Musiqualidade

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R E S E N H A

Cantor: TONI FERREIRA
CD: “TONI FERREIRA”
Gravadora: UNIVERSAL

É deveras alvissareiro constatar que, nos dias de hoje, quando se tenta maquiar a qualidade de um trabalho sob a alegação de um conceito qualquer ou se utilizam de novas tecnologias para, sob o falso argumento de se parecer moderninho, degringolar a arquitetura das canções, ainda surgem artistas com real talento para fazer brotar a sempre bem-vinda beleza musical. Ainda mais quando se trata de alguém do sexo masculino e que também canta muito bem, neste país onde as mulheres de fato possuem a linha de frente quando se trata de soltar a voz.
Está-se a falar do paulistano Toni Ferreira, um jovem cantor e compositor de 27 anos que acaba de lançar, através da gravadora Universal, o seu primeiro CD. Durante algum tempo, ele cantou em barezinhos e foi lá que ganhou a cancha necessária para enfrentar os palcos. Desde a adolescência a música ganhou espaço em sua vida, uma vez que acompanhava o pai em shows (pois este tinha duas bandas, uma delas cover do Kiss), seu mestre nos acordes iniciais do violão.
O primeiro registro fonográfico de Toni efetivamente se deu no CD/DVD “Sarau – Novos Talentos da MPB”, um projeto coletivo que reuniu artistas da nova geração e, daí para o trabalho recém-lançado, foi um pulo.
Trazendo apenas o nome do artista na capa, o álbum de estreia foi produzido a quatro mãos por Pélico e Jesus Sanchez e é composto por treze faixas. Esperto, Toni gravou apenas cinco temas de sua autoria (dois deles criados solitariamente), possibilitando, assim, que o seu lado de intérprete aflorasse com maior intensidade. Dono de um timbre de voz peculiar que reúne elegância e simplicidade em doses iguais, a mesma possui ainda uma extensão considerável. Em alguns momentos, soa meio rouca como que lembrando Cazuza, mas em geral é muito mais doce que a do poeta exagerado.
O repertório alberga três regravações e nelas Toni consegue imprimir sua própria marca, seja no hit “Menino Deus” (de Caetano Veloso), seja na pouco conhecida “Amor Pra Que Nasceu” (de Martinho da Vila), seja na mais popular “Marca de Espinho” (de Mito e Carlos Barbosa, gravada originalmente por Agepê). No que tange à seara autoral, os melhores momentos ficam por conta da contundente “Reflexo de Nós” e da gostosa “Manjubá”. Completam o set list canções de colegas contemporâneos, delas merecendo destaque a linda “Saber de uma Alma” (de João Guarizo) e a inspirada “Te Falo Amanhã” (inédita de Maria Gadú).
Emoldurado por uma sonoridade que alterna momentos de suavidade com outros que trazem uma pegada crescente, o CD se apresenta como uma ótima carta de intenções de Toni Ferreira, um nome que certamente será muito comentado doravante.

N O V I D A D E S

* Supervalorizada pela maioria dos críticos nacionais, a baiana Rosa Passos vem consolidando uma carreira internacional, ainda que sua arte seja, no Brasil, pouco conhecida pelo grande público. Cantora e compositora, ela estudou piano e violão, tendo estreado profissionalmente na década de setenta do século passado quando participou de festivais de música. O primeiro disco saiu em 1979 com parcerias suas com Fernando de Oliveira, mas em seguida, especialmente a partir de 1997, foi escasseando cada vez mais sua produção autoral bem como a gravação de temas inéditos, vez que ela passou a optar por revisitas a canções consagradas com incursões mais diretas nas obras de mestres da nossa MPB como Ary Barroso, Tom Jobim e Dorival Caymmi. Dona de voz pequena e cada vez mais anasalada (mas não se podendo negar que seu timbre suave soa exoticamente interessante, além do fato de que é muito boa nas divisões), Rosa acaba de fazer chegar às lojas, através da gravadora Universal, o CD intitulado “Samba Dobrado”, o qual é voltado ao cancioneiro de Djavan (ele que também já havia sido reverenciado pela artista juntamente com Gilberto Gil e João Bosco no álbum “Azul”, lançado em 2002). A produção do álbum ficou sob o encargo do violonista Lula Galvão, responsável também pelos arranjos bem equilibrados (com espaço para solos dos instrumentistas), bolados com pitadas jazzy e apropriados às possibilidades vocais da artista. Composto por doze faixas djavaneanas, o disco traz ainda uma décima terceira, a única canção inédita: trata-se de “Doce Menestrel”, de Rosa e Fernando, celebração explícita ao homenageado. Alguns dos melhores momentos do repertório selecionado ficam por conta de “Faltando um Pedaço”, “Cigano”, “Serrado” e “Pétala” (esta em belo formato voz e violão).

