MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Grupo: MPB-4

CD: “40 ANOS AO VIVO”

Gravadora: EMI

 

Famoso pela interpretação de canções engajadas que foram gravadas na época da ditadura (quando os letristas tinham que inventar metáforas várias para enganar o crivo da censura), o grupo vocal MPB-4 acaba de lançar o seu primeiro DVD, que também está disponível no formato CD. Sob o pretexto de marcar a comemoração dos quarenta anos (na verdade, já é um pouco mais que isso), foi realizado show em maio passado, no Sesc da Vila Mariana, em São Paulo, o qual, registrado ao vivo, deu ensejo ao projeto que ora chega às lojas.

Formado até há pouco tempo por Magro, Aquiles, Miltinho e Ruy Faria, a atual composição do grupo conta agora com a participação de Dalmo Medeiros no lugar de Ruy, que resolveu se desligar por questões pessoais.

O trabalho do MPB-4 é um marco na história do nosso cancioneiro popular. Eles, junto com o Quarteto em Cy, são os responsáveis pelo melhor da música vocal brasileira, em seu formato popular, em todos os tempos.


É verdade que, desde o seu surgimento, apareceram outros bons grupos vocais, mas nenhum deles resistiu às intempéries da carreira artística nem possui, em sua discografia, sequer um décimo dos clássicos que passaram pelas gargantas dos componentes do MPB-4.

O álbum recém-lançado, como não poderia deixar de ser (uma vez que possui caráter revisional), conta com alguns dos maiores sucessos, tais como “Amigo É pra Essas Coisas” (obra-prima de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Júnior) e “O Ronco da Cuíca” (de João Bosco e Aldir Blanc), por exemplo. Mas a cereja desse bolo de aniversário fica mesmo por conta do estelar número de convidados especiais.

Há desde um memorável momento de Cauby Peixoto e sua portentosa voz entoando o clássico “Conceição” (de Dunga e Jair Amorim) até a segura Roberta Sá mandando ver nos vocais da contundente “Cicatrizes” (de Miltinho e Paulo César Pinheiro). As eternas amigas do Quarteto em Cy também estão lá na faixa “Falando de Amor” (de Tom Jobim), como também comparecem Milton Nascimento (na belíssima “Cebola Cortada”, de Clodô e Petrúcio Maia) e Zeca Pagodinho (em “Olé, Olá”, de Chico Buarque). Aliás, o próprio Chico (responsável pela propulsão inicial da carreira do grupo), não podendo estar presente no dia da realização do show, fez questão de gravar em estúdio duas canções (“Roda Viva”, dele próprio, e “Quem Acreditou na Vida Como Eu”, de Sidney Miller), as quais aparecem como faixas bônus. Vida longa ao MPB-4!

   

 

R E S E N H A     2

 

Grupo: QUARTETO EM CY

CD: “SAMBA EM CY”

Gravadora: FINA FLOR

 

Há exatos quarenta e dois anos, o Brasil conhece o Quarteto em Cy. A formação atual (que não é a formação inicial, mas já conta com um tempo considerável) faz-se com as vozes de Cynara, Cyva, Cybele e Sônia. Símbolos de resistência do trabalho vocal nessas terras tupiniquins (juntamente com o MPB-4), as quatro cantoras construíram, ao longo do tempo, uma vasta discografia, construída sobre um repertório inatacável.

O novo trabalho das “meninas” acaba de chegar às lojas através da gravadora Fina Flor e leva a assinatura do competente Ruy Quaresma na produção. Como o próprio nome já entrega (“Samba em Cy”), trata-se de um álbum totalmente voltado para o samba, ritmo que esteve constantemente presente em vários trabalhos anteriores do Quarteto, mas nunca de forma tão onipresente.

As vozes continuam em forma, seja quando cantam em uníssono, sejam quando se abrem em terças ou quintas de categoria impecável. As quatorze faixas do novo disco contemplam canções de várias vertentes, abraçando compositores que vão de Chico Buarque (“Chão de Esmeraldas”, parceria com Hermínio Bello de Carvalho, unida estrategicamente, na mesma faixa, com “Capital do Samba”, de José Ramos) a Almir Guineto (“O Canto dos Orixás”, parceria com Fred Camacho e Magalha).

A faixa-título, composta especialmente para o projeto por Nei Lopes e Ruy Quaresma retrata, na letra, a história do grupo e é, desde logo, um dos melhores momentos do CD. Mas há vários outros, como, por exemplo: “A Saudade É Que Me Consola” (de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro), “Tendência” (de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão) e “Ame” (de Paulinho da Viola e Elton Medeiros).

