MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A

Artistas: BLUBELL & BLACK TIE
CD: “BLUBELL & BLACK TIE”
Gravadora: BORANDÁ

Ela é uma cantora e compositora paulista ainda pouco conhecida do grande público, mas que vem ganhando fãs de peso como, por exemplo, a exigente e sempre discreta Marisa Monte. Seu nome artístico – pouco comum – é Blubell (o de batismo é Isabel Garcia) e ela já possui no currículo dois CDs (“Slow Motion Ballet”, de 2007, e “Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava”, de 2011).

O terceiro trabalho solo, lançado com pouco estardalhaço no final do ano passado através da gravadora Borandá, a traz ao lado e acompanhada pelo trio Black Tie, o qual, para quem não sabe, é formado por três dos maiores instrumentistas brasileiros da atualidade: Mario Manga (ao violão e violoncelo), Fábio Tagliaferri (na viola) e Swami Jr (no baixo e violão sete cordas). O instrumental de qualidade inquestionável é, pois, um chamariz à parte, e os arranjos, que são assinados pelos três músicos, apostam numa bem construída sonoridade camerística.

Trata-se, assim, de um álbum que merece ser recebido e ouvido com muito carinho e atenção. Nele, esboça-se de verdade uma intérprete bastante interessante que tem muito a mostrar e, certamente, será bem comentada em um futuro próximo. Com voz de timbre quase infantil mas belo ao extremo, Blubell entrega-se a cada uma das doze canções que compõem o repertório do disco com louvável desprendimento e rara inteligência.

E há de se frisar que a maioria delas foi recolhida entre standards estrangeiros, algumas de tessitura melódica complexa e várias com (quase) definitivos registros anteriores. Mas tudo cabe direitinho na voz da cantora, desde um hino de Edith Piaf (“La Vie em Rose”) até um clássico de Cole Porter (“Love For Sale”), passando por balada originalmente lançada por Michael Jackson (“Ben”) e por tema de autoria do beatle George Harrison (“Long Long Long”).

Apenas duas faixas são autorais: a bilíngue “Blue”, assinada pela própria Blubell, e “Here”, parceria de Tagliaferri com o saudoso Rodrigo Rodrigues. Os dois maiores destaques do set list apresentado, contudo, ficam por conta da música que abre e da que fecha o elegante CD, quais sejam, “Yokohama Girl” (de Ignácio Zatz e Louis Chilson) e “Luz Negra” (de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso), dois momentos realmente únicos. Vale, portanto, muito a pena conhecer esse bacanérrimo CD!

N O V I D A D E S

* Lançado originalmente em 1982, o primeiro disco da banda Barão Vermelho completou três décadas no ano passado. E para marcar essa data redonda, a gravadora Som Livre repôs em catálogo, no finalzinho de 2012, com outra mixagem e nova masterização e em embalagem caprichada, aquele trabalho histórico que, entre outros pontos marcantes, inaugurou a profícua e vitoriosa parceria entre Cazuza e Frejat. “Barão Vermelho”, o disco, foi lançado em plena efervescência musical que espalhava para os quatro cantos do Brasil a força do rock tupiniquim representado também por outros grupos como Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Titãs, RPM e Legião Urbana. Mas o Barão decerto tem um lugar bastante especial nisso tudo, não só pela qualidade das letras escritas por Cazuza para canções que, via de regra, se transformaram em sucesso, mas porque foi o mais consistente e explosivo de todos eles.

Assim, faz-se salutar e apropriado esse relançamento, ainda mais por se ter encontrado perdida uma música gravada para fazer parte do repertório inaugural, mas que foi preterida pelo produtor Ezequiel Neves à época por se tratar de uma balada (a ideia era vender os rapazes como verdadeiros representantes do rock). Trata-se da bonita “Sorte e Azar”, a qual teve sua base regravada recentemente em estúdio com a adição de cordas e entrou imediatamente para a trilha da telenovela global “Salve Jorge”. Há ainda, como bônus, uma versão primeira do reggae “Nós”, canção que só iria entrar no repertório oficial da banda através do terceiro CD (“Maior Abandonado”, de 1984). Entre os momentos impagáveis conduzidos pela voz rascante e inesquecível de Cazuza podem-se encontrar “Down em Mim”, “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, “Bilhetinho Azul”, “Posando de Star”, “Ponto Fraco” e “Por Aí” (esta em duas versões).

* Enquanto se prepara para entrar em estúdio a fim de gravar um terceiro CD ao lado de Ângela Maria, Cauby Peixoto põe nas lojas “Minha Serenata” através da gravadora Lua Music. Trata-se de um álbum composto por uma dúzia de faixas que foi gravado quando de apresentações do cantor, em maio passado, no Teatro Fecap em São Paulo. Acompanhado por um quarteto de ótimos músicos sob a direção musical do competente violonista Ronaldo Rayol e tendo a produção a cargo de Thiago Marques Luiz, Cauby, do alto de mais de oito décadas de vida, empresta sua voz grave e ainda em forma (embora em tons mais suaves) para clássicos do nosso cancioneiro. Os melhores momentos ficam por conta das regravações de “A Flor e o Cais” (de Wagner Tiso e Geraldo Carneiro), “Súplica” (de Déo, José Marcílio e Otávio Mendes), “Por Quem Sonha Ana Maria” (de Juca Chaves) e “Velho Realejo” (de Custódio Mesquita e Sady Cabral).

