MUSIQUALIDADE

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L A N Ç A M E N T O

 

Cantor: SÉRGIO CASSIANO

CD: “CIÊNCIA DA FESTA”

Gravadora: INDEPENDENTE / TRATORE

Sérgio Cassiano, que é licenciado em Música pela Universidade Federal de Pernambuco e que também estudou no Conservatório Pernambucano de Música, é, antes de tudo, um exímio percussionista. Desde 1994, integra o grupo Mestre Ambrósio, com o qual já lançou três discos: “Mestre Ambrósio” (1996), “Fuá na Casa de Cabral” (1999) e “Terceiro Samba” (2001). Com 20 anos de estrada, Sérgio Cassiano amplia agora o seu trabalho artístico ao dar início à sua carreira solo, lançando o CD “Ciência da Festa”, estritamente autoral.

 

Atualmente agenciado pela Marginal Produções, capitaneada pelo sergipano Bruno Montalvão, o artista pernambucano fundamentou o repertório de seu primeiro disco na cultura popular brasileira e, principalmente, na de seu Estado de origem. Com uma poesia refinada, em que as construções literárias por vezes se invertem para “não dizer, dizendo”, e adepto de sonoridades múltiplas, em que se incluem baiões, xotes, côcos, sambas-de-roda e elementos de capoeira, construiu um disco agradável e equilibrado, no qual se destacam o berimbau e vários instrumentos de cordas, tais como: violão, cavaquinho, bandolim, violoncelo e viola.

 

São composições peculiares que, emolduradas por inspirados arranjos acústicos, terminam resultando em um som moderno mas, ao mesmo tempo, totalmente fincado nas origens. Algumas canções parecem familiares ao ouvinte, porém ressalte-se desde já que nelas inexistem plágios ou citações. Pelo contrário, é aí que reside o maior talento do compositor: são poucos os escolhidos para captar essas melodias que a natureza deixa soltas ao ar, as quais – predestinadas – insistem em se concretizar. E Sérgio Ricardo parece ser um deles. Além dessa característica inata, suas criações, em geral alegres, carregam, no fundo, um tom melancólico, o que as dota de uma graciosidade a mais. Dentre os destaques desse trabalho muito bem vindo estão: “Bagaço”, “Quando Ela Roda”, “Tito-tico” e “Verbo”.

 

Só o que Sérgio Ricardo precisa agora é cair no gosto de um(a) grande intérprete, ser por ele(a) gravado e alcançar, assim, o  reconhecimento que lhe é justo pelo talento que possui. Mais um…

 

N O V I D A D E S

 

·                     Com o ator global Tuca Andrade à frente de afinado elenco, foi encenado, neste final de semana, no Teatro Tobias Barreto, o musical baseado na obra de Orlando Silva, conhecido como “O Cantor das Multidões”. E o espetáculo ganhou um registro em CD à altura de sua beleza! São músicas maravilhosas, a exemplo de “Curare” (de Bororó), “Sertaneja” (de René Bittencourt) e “Rosa” (de Pixinguinha e Otávio de Souza), o que comprova a capacidade inata de Orlando em escolher pérolas do cancioneiro para incluir em seu repertório. Os arranjos, a cargo do músico Marcelo Neves, são excelentes e a voz de Tuca supera as expectativas: o ator canta muito bem, melhor do que muitos cantores profissionais, com sua voz firme e afinada. Além dele, os também atores Inez Viana e Marcelo Vianna demonstram talento inato para a arte de cantar. Um belo registro!

 

·                     O pernambucano Otto certamente é mais comentado do que ouvido. Com uma carreira da qual já constam três discos, o atual marido da atriz Alessandra Negrini está lançando, através da série MTV Apresenta, o seu primeiro DVD, um registro ao vivo de espetáculo no qual tentou condensar o seu trabalho que tem como base o movimento mangue beat. Mas Otto, que surgiu como um dos integrantes das bandas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, justiça seja feita, terminou criando um estilo próprio. O repertório tenta abrir caminhos múltiplos e vai desde a climática “Anjos do Asfalto” até uma releitura de “Pra Ser Só Minha Mulher”, sucesso de Roberto Carlos (de autoria de Ronnie Von), permitindo-se, inclusive, inusitada citação da execrável “Clementina”, do palhaço Tiririca. Mas Otto mostra-se afiado no palco, cercado por uma banda homogênea. O DVD vale, portanto, pela tentativa de fazer a música de Otto chegar a um público maior.

