MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Cantora: AMOROSA

CD: “UM CANTO A SERGIPE”

Gravadora: INDEPENDENTE

 

A sergipana Amorosa chega ao seu sexto disco fazendo uma merecida homenagem aos municípios sergipanos. Intitulado “Um Canto a Sergipe”, trata-se de um CD independente que se encontra à venda inicialmente nas lojas da rede G. Barbosa.

Cantora andarilha que firmou o nome em apresentações pelo interior de Sergipe, seu tributo soa verdadeiro pois vem de uma artista que conhece o seu povo e a ele atribui o seu sucesso. Intérprete vigorosa, de timbre incomum e inquestionáveis recursos vocais (o seu extenso falsete na faixa “Canindé” é de arrepiar!), Amorosa optou, neste novo trabalho, por mergulhar de cabeça no lado de compositora. Desta forma, é ela quem assina a autoria das dezenove faixas do álbum (quatro em parceria com o arranjador e tecladista Del Feliz, que divide os vocais de “Aracaju”, e uma com a madrinha artística Geunice, a animada “Areia Branca”), o qual tem como tema de abertura “Terras de Saudade”, música que lista, em sua letra, os nomes dos municípios sergipanos.

Entre baiões, xotes, galopes e similares, Amorosa finca o pé no Nordeste, mostrando-se pronta para mostrar a esse Brasil imenso o seu já comprovado talento e a sua música ao mesmo tempo tão regional quanto universal.

Dentre os melhores momentos destacam-se o contagiante frevo “Pirambu”, o cordel estilizado “Riachão do Dantas”, a etérea “Tobias Barreto”, o delicado forró “Lagarto”, o gostoso reggae “Nossa Senhora das Dores” e a meso-cigana “Nossa Senhora do Socorro”. Há de se ressaltar também a beleza do trabalho gráfico, bastante interessante e criativo, traduzindo fielmente o espírito do CD.

As letras das canções demonstram o detalhado trabalho de pesquisa realizado, uma vez que, através delas, se pode ter contato com vários aspectos locais dos municípios escolhidos, que vão desde reminiscências históricas até pontos turísticos, passando por filhos ilustres e fontes de renda.


 

Uma garimpagem feita com afinco por uma artista que ama a sua terra e sabe levantar a verdadeira bandeira da sergipanidade.

 

 

R E S E N H A     2

 

Artistas: MOACYR LUZ e ARMANDO MARÇAL

CD: “SEM COMPROMISSO”

Gravadora: DECKDISC

 

O carioca Moacyr Luz é considerado atualmente um dos grandes compositores de samba do nosso país. Dono de uma obra já vasta, ele possui canções gravadas por nomes que vão de Maria Bethânia a Fafá de Belém, passando por Gilberto Gil, Beth Carvalho e Selma Reis.

Acaba de chegar ao mercado, através da DeckDisc, o novo CD de Moacyr, o qual vem assinado em conjunto com o músico Armando Marçal (neto do conhecido Marçal, parceiro do lendário Bide) e se chama “Sem Compromisso”, título homônimo da canção bastante conhecida de autoria de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro (já gravada por Chico Buarque e Gal Costa) e que faz parte do repertório do recém-lançado álbum.

Trata-se de um disco de sonoridade simples no qual se ouvem apenas a voz e o violão bem talhado de Moacyr acompanhados pela percussão concisa e precisa de Armando Marçal. Dá para notar que a força de algumas faixas se ressente da falta de outros instrumentos característicos do samba, mas o resultado final não soa desagradável. Pelo contrário, dá para sentir até um gostinho de quero mais.

Todavia, embora bom compositor, Moacyr tem uma voz pouco trabalhada e de pequena extensão, o que atrapalha o entendimento de suas melodias, quase sempre inspiradas. Canções de sua autoria, quando gravadas por outros intérpretes, terminam crescendo consideravelmente.

O artista costuma trabalhar com vários parceiros, os quais assinam as letras de suas canções. Neste disco, estão lá: Aldir Blanc (em “Rainha Negra” e “Mandingueiro”), Martinho da Vila (em “Zuela de Oxum”), Sereno (em “Que Batuque é Esse?”) e Hermínio Bello de Carvalho (em “Quem Mandou?”), estas duas últimas as melhores do CD, ao lado das apropriadas regravações de “Agora é Cinza” (dos já citados Bide e Marçal), “Contentamento” (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e “Leviana” (de Zé Keti).

 

 

 

N O V I D A D E S

 

·               Já está nas lojas o CD contendo a trilha sonora do filme “Ó, Paí, Ó”, da cineasta Monique Gardenberg. Entre fonogramas pinçados de outros trabalhos, como “Ilha de Maré” (com Mariene de Castro), “Depois Eu Volto” (com Batatinha) e “Adeus Bye Bye” (com o Ilê Aiyê e Daúde), há registros efetuados especialmente para o projeto, como “É d’Oxum” (com Jauperi), “Vem Meu Amor” (com o ator Lázaro Ramos, protagonista da película) e “Protesto do Olodum”, com Tatau, Margareth Menezes e Daniela Mercury. O melhor de tudo, no entanto, fica por conta das duas ótimas canções inéditas de Caetano Veloso, a calminha “Canto do Mundo” e o frevo homônimo ao filme (parceria com Davi Moraes), música que, aliás, já vem sendo executada à exaustão.

