MUSIQUALIDADE

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E N T R E V I S T A

 

O cantor e compositor Paulo Lobo é um dos grandes nomes da música sergipana. Admirado por muitos, o artista possui dois discos lançados: o LP “Cajueiro dos Papagaios” (gravado em conjunto com Neu Fontes e Lula Ribeiro) e o elogiado CD “Ruas de Ará”. Dono de opiniões bastante centradas, são algumas delas que estão presentes nesta entrevista. Vamos a elas:

 

MUSIQUALIDADE – Quem é Paulo Lobo?

Paulo Lobo – Um cara preocupado em mostrar que o sergipano não é pior que nenhum outro povo, interessado em preservar a nossa memória cultural e em exaltar a nossa alegria, a nossa auto-estima.

 

M – Como você consegue conciliar o seu trabalho musical com a sua carreira de publicitário?

PL – A atividade musical, para o compositor que não trabalha com as grandes demandas populares (tipo pagode, axé e coisas do gênero), não exige muito tempo da gente. Hoje em dia, faço música apenas por prazer, quando dá na telha, para festejar com amigos. Então, tempo não é problema. Além de publicitário, atuo como jornalista no semanário Cinform e apresento o programa “Ruas de Ará” na TV Cidade. É muita coisa, mas sempre se arruma um tempo para fazer o que se gosta.

 

M – Com relação à sua carreira musical, você se arrepende de alguma coisa que fez? Ou de algo que deixou de fazer? E quais os seus planos para o futuro?

PL – Não me arrependo de nada. Em 1983, eu era funcionário do Estado e pedi demissão para ir morar no Rio, trabalhando com música. Voltei porque a barra pesou e ficou impossível continuar por lá. Aqui, fiquei legal e acabei descobrindo a publicidade e o jornalismo. Mas faria tudo de novo.

 

M – Qual a sua opinião sobre o momento musical atual por que passa o nosso País? E o nosso Estado?

PL – Acho que temos um problema quase que insolúvel em relação à grande mídia. Hoje, as carreiras são fabricadas nos escritórios e têm uma espécie de obsolescência programada. Por outro lado, acho que a cena paralela, a música na web, os selos alternativos, tudo isso tem crescido bastante mas evidentemente não garante a profissionalização de ninguém. A grande fatia da chamada ‘economia da música’ continuará na mão de um pequeno grupo de privilegiados. Sergipe reproduz, em menor proporção, tudo o que falei com relação ao Brasil.

 

M – O que acha que falta ao artista sergipano para que ele possa ser reconhecido nacionalmente?

PL – Sinceramente, acho que ele não precisa necessariamente ser reconhecido no Brasil inteiro. O mais importante é criarmos um mercado aqui. Mas também não sei como se faz essa mágica. O sergipano, em sua maioria, ainda não gosta dos seus próprios artistas, ainda não ama suficientemente a sua terra para isso.

 

M – Existem políticas, em Aracaju e em Sergipe, voltadas para a valorização da cultura e, em especial, da música? Em caso positivo, cite-as; em caso negativo, por que as mesmas inexistem e a quem efetivamente cabe empreendê-las?

PL – Não, não existem. Creio que precisávamos de escolas de formação, inclusive com nível superior, políticas de apoio à cultura baseadas na meritocracia e não no compadrio e na política de relações pessoais. Por que não instituir, por exemplo, editais para a gravação de discos ou a montagem de espetáculos? Ou um estúdio público? Se não houvesse tanta ingerência política, muita coisa realmente consistente poderia ser feita.

 

 

N O V I D A D E S

 

·                     Após seis anos sem lançar discos, Chico Buarque assinou, na sexta-feira passada, contrato com a gravadora Biscoito Fino. O artista entrará em estúdio no começo de setembro para gravar seu novo CD (cujo repertório será formado, em sua maioria, por canções inéditas e levará a assinatura do maestro Luiz Cláudio Ramos na produção), o qual deverá ser lançado entre o fim deste ano e o início de 2006. Falando no compositor dos famosos olhos cor de ardósia, na próxima semana estarão chegando às lojas os DVD’s com os especiais sobre ele exibidos pela Directv e pela TV Bandeirantes. Foram quatro programas e, em cada um deles, Chico apresentou uma música inédita.