 

·                     Participante do último “Fama”, o programinha musical da TV Globo, a cantora Marina Elali, dona de uma belíssima voz, já grava o seu primeiro CD solo que terá a produção de Guto Graça Melo. A bela morena que é neta de Zé Dantas (um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga) vai regravar “O Amor e o Poder”, hit de Rosana, além de mais duas outras versões: “Love by Grace”, sucesso de Lara Fabian, vai virar “Amor Incondicional”, e “Fragile”, do repertório de Sting, se transformará em “Frágil”. Também constará do CD a releitura de “Você”, de Roberto e Erasmo Carlos, faixa, aliás, já incluída na trilha sonora da novela “América”.

 

·                     Embora seja medonha a capa, o CD intitulado “Luz”, no qual a cantora Clara Redig canta somente canções do compositor Francis Hime é um belo trabalho! Francis é um compositor que já presenteou a nossa MPB com diversas pérolas. “Embarcação” e “Trocando em Miúdos”, ambas em parceria com Chico Buarque e presentes no disco, são bons exemplos disso. Clara possui uma voz miúda mas muito bem colocada e dá, com requintes, o seu recado. Outros destaques do disco ficam por conta de “Choro Rasgado”, “Carta” e “Sem Mais Adeus”, parcerias de Francis com Olívia Hime, Ruy Guerra e Vinicius de Moraes, respectivamente. O competente Nelson Ângelo é o responsável pelos arranjos e pela direção musical do álbum.

 

·                     Em uma gaveta abandonada pelo produtor Ezequiel Neves, nos estúdios da gravadora Som Livre, foi encontrado um cassete contendo o registro ao vivo do show de lançamento do disco “Só Se For a Dois”, o primeiro trabalho solo de Cazuza depois que deixou de ser o vocalista da banda Barão Vermelho. Quando da realização do espetáculo (1987; Teatro Ipanema- RJ), o cantor ainda se encontrava sob o impacto da notícia que recebera, dias antes, dando conta de que era portador da doença que iria a levá-lo à morte. O compositor de letras belas e angustiadas encontrava-se, então, no auge do sucesso. A fita sofreu todos os processos atualmente disponíveis de adequação sonora e, embora ainda se possa ter a impressão de estar ouvido a um som de rádio, o CD possui uma qualidade técnica razoável. O mais importante, porém, é a constatação inequívoca da garra e tesão com que Cazuza encarava o palco. Sua voz rouca vomitava canções que já se tornaram antológicas como “Todo o Amor que Houver Nessa Vida”, “Codinome Beija-Flor”, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Maior Abandonado”, “Bete Balanço”, “Exagerado” e “Brasil”. Que falta que ele faz!

 

·                     Isabella Taviani já se prepara para o lançamento, em setembro próximo, de seu segundo CD, o qual foi gravado ao vivo. Entre inéditas (“Sentido Contrário”, “Argumento Ineficaz” e “Último Grão”), há regravações de hits de Raul Seixas (“Medo da Chuva”), Ivan Lins (“Atrevida”) e Sérgio Sampaio (“Tem Que Acontecer”). O projeto marca a estréia da cantora na gravadora Universal, que comprou o passe da artista do produtor Torcuato Mariano, responsável pelo lançamento de Isabella, em 2003, por seu selo Green Songs.

 

·                     Também em setembro sai o segundo CD de Preta Gil com várias canções inéditas (“Medida do Amor”, de Davi Moraes, “Vá Lá”, de Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira, “Valeu”, de Pedro Luís, e “Leva Eu Pro Samba”, de Moraes Moreira, por exemplo) e algumas regravações (“Cheiro de Amor”, já registrada por Maria Bethânia, e “Fui à Bahia”, hit antigo de Augusto Calheiros). Haverá a participação especial de Lenine na faixa “O Bit”, de autoria de Ari Moraes. É, nada como ser filha de ministro!…

 

·                     Lulu Santos finaliza CD com repertório basicamente formado por músicas suas e inéditas. As exceções ficam por conta das regravações de “Ele Falava Nisso Todo Dia” (de Gilberto Gil), de “Popstar” (do grupo João Penca e Seus Miquinhos Amestrados) e de “Din-Don”, composta por Lulu em parceria com Bernardo Vilhena e já gravada anteriormente por Edson Cordeiro. Produzido e arranjado pelo próprio artista, o disco levará o nome de “Letra e Música”.

 

·                     E na próxima semana, entrevista especial com Paulo Lobo, compositor e cantor sergipano dos mais talentosos e conhecidos. Vale a pena conferir!

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor
Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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