 

·               Comemorando 100 anos do surgimento do frevo, chegou às lojas o volume 2 do projeto “Nove de Frevereiro” do compositor e cantor Antônio Nóbrega. Seguindo a trilha aberta pelo volume 1, o CD se revela uma verdadeira aula sobre o característico ritmo pernambucano. Dentre temas instrumentais contagiantes (“Brincando com o Clarinete”, de Lourival Oliveira, “Clovinho no Frevo”, de Clóvis Pereira, e “”Galo de Ouro”, de José Menezes) e boas canções inéditas (“Fervo”, “Festim” e “Avenida Brasil”, parcerias de Nóbrega com Wilson Freire), os destaques maiores ficam por conta da inspirada releitura dada à “Melodia Sentimental” (de Heitor Villa-Lobos) e do medley intitulado “Florilégio”, o qual reúne temas de diversos autores e que conta, nos vocais, com as participações especiais de Elba Ramalho, Chico César, Ná Ozzetti, Geraldo Azevedo, Suzana Salles, Claudionor Germano e Dominguinhos.

 

·               Para comemorar trinta anos de casamento na vida e na música, a cantora Joyce e o baterista Tutty Moreno estão gravando o CD intitulado “Bodas de Vinil”, focado no samba-jazz e quase totalmente instrumental. O lançamento no Brasil, no entanto, ainda não está previsto, já que o projeto inicialmente somente chegará às lojas do Japão.

 

·               Bruna Caram, morena bonita de voz doce que vem a ser sobrinha da cantora Lucila Novaes, lança, através da Dabliú Discos, o seu primeiro CD intitulado “Essa Menina”. O repertório é composto de canções assinadas por Otávio Toledo, algumas delas em parceria com J. C. Costa Netto e outras com Juca Novaes.

 

·               Pedro Lima, ex-vocalista do grupo Garganta Profunda, termina de gravar um CD cujo repertório é focado no futebol e que será lançado pelo selo Sala de Som. Convidados de peso já gravaram as suas participações, dentre os quais: Nilze Carvalho, Zezé Motta e Carol Saboya.

 

·               Sandra de Sá está terminando de gravar um novo CD que deverá chegar ao mercado em breve. Seu Jorge fará uma participação especial.

 

·               Para comemorar os vinte e cinco anos de existência, a banda Blitz realizou show festivo em novembro do ano passado no Canecão (RJ), o qual, devidamente registrado, vai se transformar em CD e DVD que chegarão às lojas ainda neste primeiro semestre. Dentre os convidados estão Danny Carlos, Paulo Ricardo, George Israel e Fernanda Abreu.

 

·               O álbum de estréia da cantora Simone é relançado pela primeira vez no formato CD através da gravadora EMI. Gravado em 1972 e produzido por Milton Miranda, o trabalho conta, em seu repertório, com canções assinadas por Joyce, Ivan Lins, Dalto, Lô Borges e Taiguara. Outro título também raro da discografia da intérprete baiana, o disco “Expo Som 1973 – Ao Vivo” (que registrou show por ela dividido com Leny Andrade, Márcia e Ari Vilela), também está sendo relançado em CD. Nele, Simone canta sucessos de Dorival Caymmi (“João Valentão”, “Nem Eu” e “Coqueiro de Itapoã”).

 

·               Já nas lojas o novo DVD do grupo Jota Quest. Intitulado “Até Onde Vai”, o trabalho registra show realizado em Porto Alegre (RS) baseado no CD homônimo, mas também traz sucessos de discos anteriores.

 

·               Quando foi divulgado que tinham sido eles os ganhadores do Festival de Música realizado pela TV Cultura em 2005, Danilo Moraes e Ricardo Teté foram recebidos pela platéia presente com uma estrondosa vaia. Refeitos do susto, ficaram sabendo que o prêmio seria a gravação de um CD. É este disco que acaba de chegar às lojas contendo doze canções assinadas pela dupla (Danilo é o responsável pelas melodias, enquanto Teté é o autor das letras), dentre as quais a vencedora “Contabilidade”, comprovando que realmente não era ela a canção mais interessante dentre as concorrentes. Embora os rapazes cantem direitinho, as músicas em si não são fáceis de serem assimiladas. A maioria dos versos construídos dispensa as rimas perfeitas e isso termina resultando complicado quando se trata de música popular. Dentre os melhores momentos dá para serem destacadas as faixas “Relativismo”, “Juvenília” e “Sisudo”. 

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

 

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