* Embora já fora do ar há algum tempo, o sucesso obtido pela telenovela global “Cheias de Charme” ainda rende, tanto que acaba de ser lançado através da gravadora Som Livre um DVD contendo dezessete clipes musicais exibidos ao longo de seus capítulos. Da seleção constam os sucessos do fictício trio Empreguetes, a exemplo de “Marias Brasileiras”, “Vida de Empreguete” e “Forró das Curicas”, além de números de shows feitos pelas personagens Chayene e Fabian, tais como “Impossível Acreditar que Perdi Você”, “Chora, Me Liga” e “Se Você me Der”.

* A banda carioca Biquíni Cavadão já tem pronto um novo CD do qual fazem parte, em participações especiais, Rogério Flausino (do Jota Quest) e Lucas Silveira (da Fresno) nas faixas “Acordar pra Sempre com Você” e “Agora É Moda”, respectivamente.

* O cantor e compositor baiano (que mora no Rio de Janeiro) Emerson Leal fez chegar recentemente ao mercado o seu primeiro e homônimo CD através do qual apresenta parcerias suas com os compositores Tom Zé (“Círculo”) e Luiz Tatit (“Coisa Perene”, um dos destaques do repertório de dez faixas). Produzido pelo próprio artista que se mostra multifacetado na ficha técnica, trata-se de um trabalho quase que inteiramente autoral (a exceção é “Blues da Vampira”, de Eduardo Pinheiro) e que entrega ao público um compositor inspirado e um cantor com timbre afinado, grave, bonito e seguro. Além da participação especial do já citado Tatit (em “Das Flores e das Dores”, outra parceria entre os dois), surgem ainda, como convidadas, as cantoras Verônica Ferriani (em “Me Love Me”) e Ariella (em “No Japão”). Outros bons momentos ficam por conta de “(Que É Que te Deu) de Repente”, “Mais da Cama que da Fama” e “Silêncios”. De fato, um lançamento bem interessante!

* E por falar na excelente cantora Verônica Ferriani, ela estreará como compositora no seu próximo CD, o qual já se encontra em fase de pré-produção. Nas lojas ainda este ano.

* Talvez por ainda não ter conseguido alcançar a visibilidade desejada, o cantor, compositor e produtor carioca Leandro Sapucahy idealizou um projeto paralelo para sua carreira com o qual vem percorrendo o Brasil acompanhado de uma espécie de big band, a Sapucapeta (cujo destaque é o vigoroso naipe de metais). Trata-se de “Baile do Sapuca”, show cujo repertório é feito especialmente para tirar a galera do chão e que reúne, em números solos ou em medleys, canções que caíram nas graças do grande público. Assim, estão no CD (também disponível em DVD) que chegou às lojas recentemente através da gravadora Sony Music (e que foi registrado ao vivo durante apresentação realizada pelo artista, em junho do ano passado, na Marina da Glória – RJ) temas conhecidíssimos como “Me Deixa” (hit propagado pela banda O Rappa) e “Não Deixe o Samba Morrer” (um dos carros-chefe da sambista Alcione), entre vários outros. Mas o alicerce é mesmo o cancioneiro de feras do balanço nacional, como Tim Maia (“Gostava Tanto de Você”, “O Descobridor dos Sete Mares”), Zeca Pagodinho (“Deixa a Vida me Levar”, “Coração em Desalinho”), Bezerra da Silva (“Malandragem Dá um Tempo”, “A Semente”), Lulu Santos (“Tempos Modernos”, “Um Certo Alguém”) e Seu Jorge (“Burguesinha”, “Mina do Condomínio”). Para animar ainda mais a festa, há as participações especiais de Fernanda Abreu, Naldo, Emicida, Marcelo D2 e Preta Gil.

* Para comemorar os vinte anos da carreira solo de Arnaldo Antunes, será disponibilizada este ano uma caixa contendo os discos gravados por ele de 1993 para cá.

* A cantora e compositora carioca Lili Araujo está lançando seu segundo CD através da gravadora Delira Música. Trata-se de “Casa Aberta”, produzido por ela ao lado do violonista Daniel Santiago e que traz, no encarte, texto de apresentação escrito por Joyce. Lili é intérprete correta que traz no seu canto fortes influências de Fátima Guedes e Rosa Passos. Como compositora (ela assina seis das onze faixas, algumas ao lado de parceiros) ainda se faz necessário amoldar-se ao formato mais tradicional da canção se quiser realmente fazer com que sua obra chegue a uma fatia maior de público. Com uma sonoridade que tende para o jazz, o recém-lançado álbum alcança os seus melhores momentos com as faixas “Não Tem Perdão” (de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) e “Não Tem Nada Não” (de Marcos Valle, Eumir Deodato e João Donato, faixa que conta com a participação deste ao piano).

* Kleiton & Kledir lançam o registro ao vivo do espetáculo infantil “Par ou Ímpar”, realizado com a participação do Grupo Tholl. Gravado em maio do ano passado durante apresentação feita no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre (RS), o álbum tem o mesmo repertório que o disco anterior gravado em estúdio, mas conta com a adição da faixa “Maria Fumaça”, cuja letra foi devidamente adaptada para o projeto. Entre os destaques estão as canções “O Mágico Estrambólico”, “Bicho Gente”, “Pé de Pilão”, “Lindinha” e “Trova do Guri e da Guria”, esta trazendo a atriz e comediante global Fabiana Karla como convidada.

RUBENS LISBOA é compositor e cantor
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