Musiqualidade

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R E S E N H A

Cantor: BRUNO BATISTA
CD: “BAGAÇA”
Gravadora: INDEPENDENTE

O cantor e compositor Bruno Batista é natural de Recife (PE), mas, como passou a residir em São Luís (MA) ainda muito pequeno, muita gente o associa à famosa Ilha nordestina. Vivendo atualmente em São Paulo, ele dosa com maturidade todas essas influências para formatar a sua obra musical, a qual já abarca quatro CDs, tendo o mais recente deles, “Bagaça”, chegado recentemente às lojas de maneira independente.
Seu primeiro e homônimo álbum saiu em 2004 e lhe rendeu um convite do SESC para participar do projeto “Novo Canto”, no Rio de Janeiro, o qual, àquela altura, estava a revelar importantes nomes da música brasileira como Pedro Luís, Rita Benneditto e Lenine. Cinco anos depois, sob a produção de Guilherme Kastrup e Chico Salem, Bruno gravou o segundo disco sugestivamente intitulado “Eu Não Sei Sofrer em Inglês” e que contou com as participações especiais de Marcelo Jeneci, Rubi, Tulipa Ruiz e Zeca Baleiro, tendo sido selecionado para o “Prêmio da Música Brasileira”, a principal premiação de música do país. E há dois anos, ele lançou, “Lá”, disco produzido por Guilherme Kastrup e Rovilson Pascoal, sedimentando uma trajetória que, se ainda não se fez por conhecida do grande público, vem se mostrando coerente e em crescendo.
O recém-lançado CD conta com a produção de Rovilson Pascoal e possui um repertório inédito e autoral composto por onze faixas. De imediato, se transforma no melhor trabalho do artista que também está cantando cada vez mais seguro. Dono de bonito timbre, macio e agradável, ele se adequa às emoções que as músicas exigem, transportando o ouvinte como cúmplice.
E há muito a destacar: desde a ótima ciranda “Batalhão de Rosas” até a singela “Turmalina” (faixa que conta com a adesão da bela e delicada voz da cantora Dandara), passando pelo flerte à canção de cunho eminentemente popular, conforme explicitado em “Você Não Vai me Esquecer Assim”, pelo contagiante batuque de “Pra Ver se Ela Gosta (parceria com Alê Muniz e Luciana Simões) e pelo mergulho apropriado em ritmo do momento, que é o que ocorre em “Blockbuster” (em que se revela a característica guitarra do paraense Felipe Cordeiro). Nada, contudo, que supere a maestria da canção-título, a beleza contida em “Caixa Preta” (uma música daquelas que todo compositor gostaria de ter feito) e a sublime inspiração de “A Ilha” (que fecha com chave-de-ouro esse interessantíssimo projeto).
Completam o set list “Guardiã” (com um jeitinho de Marisa Monte), “A Teia” (um instante mais experimental) e “Nigrinha” (parceria com o já citado Baleiro que talvez ganhasse em força se viesse com arranjo um tantinho mais pesado).
De fato, esse novo CD se transforma em importante salto na discografia de Bruno Batista e por isso merece ser conhecido, curtido e divulgado. Corra e ouça!

N O V I D A D E S

* A gravadora Universal está retornando com a série “Tons”, a qual acondiciona, num mesmo box, alguns títulos de artistas consagrados que fizeram parte de seu cast. O primeiro dessa nova fornada é “Três Tons de MPB4”, reunindo três dos melhores títulos da discografia desse que é o melhor grupo vocal masculino da história da nossa música popular. “10 Anos Depois”, lançado originalmente em 1975, contém, no impecável repertório, versões personalíssimas para canções atemporais de João Bosco e Aldir Blanc (“De Frente Pro Crime”), Gonzaguinha (“Galope”) e “Passaredo” (de Chico Buarque, feita em parceria com Francis Hime), entre outras. Já “Canto dos Homens”, lançado há exatos quarenta anos, trazia, além de músicas daqueles mesmos compositores, “Moreno” (de Milton Nascimento e Fernando Brant) e “Aparecida” (de Ivan Lins e Maurício Tapajós). Quatro anos depois, iniciando uma nova década, a de abertura politica, temas mais arejados compuseram o roteiro de “Vira Virou”, tais como “Olhar de Cobra” (de Moraes Moreira e Antônio Risério), “A Lua” (de Renato Rocha) e “Por Toda Lã” (de Alceu Valença). Relançamento realmente imperdível!

* E seguem a todo vapor os preparativos finais para o lançamento do próximo volume do projeto Sambabook, desta feita voltado para a obra de Jorge Aragão. Entre outras canções, estarão presentes no repertório: “Quintal do Céu” com Zeca Pagodinho, “Malandro” com Baby do Brasil, “Toque de Malícia” com Lenine, “Do Fundo do nosso Quintal” com Maria Rita, “Coisa de Pele” com Martinho da Vila, e “Identidade” com Elza Soares. A conferir!

