Musiqualidade

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R E S E N H A

Cantores: VÁRIOS
CD: “SAMBABOOK ZECA PAGODINHO”
Gravadora: UNIVERSAL

O cantor e compositor Zeca Pagodinho é, hoje, praticamente uma unanimidade nacional. Admirado pelos seus colegas, pela crítica e pelo público em geral, ele realmente é uma referência tanto quando se trata do lado artista (um dos nossos maiores sambistas, dotado de carisma e talento em doses que se completam) como quando se resvala para o lado humano (é conhecida a maneira solidária que adota com os menos afortunados pela vida). Descoberto em 1981 por Beth Carvalho, a quem chama de madrinha até hoje, em uma roda de samba do bloco Cacique de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro, ele lançou o seu primeiro disco solo cinco anos depois e dali em diante, como se diz popularmente, foi só correr para o abraço, emplacando diversos sucessos e ganhando vários discos de ouro e platina.
O projeto Sambabook, encampado pela Petrobrás, tem como objetivo registrar, em CD duplo, DVD e blu-ray, a obra autoral de grandes autores de samba nas vozes dos mais variados intérpretes. Assim, após pôr no mercado os projetos relativos a João Nogueira e Martinho da Vila, acaba de chegar às lojas, através da gravadora Universal, o referente a Zeca Pagodinho.
E se é verdade que muitos dos sucessos que ele aglutinou durante sua vitoriosa trajetória são de autoria de outros sambistas, também é fato que ele sempre se mostrou um criador inspirado. Vinte e cinco de suas composições (feitas ao lado de parceiros como Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Sombrinha, Acyr Marques, Almir Guineto, Ratinho, Mauro Diniz, Dudu Nobre, Beto Sem Braço, Wilson Moreira e Monarco) estão presentes no “Sambabook Zeca Pagodinho” (além de um pot-pourri instrumental a cargo de Rildo Hora com a Orquestra Furiosa), resultando em uma interessante amostra da obra autoral do artista.
É claro que nomes como os já citados Beth, Sombrinha, Arlindo, Almir, Jorge, Dudu e Monarco, todos integrantes da história musical de Zeca, não poderiam estar de fora dessa grande festa-homenagem (os mesmos marcam presença com “Lama nas Ruas”, “Menor Abandonado”, “Se Eu For Falar de Tristeza”, “Em Nome da Alegria”, “Termina Aqui”, “SPC” e “Falsa Alegria”, respectivamente). Mas há também sambistas que vêm se destacando mais recentemente, caso de Mariene de Castro (em “Lua do Ogum”), Nilze Carvalho (em “Já Mandei Botar Dendê”), Gabrielzinho do Irajá (em “São José de Madureira”), Mumuzinho (em “Vou Botar Teu Nome na Macumba”), Péricles (em “Talarico, Ladrão de Mulher”) e Diogo Nogueira (em “Lente de Contato”).
Com a direção musical sob a responsabilidade de Paulão 7 Cordas, o projeto conta ainda com adesões de medalhões do primeiro escalão do nosso cancioneiro, a exemplo de Gilberto Gil (em “Não Sou Mais Disso”), Lenine (em “Dor de Amor”), Djavan (em “Judia de Mim”), Alcione (em “Ter Compaixão”) e Martinho da Vila (em “Faixa Amarela”), e de cantoras que vêm flertando escancaradamente com o samba (caso de Roberta Sá e Maria Rita, as quais emprestam suas belas vozes para as releituras de “Mutirão de Amor” e “Alto Lá”). Há, por fim, nomes ligados ao rap, mas que se mostram inteiramente à vontade no terreno do samba: Marcelo D2 em “Quem É Ela?” e Emicida em “Bagaço da Laranja”.
Em um projeto que envolve tantos convidados, é comum que alguns sobressaiam por conta de vários fatores que vão desde um maior entrosamento com a música que lhes foi destinada até o estado vocal em que se encontravam no dia da gravação. No entanto, aqui não se nota qualquer discrepância que mereça ser ressaltada: todos os artistas resultam bem e, se há algo a destacar, é a surpresa ao se deparar com Jorge Ben Jor que, longe de sua praia autoral, mergulha sem medo em um samba de raiz como “Depois do Temporal”, o mesmo acontecendo com Frejat que, fora de sua zona de conforto (o pop rock), cai com graça no molejo pagodeiro de “Brincadeira Tem Hora”. Fechando os trabalhos, Zeca dá voz a “Camarão que Dorme a Onda Leva”.
Para quem não é ruim da cabeça nem doente do pé, trata-se de um lançamento bastante apropriado. E salve Zeca Pagodinho!

