco da Cuíca” (de João Bosco e Aldir Blanc). A primeira, emoldurada por vocais, resultou melhor que a segunda, despida de sua força natural. Dentre as inéditas, os destaques ficam por conta de “Malemolência”, “Rainha”, “Mais um Lamento” e “Ave Cruz”. Quem sabe em um próximo trabalho…?

 

 

N O V I D A D E S

 

·               Som eletrônico de primeira é o que se encontra no CD de estréia de Bruno Morais, intitulado “Volume Zero”, o qual chega às lojas também através da Tratore. São dez faixas que transitam entre canções instrumentais e letradas, dentre as quais se destacam “O Canto da Alma Lavada” e “Passeando”. Para quem curte programações a rodo, trata-se de uma boa pedida!

 

·               Vendido como se tivesse sido gravado ao vivo (o que soa improvável devido à qualidade técnica demonstrada), o CD “Ninho de Cobras” resulta em um belo painel de sambas interpretados por artistas que entendem do riscado. Lançado pela multinacional Sony & BMG e contando com a assinatura do sempre competente José Milton na produção, o disco é tão bom que fica complicado explicitar destaques. Dentre canções já bastante conhecidas (como é o caso de “Casa de Bamba”, “Coração Leviano” e “Quantas Lágrimas”) e outras ainda nem tanto (a exemplo de “Artigo Esgotado”, “A Paixão e a Jura” e “Coração em Desalinho”), o disco reúne, entre outros, nomes como: Zeca Pagodinho, Emílio Santiago, Nana Caymmi, Jamelão, Dona Ivone Lara, Moacyr Luz e Mart’nália. Corra e ouça!

 

·               O quarto álbum da maranhense Rita Ribeiro, que já está sendo gravado atualmente no Rio de Janeiro, será mesmo o registro de seu show “Tecnomacumba”, no qual ela apresenta músicas de inspiração afro-brasileira emolduradas por arranjos mais dançantes e atuais. A cantora ainda não conseguiu que nenhuma gravadora se interessasse pelo projeto, mas continua negociando com selos para a distribuição do novo trabalho (que deverá chegar ao mercado em abril). O repertório já conta como certas as músicas “Babá Alapalá” (de Gilberto Gil), “Coisa da Antiga” (de Wilson Moreira e Nei Lopes), “Rainha do Mar” (de Dorival Caymmi), “Iansã” (de Caetano Veloso) e “Domingo 23” (de Jorge Ben Jor).

 

·               Já se encontra nas melhores lojas do ramo três discos do compositor e cantor cearense Ednardo originalmente lançados pela gravadora EMI na década de oitenta e que nunca foram reeditados no formato CD. São eles: “Terra da Luz” (1982), “Ednardo” (1983) e “Libertree” (1985).

 

·               O compositor Moisés Santana começa a ficar famoso agora, uma vez que Gal Costa incluiu em seu mais recente CD a canção “Os Dois”, de autoria do baiano, canção essa que fazia parte do repertório de seu excelente disco de estréia. Mas o fato é que o segundo trabalho (que chegou às lojas no final de 2005 e que era esperado com expectativa) soa apenas mediano. As músicas não trazem, na sua maioria, a qualidade vista em várias das presentes no disco anterior e, embora as canções tenham recebido o adicional de programações eletrônicas díspares, o som resultou chapado. O artista passeia sua verve criativa por vários ritmos (reggae, samba, rap, blues e bossa) e, dentre as quatorze faixas, existem quatro regravações. “Beira Mar” (de Ednardo) e “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?” (de Arnaldo Baptista, que se faz presente em participação especial) terminam se fazendo desnecessárias. Mais felizes foram os resultados das outras duas: “Chão da Praça” (de Moraes Moreira e Fausto Nilo) que ainda se mostra pulsante e “O Ouro e a Madeira” (de Ederaldo Gentil), esta um verdadeiro achado! A cantora Maria Alcina é convidada especial na anêmica faixa “Sessão Extra”. Dentre as músicas autorais, as duas que mais se destacam são “Dínamo” (de todas, a melhor) e “Na Teia”.

 

·               E por falar em Gal, a cantora baiana estreará no dia 30 deste mês, no Canecão (famosa casa de shows do Rio de Janeiro), o seu novo show, o qual será baseado no mais recente CD, o supervalorizado “Hoje”. Mas o repertório conta também com canções mais antigas já gravadas pela própria baiana em trabalhos anteriores, tais como “Juventude Transviada” (de Luiz Melodia) e “Antonico” (de Ismael Silva). A gravadora Trama planeja registrar o espetáculo e pôr no mercado o DVD correspondente até o final do ano.

 

·               Também está confirmada a gravação do MTV ao Vivo da cantora Fernanda Abreu! Será nos dias 30 e 31 deste mês no Teatro Carlos Gomes, na Cidade Maravilhosa, e será lançado, até o meio do ano, nos formatos de CD e DVD.

 

·               No início de sua carreira, Cássia Eller gravou algumas canções de autoria dos chamados compositores da vanguarda paulista, grupo formado por Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Hermelino Neder e Luiz Pinheiro. Estes dois últimos, em homenagem à cantora que nos deixou tão precocemente, estão lançando o CD “Cássia Secreta”, cujo repertório, com exceção da póstuma “Cássia Eller”, é praticamente composto por canções que ela própria cantou em diversos shows realizados, mas que nunca chegou de fato a gravar. Estão lá, por exemplo, a bela balada “Ponto X”, a divertida “Pô, Amar é Importante” (antigo sucesso de Arrigo e Tetê Espíndola), o rock “A Minha Melhor Amiga” (que Cássia queria gravar, mas o autor não quis liberar) e até a obra-prima “Cor de Cinza”, de Noel Rosa, reproduzida em arranjo pelo qual Cássia se apaixonou de prima. Há ainda releituras de músicas que ela chegou a incluir em seus dois primeiros discos. É o caso de “O Marginal”, “Não Sei o Que Eu Quero da Vida” e “Eles”. Bem interessante!

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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