Noda de cajueiro sergipano

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Nos tempos em que trabalhei como jornalista na Secretaria de Estado da Cultura, tive o prazer em percorrer todos os municípios sergipanos e conhecer muitas de suas riquezas e peculiaridades. É muito curioso como um estado tão pequeno em extensão territorial pode nos surpreender com detalhes que fazem muita diferença. Conversando com a secretária de cultura à época, Eloísa Galdino, resgatamos a história do segundo maior cajueiro do mundo, localizado no município de São Francisco, aqui, em Sergipe.

 

Este cajueiro está localizado nas terras de Dona Maria da Conceição dos Santos, uma relíquia da flora sergipana, herdada por esta senhora há aproximadamente 60 anos e, de todos os filhos, ela é a única que não vendeu a sua parte das terras deixadas pelo pai, preservando, assim, o cajueiro. Quando a entrevistei, em 2010, Dona Maria da Conceição estava com 97 anos de idade, e passou para a sua filha, Maria Lúcia Batista de Andrade, a responsabilidade de cuidar e preservar o velho cajueiro.

 

Naquela ocasião, Maria Lúcia explicou que toda a família tem um carinho muito grande pela árvore e cuidam dela como se fosse um ente familiar. De acordo com ela, o cajueiro não para de crescer. A cada ano, a árvore encobre plantas e ultrapassa a cerca que delimita as terras da família Santos Batista. Na última vez que o cajueiro foi medido, em 2006, tinha um perímetro de aproximadamente 200m e, em 2010, os proprietários do cajueiro afirmaram que o tamanho tinha dobrado.

 

O maior cajueiro de Sergipe, talvez o segundo maior do mundo, tem uma trajetória parecida com a do maior cajueiro do mundo, conhecido como cajueiro de Pirangi, localizado na Praia de Pirangi do Norte, no município de Parnamirim, a 12 km ao sul de Natal, capital do Rio Grande do Norte. A árvore cobre uma área de aproximadamente 8.500 m², com perímetro de aproximadamente 500m. Alguns especialistas explicam que o crescimento da árvore se dá pela conjunção de duas anomalias genéticas. A primeira delas é que, em vez de crescerem verticalmente, os galhos da árvore crescem horizontalmente, o que com o tempo tendem a se curvar para baixo até alcançar o solo, em decorrência do próprio peso. Após esse procedimento, ocorre o desenvolvimento da segunda anomalia. Ao tocar o solo, os galhos desenvolvem raízes e passam a brotar novamente, formando novos troncos, como se fosse uma nova árvore. A repetição desse processo causa a impressão de que existem vários cajueiros, mas originalmente o tronco é mesmo.

 

A diferença entre o cajueiro de Pirangi e o cajueiro de Dona Conceição é que o primeiro cresce apenas horizontalmente, enquanto o segundo, além de horizontalmente, cresce também verticalmente, cobrindo inclusive outras árvores, como mangueiras, limeiras e goiabeiras, que ocupam as terras de Dona Conceição. Para visitar o cajueiro, vá até o município de São Francisco e procure Dona Lúcia, para que ela ensine o caminho que leva a uma das maiores e exuberantes belezas naturais localizada em terras serigy.

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