N O V I D A D E S

* Quando lançou, no ano passado, o seu primeiro e ótimo CD intitulado “Por Que Nós?”, o paulista (de São Luiz do Paraitinga) Camilo Frade tinha apenas quinze anos. Bom cantor, dono de voz de timbre agradável e bem colocada, ele soube selecionar um repertório muito bacana para compor as dez faixas do trabalho independente que marcou sua estreia no mercado fonográfico. Produzido por MAU, o álbum merece ser conhecido pela inquestionável qualidade: arranjos elaborados com esmero, trabalho gráfico caprichado e músicas que ganham o ouvinte logo de cara. É o caso de “Vagalume” (insuspeita parceria de Karina Buhr e Teresa Cristina), a faixa de abertura, bem como da canção-título (de Luiz Tatit e Marcelo Jeneci) que surge logo em seguida, e de “Baião de Quatro Toques” (outra de Tati, desta feita em parceira com José Miguel Wisnik), que fecha com chave-de-ouro o disco, três dos melhores momentos apresentados. Eclético na escolha dos compositores que decidiu gravar, Camilo vai de Carlos Rennó com Lula Queiroga (o delicioso reggae “Nara, Nara, Nara…”) a Itamar Assumpção com Alice Ruiz (“Tudo ou Nada”), não se esquecendo do tio Galvão Frade (a delicada “Só Você e Eu” em que se faz acompanhado tão somente por piano e violoncelo). Também compositor inspirado, Camilo assina solitariamente duas faixas: “O Mesmo que Canta” e “Embriaga Eu”, ambas denotando um jovem amadurecido para a pouca idade (a segunda – frise-se – se transforma no ponto mais alto do set list). Completam o CD as músicas “Pura Esquisitice” (de Teteco dos Anjos e Marco Rio Branco) e “Primavera” (de Tiago Saraiva). Super aconselhável para os que buscam novidades musicais de real valor!

* Caberá a Marcus Preto produzir o novo CD que Gal Costa tenciona lançar ainda este ano. O repertório ainda não está fechado, mas já tem garantidas inéditas de Adriana Calcanhotto e Milton Nascimento (em parceria com o rapper Criolo).

* A cantora e compositora carioca Julia Bosco (filha do grande João Bosco) está lançando, somente em edição digital, o single “Acredite no Amor”, música de autoria do capixaba Juliano Rabujah.

* Vencedor da segunda temporada do “The Voice Brasil”, levado ao ar no ano passado pela Rede Globo, o cantor cearense Sam Alves viu recentemente lançado, através da gravadora Universal, o seu primeiro e homônimo CD, o qual foi dirigido por Torcuato Mariano (na verdade, ele já havia lançado anteriormente, de forma independente, um álbum de música religiosa sem grande repercussão). Inegavelmente possuidor de ótima voz (e corretíssima postura de palco conforme se viu durante as apresentações ao vivo), Sam precisa se conscientizar de que agora está no Brasil (ele residiu durante anos nos Estados Unidos) e que, aqui, nunca houve caso de artista consolidar uma trajetória cantando em inglês (projetos especiais pontuais e casos esporádicos de estouros com uma ou no máximo duas músicas não devem ser levados em conta). E isso se faz colocado porque das onze músicas que compõem o repertório do recém-lançado disco, apenas três são cantadas em português (mesmo assim, uma se trata de versão e outra, embora contenha, nos créditos, o nome de Carlinhos Brown, foi basicamente formatada por parceiros estrangeiros do eclético artista baiano). Somente “Pais e Filhos” (regravação de batido tema propagado pela lendária banda Legião Urbana) nasceu efetivamente em solo tupiniquim. Realmente uma pena esse tipo de escolha, resultando no direcionamento equivocado de uma carreira que teria tudo para dar certo. Tal constatação, no entanto, não exclui o fato de haver bons momentos e estes se consubstanciam com as faixas “Counting Stars”, “You Are Loved” e “A Thousand Years” (esta contando com a participação especial da colega Marcela Bueno). Sam se mostra também compositor ao assinar a boa inédita “Be With Me”.

* Thiago Pethit já seleciona o repertório de seu próximo CD, o terceiro da carreira, o qual será produzido por Kassin. Quem viver, ouvirá!

* Em breve, estará chegando às lojas o CD contendo a trilha sonora original da telenovela global “Geração Brasil”. Entre os fonogramas selecionados, estão: “Caraca Muleke!” (com Thiaguinho), “Sete Vidas” (com Pitty), “Vê se me Esquece” (com Zélia Duncan), “Me Dê Motivo” (com Adriana Calcanhotto), “Não Consigo” (com Ney Matogrosso), “Fliperama” (com Tom Zé), “Está Tão Quieto” (com Elza Soares), “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme” (com Isabella Taviani) e “O Mistério do Fundo do Olho” (com Lula Queiroga), além – é claro! – da música de abertura, “País do Futebol” (com MC Guime e a participação especial de Emicida).

* O sexto DVD do cantor e compositor Oswaldo Montenegro será lançado no segundo semestre e se intitulará “3 x 4”. Do repertório constará a inédita balada “Me Ensina a Escrever”, cujo clipe já se encontra em rotação no canal oficial do artista no YouTube.

* Na próxima quinta-feira, dia 05, a partir das 20 horas no Teatro Tobias Barreto, a nossa Patricia Polayne estará cantando mais uma vez as canções de seu CD “O Circo Singular”, mas desta feita majestosamente acompanhada pela Orquestra Sinfônica de Sergipe. Certamente será um belíssimo espetáculo e somente quem for muito broco é que vai perder essa. A gente se encontra por lá!

RUBENS LISBOA é compositor e cantor.
Apresenta o quadro "Musiqualidade" dentro do programa "Canta Brasil”, veiculado pela Aperipê FM todas as segundas-feiras, às 10 horas.
Quaisquer críticas e/ou sugestões a este blog serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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