* “Haja Coração”, a nova telenovela global das 19 horas que estreará excepcionalmente numa terça-feira (dia 31 do mês em curso), já tem praticamente fechada a sua trilha sonora. Entre os fonogramas arregimentados para servir como pano de fundo das diversas personagens estão “O Farol” (com Ivete Sangalo), “Bang” (com Anitta), “Química” (com Biel) e “Tiro ao Álvaro” (com Péricles). As duplas Fernando & Sorocaba, Henrique & Juliano e Victor & Léo marcam presença com “Veneno”, “Na Hora da Raiva” e “Dez Minutos Longe de Você”, respectivamente.

* Está aportando no mercado o primeiro CD da cantora e compositora mineira Michele Leal. Intitulado “Peixe”, o álbum foi gravado sob a direção musical de Domenico Lancellotti e traz um repertório majoritariamente autoral composto com parceiros, caso de “Jacarandá” e “Morena Marina”, criadas pela artista ao lado de Alan Athayde e Marcelo Padula, respectivamente. A única regravação fica por conta do antológico samba “Praça Onze” (de Herivelto Martins e Grande Otelo).

* “Lá da Alma” é o título do novo CD do Falamansa, um dos poucos grupos que ainda cultiva o chamado forró autêntico. Produzido por Tato, o vocalista e autor (em alguns momentos, com colaboradores) das quatorze faixas do repertório, o álbum chegou recentemente ao mercado através da gravadora Deck. O sanfoneiro sergipano Mestrinho é o parceiro da faixa “Nós Dois, numa Praia, no Rolê” e também se faz presente como convidado especial. A outra participação fica por conta de Gabriel, o Pensador, o qual ajuda a transformar “Cacimba de Mágoa” (dele e Tato) em um dos melhores momentos do disco, ao lado da canção-título e de “Um Pouco Mais de Fé”.

* A cantora e compositora Wanda Sá encontra-se em estúdio carioca, gravando as canções que farão parte de “Cá entre Nós”, seu novo CD, o qual será lançado ainda este ano. Ivan Lins, em participação especial, toca piano em “Uma Simples Canção”, música inédita de sua autoria.

* Depois de estrear falando de sua aldeia paulistana (em “São Mateus Não É um Lugar Assim Tão Longe”, de 2009) e fazer uma passagem bacana pela seara baiana (em “Bahia Fantástica”, de 2012), o compositor e cantor Rodrigo Campos fez chegar há pouco tempo às lojas, de maneira independente, o seu novo CD no qual ele toma como referência o famoso país do sol nascente. Trata-se de “Conversa com Toshiro”, álbum produzido pelo próprio artista sob a direção artística de Romulo Fróes, o qual se faz composto por treze faixas autorais, apenas duas criadas em parceria com Nuno Ramos (as demais nasceram solitariamente). Cercado de músicos que fazem parte do seu grupo de amigos (dentre os quais surgem Curumin na bateria, Thiago França nos sopros e Marcelo Cabral no baixo), Rodrigo, sabedor de suas limitações vocais, convidou as excelentes Ná Ozzetti e Juçara Marçal que luxuosamente o auxiliam em oito das canções apresentadas. Entre os melhores momentos estão as faixas “Katsumi”, “Dois Sozinhos”, “Mar do Japão” e “Velho Amarelo”.

* No segundo semestre, os Paralamas do Sucesso entrarão em estúdio para gravar as canções do próximo álbum, aguardado ansiosamente já há algum tempo pela galera que curte o som do trio. Quem viver, então, ouvirá!

* “A Luneta do Tempo”, filme dirigido por Alceu Valença, ganha, em CD duplo, uma trilha sonora composta por vinte e oito temas (a maioria deles apresentada praticamente sob a forma de vinhetas, alguns instrumentais) criados pelo próprio artista. O projeto chega às lojas através da gravadora Desk e serve como item de colecionador para os milhares de fãs do talentoso artista pernambucano muito pelo fato de que são poucas as canções ali apresentadas com reais chances de saírem do contexto da telona e chegarem às rádios. Gravadas por Alceu (que se alterna entre os vocais, o violão e a flauta) tão somente com a companhia do multi-instrumentista Paulo Rafael (responsável pelas violas, guitarras e cítaras), as músicas transportam o ouvinte de imediato para o sertão nordestino e suas várias influências musicais, como as exteriores (a árabe em “Sertão Mourisco”) e as de dentro, sejam circenses (“Tema do Circo Nagib Mazolla” e “Saudade Circense”), religiosas (“Novena pra São Bento” e “Meu Querido São João”) ou ligadas aos cangaceiros (“Incelença de Cangaço” e “Mundo Desumano”). Alguns dos melhores momentos ficam por conta de “O Sertão Precisa É Disso”, “Flores do Cerrado”, “Lembrando dos Olhos Dela”, “Ressurreição”, “Fulô do Pecado” e “Cordel Virtual”.

* Trechos de alguns shows realizados na segunda edição do festival Rio Música InCena, ocorrido no segundo semestre de 2010, fazem parte do recém-lançado DVD “Rio Música InCena”, o qual chegou ao mercado através da gravadora Fina Flor. São vinte e quatro números coletados entre shows capitaneados por Fafá de Belém, David Feldman, Jane Duboc, Joyce Moreno, Luiz Melodia, Mônica Salmaso, Wagner Tiso e Yamandu Costa. Vale a pena conferir!

RUBENS LISBOA é compositor e cantor.

Quaisquer críticas e/ou sugestões a este blog serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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