O BISTURI DE OURO DE AUGUSTO LEITE

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Nem tomou posse e o Dr. Petrônio Gomes já conseguiu uma façanha. Está trazendo para a sede da

José Hamilton Maciel, Petronio Gomes, Déborah Pimentel e Lúcio Prado Dias seguram o “Bisturi de Ouro” apresentado no almoço da Somese nesta quinta-feira.

Somese o “Bisturi de Ouro” de Augusto Cezar Leite,  comemorativo dos seus cinqüenta anos  de graduação, que recebeu dos   colegas do Hospital de Cirurgia em 1958, mas que ele doou ao Hospital Santa Isabel, seis anos depois. 

O gesto de Augusto Leite, doando o “Bisturi de Ouro” ao mais antigo hospital de Aracaju, é um dos momentos mais expressivos da história médica de Sergipe. Simboliza o reencontro afetivo do grande cirurgião com a secular casa que o abrigou na década de 10, dando-lhe as condições para fazer a primeira laparotomia (cirurgia abdominal) de Sergipe, em 1914. E principalmente, o despojar de ressentimentos e amarguras pretéritas.

Na década de 20, contrariado com a alta direção do Hospital Santa Isabel, comandada por Simeão Sobral, suprimindo as  chamadas “grandes cirurgias” naquele nosocômio, Augusto deixou o hospital prometendo que ali nunca mais colocaria os pés. Conseguiu então sensibilizar Gracho Cardoso para a necessidade da construção de um novo hospital em Aracaju. A promessa foi cumprida e em 1926 surgia  o Hospital de Cirurgia, que tantas glórias trouxe para a nossa Medicina.

Aproxima-se 1958,  ano em  que Augusto Cezar comemoraria seus cinqüenta anos de formatura. Os médicos do Hospital de Cirurgia, liderados por Walter Cardoso e Juliano Simões, prestam-lhe justas homenagens e entre elas,  oferece-lhe o “Bisturi de Ouro”.

Por sua vez, Gileno da Silveira Lima assumia a direção do Hospital Santa Isabel e nele promovia uma completa reestruturação. Entre outras obras, edificou um novo complexo cirúrgico, a quem denominou de Centro Cirúrgico  “Dr. Augusto Leite”.  Gileno queria muito que Augusto comparecesse ao ato de inauguração. Todos se lembravam da promessa. O desafio agora era sensibilizar o velho cirurgião a retornar à casa. Num trabalho de extrema habilidade, que contou com  a participação de médicos muito chegados a ele, como Benjamin Carvalho e Juliano Simões, Gileno conseguiu que Augusto retornasse ao Santa Isabel para a inauguração do centro cirúrgico.

Mas um desafio maior estava por vir. O ano de 1964 marcaria o cinqüentenário da primeira laparotomia realizada em Sergipe, ocorrida no Hospital Santa Isabel.  Gileno instala uma comissão especial para organizar as comemorações do Jubileu e entre as atividades uma era de um simbolismo extraordinário:  a repetição da primeira laparotomia feita em Sergipe, a retirada de um fibrossarcoma  uterino de uma paciente especialmente preparada para esse fim. Convidaram o “velho” cirurgião para realizá-la e ele, após uma natural hesitação inicial, aceitou o desafio. Mesmo sem estar operando há alguns anos, Augusto Leite empunhou o bisturi e com mãos firmes e decididas, ressecou o tumor uterino com extrema habilidade e rapidez. As pessoas que estavam na  sala de operação não conseguiram conter a emoção e irromperam em aplausos e lágrimas. 

Emocionado e reconhecido, Augusto teve um gesto magnânimo. Doou ao Hospital Santa Isabel

Foto histórica: Augusto Leite ( no alto e à esquerda) com 78 anos, repete a mesma cirurgia 50 anos depois.
o “Bisturi de Ouro” que recebeu dos médicos do Hospital de Cirurgia.  Com devoção, Gileno Lima guardou o instrumento com todo o carinho colocando-o numa gruta iluminada, incrustada em uma das paredes da diretoria onde lá ele permaneceu por muitos anos.

Agora, graças à sensibilidade e ao gesto de fidalguia do colega médico José Carlos Pinheiro, que dirige o Hospital Santa Isabel, o “Bisturi de Ouro” passa a fazer parte do acervo do Museu Médico de Sergipe da Academia Sergipana de Medicina, onde será colocado em local de destaque para a apreciação de todos na Somese.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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