* E com o sucesso obtido pelos EPs de Roberto Carlos e Paula Fernandes, a cantora e compositora Marina Lima estuda a possibilidade de lançar o seu até o final do ano, o qual conterá quatro canções inéditas de sua autoria, entre elas o rock “Partiu”, o qual já vem mostrando em suas mais recentes apresentações.

* A Rede Globo estará exibindo no dia 26 (sexta-feira próxima) o programa "Som Brasil" dedicado às Rainhas do Rádio. Estarão presentes Fafá de Belém, Adelaide Chiozzo, Thais Bonizzi, Liz Rosa, Simone Mazzer e Mariana Belém. Elas homenagearão Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha Borba e Angela Maria.

* O registro da quinta edição de “Um Barzinho, um Violão”, uma parceria entre o selo ZecaPagodiscos e a gravadora Universal, será composto por dois volumes, o primeiro deles chegando ao mercado ainda este ano, e terá como mote temas de novelas exibidas nos anos oitenta. Idealizado pelo produtor Max Pierre, o projeto foi gravado ao vivo recentemente durante duas noites e reuniu diversos artistas, entre os quais Chitãozinho & Xororó, Ellen Oléria, Fernanda Abreu, Guilherme Arantes, Ivete Sangalo, Jorge Vercillo, Mariene de Castro, Michel Teló, Paula Fernandes e Vander Lee.

* Filha do baixista Yuri Popoff  e sobrinha do compositor e violonista Toninho Horta, a cantora e pianista mineira Diana Horta Popoff lançou recentemente, através do selo Delira Música, o seu primeiro CD intitulado “Algum Lugar”, o qual foi efetivamente gravado no ano passado. Com a produção a cargo do tecladista Márcio Lomiranda, o álbum traz, na sua ficha técnica, grandes músicos da atualidade (além dos três anteriormente citados) como, por exemplo, Leonardo Amuedo na guitarra, Marcelo Martins no sax e Gabriel Geszt no acordeão. No texto de apresentação constante do encarte, Ivan Lins ressalta a voz delicada, pequena e adorável da artista. Dez das onze faixas do disco são assinadas pela própria Diana, a maioria ao lado de parceiros como Márcio Borges, Fernando Brant e Alfredo Del Penho. A exceção é a instrumental “Caminhos de Diana” de autoria de Bianca Gismonti. E se é verdade que não se trata de canções fáceis de serem assimiladas, também o é que os destaques ficam por conta de “Toda Menina”, “Voz e Violão” e “Na Roda”.

* Rodrigo Santos, baixista do grupo Barão Vermelho, anuncia parceria com Andy Summers, guitarrista do desativado trio The Police. A canção se intitula “Me Dê Mais um Dia” e faz parte do repertório do quinto CD solo de Rodrigo (“Motel Maravilha”) que também conta com parcerias dele com Nilo Romero, Guto Goffi, George Israel e Mauro Sta. Cecília, entre outros, e chegará às lojas no começo do próximo mês.

* Retornando com força total à carreira – graças a Deus! – após um considerável hiato causado por problemas de saúde, Zizi Possi estará lançando em breve, através da gravadora Eldorado, o seu projeto “Tudo se Transformou” (que será disponibilizado nas versões CD e DVD), gravado ao vivo durante shows realizados na casa Tom Jazz, em São Paulo, em agosto do ano passado. E o melhor:ela já anuncia que ainda este ano deverá entrar em estúdio para gravar um novo CD que trará várias canções inéditas.

* O falecimento de Pery Ribeiro em 2012 deixou inconcluso o CD duplo que ele gravava à época. Era uma homenagem que prestaria ao também saudoso Wilson Simonal, um projeto recheado de convidados especiais. Idealizado pelo produtor João Santana, o álbum “Pery Ribeiro abraça Wilson Simonal — Duetos com Amigos” foi, enfim, concluído há pouco tempo e estará sendo lançado, através da gravadora Atração, no começo do próximo mês. Graças à tecnologia, Pery e Simonal tiveram suas vozes unidas na faixa “Velho Arvoredo”, mas a cereja do bolo fica mesmo por conta das participações de Agnaldo Timóteo, Alcione, Ângela Maria, Caetano Veloso, Elza Soares, Fagner, Wanderléa, Wilson Simoninha e Zélia Duncan.

* A gravadora Universal está pondo nas lojas em agosto o box “A Bênção, Vinicius – A Arca do Poeta”. Composto por vinte CDs, o projeto contempla o melhor da obra musical do Poetinha e chega ao mercado a tempo de comemorar o centenário de seu nascimento. Indispensável para os fãs de carteirinha e aconselhável para os antenados das gerações mais recentes que desejam conhecer música de qualidade!

RUBENS LISBOA é compositor e cantor.
Apresenta o quadro "Musiqualidade" dentro do programa "Canta Brasil”, veiculado pela Aperipê FM todas as sextas-feiras, às 10 horas.
Quaisquer críticas e/ou sugestões a este blog serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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