 

·                     O rock brasileiro também manifesta a sua indignação contra a atual crise política e tal se concretiza através da canção-manifesto “Vossas Excelências”, composta pelos Titãs e que constará do CD e DVD ao vivo que a banda gravou em Florianópolis no final de semana passado. Com lançamento previsto para o começo de outubro (via Sony/BMG), o novo álbum contará também com outras duas inéditas: “O Inferno São os Outros” e “Anjo Exterminador”. Como era de se esperar, Roberto Carlos vetou a regravação de “Quero Que Vá Tudo Para o Inferno”, mas a banda não se deu por vencida e pretende incluir agora uma versão roqueira para outro sucesso do Rei: “O Portão””.

 

·                     O primeiro CD com repertório erudito do cantor Edson Cordeiro, possuidor de voz agudíssima, já se encontra nas lojas. “Contatenor” tem seu repertório baseado em árias do século 18, as quais são apresentadas na companhia do virtuoso piano de Antônio Vaz Lemes. A produção do disco é de José Ananias, flautista do Amapá com grande fama no exterior. Falando em voz aguda, a cantora Tetê Espíndola registrou em DVD show realizado com o repertório do recém-lançado CD “Zen Cinema”. Ney Matogrosso participou da canção “Meridiano” (de Chico César e Arnaldo Black).

 

·                     De volta à cena com a formação original, o grupo A Cor do Som grava, em breve, DVD no Canecão. O baixista Dadi Carvalho, todavia, planeja lançar, paralelamente, o seu primeiro CD solo que está gravado desde 2002. O disco, que possui algumas canções com letras de Caetano Veloso e de Arnaldo Antunes, conta com as participações especiais de Rita Lee e de Marisa Monte.

 

·                     Com lançamento previsto para o fim do ano pela gravadora Biscoito Fino, Maria Bethânia deverá gravar, ainda este mês, o DVD que registra integralmente o show “Tempo Tempo Tempo Tempo”. No roteiro, há canções inéditas como: “Um Dia Pra Vadiar” (de Totonho Villeroy), “Planície de Prata” (de Almir Sater), “Foguete” (de Roque Ferreira e J. Velloso), “Estranho Rapaz” (de Roberto Mendes e Capinam) e “Berceuse Criolle” (de Jards Macalé e Waly Salomão), além de um novo registro da cantora para “Céu de Santo Amaro” (de Flávio Venturini sobre tema de Bach), que foi destaque, na versão de Venturini com participação de Caetano Veloso, da trilha sonora da novela “Cabocla”.

 

 

C D     R E C O M E N D A D O

 

Agora empresariados pela Marginal Produções, produtora capitaneada pelo conterrâneo Bruno Montalvão, a banda sergipana Lacertae é formada por apenas dois componentes, mas consegue fazer surgir uma massa sonora ao mesmo tempo instigante e surpreendente.

 

Naturais do Município de Lagarto, Deon Costa e Aldemir Tacer já ganharam o Brasil em apresentações que empolgam o público presente. É impossível ficar alheio ao som da Lacertae pois, logo aos primeiros acordes, a alma do ouvinte é tomada de assalto com os acordes psicodélicos dos rapazes e começa a viajar por caminhos inimagináveis. O som da banda passeia por diversas vertentes, indo do rock tradicional ao mais puro jazz. Há ecos da guitarra de Jimi Hendrix, mas a influência jazzística de John Coltrane também se faz presente. Por outro lado, há espaço para ressaltar a música da terra, do chão, com cheiro de chuva, pureza e simplicidade.

 

No recém-lançado segundo trabalho, o CD intitulado “A Volta que o Mundo Deu”, os artistas aprimoram a sua característica mistura de rock experimental com MPB e folclore da música nordestina. Entre as 10 faixas, os destaques ficam por conta de “O Danado”, “Pra Que Pressa” e “Entrada e Saída”. Como brinde, há ainda a participação de Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado, declamando os versos de “Amiga Folhagem” de autoria do renomado e também sergipano Sílvio Romero. Vale a pena!

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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