Musiqualidade

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R E S E N H A

Cantor: EMICIDA
CD: “O GLORIOSO RETORNO DE QUEM NUNCA ESTEVE AQUI”
Selo: LABORATÓRIO FANTASMA

O rapper paulista Leandro Roque de Oliveira tornou-se conhecido no meio artístico como Emicida. Considerado uma das maiores revelações do hip hop do Brasil nos últimos anos, ele se notabilizou especialmente pela capacidade inata de improvisação. Seu primeiro videoclipe com o single “Triunfo”, quando disponibilizado em 2008 no You Tube, obteve mais de dois milhões de visualizações. Embora a carreira tenha se iniciado, de fato, no começo da década de noventa do século passado, foi somente em 2009 que ele efetivamente lançou seu trabalho de estreia, uma mixtape contendo vinte e cinco faixas intitulada “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe…”. No ano seguinte, veio seu segundo trabalho, daquela feita em formato de EP com o título “Sua Mina Ouve Meu Rap Também”. “Emicídio”, a segunda e aclamada mixtape, saiu logo depois e, em 2011, fez-se disponibilizado um outro EP: “Doozicabraba e a Revolução Silenciosa”.
O fato é que Emicida, devagarzinho, vem colhendo os louros de seu talento, tendo participado de produções da Rede Globo, integrado o time do programa “Manos e Minas” da TV Cultura e se apresentado em eventos com grande público, a exemplo da Virada Cultural de São Paulo e dos concorridos festivais Coquetel Molotov, Rock in Rio e SWU.
Acaba de chegar às lojas, através do selo Laboratório Fantasma, o primeiro CD solo gravado em estúdio pelo artista (em julho deste ano, já havia sido posto no mercado, via gravadora Universal, em CD e DVD, o registro ao vivo de show por ele dividido com  Criolo, o qual se realizou em setembro do ano passado no Espaço das Américas, em São Paulo). Trata-se de “O Glorioso Retorno de quem Nunca Esteve Aqui” que tem a produção de Felipe Vassão e a colaboração dos americanos K-Salaam & Beatnik. Essencialmente inédito e autoral, o repertório do disco é formato por quatorze faixas, as quais trazem um vasto e eclético time de convidados especiais, alguns deles, inclusive, recrutados fora do universo hip hop.
Assim, enquanto o belo e contundente poema “Milionário do Sonho” une todo o álbum nas vozes de Emicida e de sua autora, a também atriz Elisa Lucinda, há pelo caminho, até que se chegue à derradeira “Ubuntu Fristaili”, bastante espaço tanto para que as vozes de Fabiana Cozza e Juçara Marçal joguem luzes em “Samba do Fim do Mundo”, como para que a participação do Quinteto em Branco e Preto abrilhante “Hino Vira Lata”. Na verdade, os convidados praticamente surgem nos refrões das músicas, dando uma quebrada nas letras quase sempre extensas, porém muito bem elaboradas. É o que ocorre com Wilson das Neves em “Trepadeira” e com Pitty em “Hoje Cedo”, música com versos de tom agressivo, cujos trechos parecem remeter à ascensão do próprio Emicida no cenário nacional. É por aí que também aparecem Adriana Drê em “Bang!” e Rafa Kabelo em “Alma Gêmea”. Já Rael e Mc Guimê, parceiros de estrada de Emicida, são os convidados de “Levanta e Anda” e “Gueto”, respectivamente. E se em “Sol de Giz de Cera” o rapper se derrama em doçura para a filha Estela, presente na faixa ao lado da cantora Tulipa Ruiz, em “Crisântemo”, a letra autobiográfica relata, na voz de sua mãe, Dona Jacira, como foi a chegada da notícia da morte do pai.
Em alta rotação diária na telenovela global “Sangue Bom” por ser tema de uma das personagens principais da trama (o Fabinho, defendido por Humberto Carrão), a canção “Zóião” mostra que Emicida sabe se virar também em outros estilos. Além do preponderante rap, o ótimo recém-lançado CD traz samba e muita batucada como coadjuvantes sonoros, abrindo, assim, possibilidades para futuros novos caminhos. Quem tiver bons ouvidos para escutar, que o faça!

N O V I D A D E S

* Vocalista da Engenheiros do Hawaii (banda que lançou o primeiro disco em 1986, durante o boom do rock nacional), o cantor, compositor e multi-instrumentista gaúcho Humberto Gessinger está pondo nas lojas o seu segundo CD solo intitulado “Insular” (o primeiro, “Dançando em Campo Minado”, chegou ao mercado há já dez anos). Trata-se de uma produção independente, composta por uma dúzia de canções inéditas e autorais, algumas delas criadas ao lado de colaboradores. Curiosamente, a melhor faixa e a menos inspirada resultam de parcerias com o conterrâneo Bebeto Alves (“Essas Vidas da Gente” e “A Ponte para o Dia”, respectivamente), o qual, aliás, participa desta última. Entre músicas que remetem às tradições do Rio Grande do Sul (“Milonga do Xeque Mate” e “Recarga”, esta trazendo Luis Carlos Borges, como convidado, no vocais), Gessinger abre espaço para dois temas que surgem praticamente como vinhetas (a faixa-título e “Terei Vivido”). Há ainda as participações especiais de Rodrigo Tavares e Nico Nicolaiewsky (em “Tchau Radar, a Canção” e “Segura a Onda, DG”). Alguns dos melhores momentos ficam por conta de “Tudo Está Parado” (parceria com Rogério Flausino, música lançada pelo grupo mineiro Jota Quest em 2012 no CD e DVD “Folia & Caos”), “Sua Graça” e “Bora”.