Há a participação afetuosa de Chico Faria (filho de Cynara com Ruy Faria, ex-integrante do MPB-4) em “Perdão, Meu Bem” (inusitada criação galhofeira de Cartola).

Um CD único que vem coroar com galhardia o belo trabalho desenvolvido por essas quatro guerreiras…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               O primeiro disco de Emílio Santiago, lançado originalmente pela pequena gravadora CID em 1975, chega ao formato CD e através dele se constata que, desde o seu surgimento, o cantor já estava pronto. Decerto que nesses mais de trinta anos de carreira, ele (que é um dos grandes intérpretes da história da nossa música popular) deu algumas derrapadas, aqui e ali, no tocante ao repertório gravado, mas nada que viesse a macular definitivamente o seu característico bom gosto musical. Com sua voz grave e um timbre belíssimo, Emílio estreou no mercado fonográfico em grande estilo, em um trabalho no qual se cercou de grandes músicos, dentre os quais podem-se citar Azimuth, Dori Caymmi, Hélio Delmiro, João Donato, Laércio de Freitas, Vitor Assis Brasil e Wilson das Neves. O repertório, um primor, alinhavava uma canção pouco conhecida da dupla Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito (“Quero Alegria”) a uma das mais marcantes de Zé Ketti (“Nega Dina”) e ia da seara romântica (“Depois”, de Ivan Lins e Otávio Daher, e “Porque Somos Iguais”, de Durval Ferreira e Pedro Camargo) a sambas contagiantes (“Batendo a Porta”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e “Brother”, de Jorge Ben Jor). Um documento raro que deve fazer parte do acervo de todos os que curtem a verdadeira música de qualidade. 

 

·               Já estão nas lojas o CD e o DVD ao vivo reunindo Ney Matogrosso e o grupo Pedro Luís e a Parede. O repertório é praticamente o mesmo do disco “Vagabundo”, gravado em estúdio, mas algumas canções foram acrescentadas. É o caso de “Fé Cega, Faca Amolada” (de Milton Nascimento e Fernando Brant) e de “Sangue Latino” (de João Ricardo e Paulinho Mendonça).

 

·               A gravação do show que resultará no primeiro DVD da carreira de Fafá de Belém está confirmada para os dias 05 e 06 do próximo mês no Teatro da Paz, em sua cidade natal, Belém do Pará. A cantora pretende aproveitar a oportunidade para registrar imagens da festa do Círio de Nazaré que vai se realizar naquele período. O novo trabalho (que também sairá em CD) será posto no mercado através da gravadora EMI e contará, no repertório, com três canções inéditas. Já dentre os sucessos, além de novas versões para o “Hino Nacional Brasileiro” e para a “Ave Maria”, estarão presentes as canções: “O Menestrel das Alagoas”, “Filho da Bahia”, “Sedução”, “Bilhete”, “Coração do Agreste”, “Pauapixuna” e “Vermelho”.

 

·               O terceiro CD da cantora Paula Lima chega às lojas no começo de outubro através da gravadora Indie Records. No novo trabalho (que se intitula “Sinceramente”) ela grava canções de Arlindo Cruz, Zélia Duncan e Ana Carolina.

 

·               Outra que lançará, no próximo mês, o seu terceiro CD é a cantora Virgínia Rosa. Dentre os compositores presentes no repertório estão a novata Luísa Maita (“Amado Samba”), o hermano Marcelo Camelo (“Samba a Dois”) e o mangueirense Cartola (“As Rosas Não Falam”).

 

·               O primeiro CD da rapper paulista Negra Li foi gravado em dupla com Helião. Agora, a cantora vai lançar, através da gravadora Universal, um disco somente dela que receberá o título de “Negra Livre” (canção especialmente composta por Nando Reis). A produção ficará a cargo de Paul Ralphes que vai tentar revestir o novo trabalho com uma roupagem mais pop. Do repertório, vão constar também a inédita “Você Vai Estar na Minha” (parceria de Marisa Monte e Lino Crizz) e a regravação de “Meus Telefonemas” que contará com a participação especial de Caetano Veloso nos vocais.

 

·               Confirmado: chegará em outubro às lojas o novo trabalho de Maria Bethânia. Trata-se de um CD duplo que se intitulará “Água”. Um dos discos trará músicas que falam sobre água salgada e o outro sobre água doce. Coisas da Abelha Rainha…

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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