* Para comemorar em grande estilo o centenário de nascimento de Vinicius de Moraes, o produtor José Milton arregimentou um seleto time de artistas que estarão dando vida a novas versões de clássicos do Poetinha no CD “A Vida Tem Sempre Razão”, o qual chegará às lojas em outubro próximo através da gravadora Sony Music. Vão estar presentes, entre outros, Nana Caymmi (em “Janelas Abertas”), Ana Carolina (em “Eu Sei que Vou te Amar”), Chico Buarque (em “Amor em Paz”), Edu Lobo (em “Canto Triste), Arlindo Cruz (no medley que reúne “Formosa” e “Pra Que Chorar?”) e Zeca Pagodinho (em “Chega de Saudade”).

* O novo CD de Ná Ozzetti se intitula “Embalar” e está chegando este mês às lojas. Recheado de canções inéditas, o repertório do álbum apresenta parcerias da cantora com Alice Ruiz, Joãozinho Gomes, Luiz Tatit e Tulipa Ruiz. Há a participação especial de Mônica Salmaso em “Minha Voz” (de Déa Trancoso).

* A trilha sonora de "Pecado Mortal", telenovela que estreia da Rede Record no dia 25 deste mês, já tem garantidas as faixas "Dois pra Lá, Dois pra Cá" e "Charme do Mundo" em seus registros originais feitos por Elis Regina e Marina Lima, respectivamente.

* E por falar em trilha de novela nova, “Joia Rara”, a das dezoito horas da Rede Globo que estreia hoje, traz, além da homônima canção-título criada especialmente por Gilberto Gil e por ele interpretada, fonogramas gravados, entre outros, por Milton Nascimento (“Nascente”), Thiaguinho (“As Aparências Enganam”), Lucas Lucco (“Pra Te Fazer Lembrar”), Luan Santana (“Garotas Não Merecem Chorar”) e a banda O Rappa (“Anjos”).

* A cantora carioca Silvia Machete já se encontra em estúdio gravando as canções que farão parte de “Souvenir”, o seu próximo CD que deverá chegar às lojas ainda este ano. Entre algumas poucas regravações (caso de “Tango da Bronquite”, de Ângela Ro Ro), predominarão no repertório temas inéditos.

* A gravadora Som Livre lançou recentemente o CD instrumental “Mata Atlântica” através do qual o pianista, compositor, arranjador e produtor musical carioca Alberto Rosenblit, sob a produção do trombonista e maestro Vittor Santos, mostra a influência que Tom Jobim exerce sobre sua obra.

* O cantor e compositor Moska está comemorando vinte anos de carreira solo e, para marcar essa data redonda, está pondo nas lojas o projeto “Ao Vivo – Muito Pouco Para Todos”, nos formatos CD e DVD. Trata-se de registro de show realizado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em maio do ano passado. Há a participação especial do cantor e compositor norte-americano Kevin Johansen e a inclusão de uma canção inédita (“Somente Nela”, parceria de Moska com Carlos Rennó).

* Em agosto de 2004, foi realizado, na casa Tom Brasil, em São Paulo, um show que reuniu Moacyr Luz, Martinho da Vila, Aldir Blanc, Monarco e Tia Surica. Devidamente registrado, esse encontro só agora está sendo lançado pela gravadora Dabliú Discos e resultou no CD intitulado “Pirajá – Esquina Carioca – A Cozinha do Samba”, o qual traz como curiosidade a presença de um virtuoso coro formado pelas cantoras Verônica Ferriani, Carmen Queiroz e Ione Papas.

* Esta semana os parabéns vão para a cantora e compositora Marina Lima e para o pianista e produtor César Camargo Mariano, pois estarão a comemorar mais um ano de suas existências nos próximos dias 17 e 19. Marina é nome de ponta da nossa música pop e autora de vários sucessos que embalaram gerações, a exemplo de “Fullgás”, “Charme do Mundo” e “Uma Noite e Meia”. Já Mariano acompanhou Elis Regina, então sua esposa, na época áurea da carreira da Pimentinha, tendo com ela concretizado projetos musicais memoráveis como “Falso Brilhante”, “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”.

RUBENS LISBOA é compositor e cantor.
Apresenta o quadro "Musiqualidade" dentro do programa "Canta Brasil”, veiculado pela Aperipê FM todas as sextas-feiras, às 10 horas.
Quaisquer críticas e/ou sugestões a este blog serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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