O Bundismo Tibetano

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 Lisboa, 30 de março de 2008

 

 Caros amigos de Sergipe:

 

 Devido ao sucesso retumbante da teoria do amigo Leovaldo Albaralhão, divulgada na coluna passada, sinto-me na obrigação de comentar um dos seus livros mais polêmicos. Trata-se de “Tantra, a arte do amor” que acabo de encontrar na vetusta biblioteca do meu venerando vovô Bouçinhas. 

Tantra como todos sabem, é aquela técnica oriental que ensina como não atingir os píncaros do prazer “transmutando o orgasmo seminal em luz interior”, como diz o amigo/autor. Devo esclarecer logo, que não entendo nada dessas coisas de cultura oriental. Mas achei a sua brochura irresistível.

Logo no início, Leovaldo fala da vulgarização do sexo nos tempos que correm e propõe um reaprendizado poético das artes do amor, digamos assim.

Segundo ele “Na prática, os parceiros usufruem de contatos corporais íntimos, repletos de carícias, sem a conexão dos órgãos sexuais”. Tem graça uma coisa dessas? Imagine Adilson Maguila vendo um casal no lesco-lesco através do tal método:  “Vai comer ou quer que enrole? ”, certamente gritaria o boxer.          

Mais adiante, diz Albaralhão: “Quando houver um excesso de excitação da libido recomenda-se a realização de exercícios respiratórios com a finalidade de acelerar o processo de transmutação das energias”.

Imagine o amigo, doido pra tirar a roupa e ir às vias de fato, a sua parceira jogando aquela ducha fria nas suas pretenções: Isso querido… inspire profundamente…respire pela glote…transmutou?!  

Leovaldo esclarece que há o “tantrismo branco”, o mais nobre dos tantrismos, onde toda a energia sexual é “transformada em luz interior” e a ejaculação é totalmente descartada. E numa categoria completamente inferiorizada, há o “tantrismo negro”, onde a ejaculação sempre acontece “projetando a kundalini para os infernos atômicos do homem”. Ó tragédia descomunal!

Segundo o polêmico sexólogo, os atuais corpos masculino e feminino, têm resquícios dos nossos antecessores que teriam sido hermafroditas: as tetas masculinas seriam glândulas mamárias atrofiadas enquanto o clitóris é um pinto também atrofiado, mas ainda com grande número de ligamentos nervosos.   Ainda bem que nós homens não estamos mais fornecendo leite.

Mas, o capítulo que irritaria mesmo um espada convicto é o dos exercícios práticos para a transmutação. Nesse capítulo recomenda-se o fechamento dos “portais inferiores” durante o ato sexual, para estimular a melhor circulação da energia sexual. Por portais inferiores entenda-se os esfincteres e o reto, também chamados de terminal da zona sul. O autor sugere a “contração do tal orifício fazendo-se pressão com o dedo”. Como se não bastasse, o gajo recomenda ainda que a parceira ajude nesse processo, fechando com suas próprias mãos o “portal” do parceiro.

Finalmente, pra evitar comentários maldosos, esclareço que li o livro sem colocar em prática nenhum desses exercícios dos “portais”. Agora, se o caro amigo ficou interessado em dar uma lida nesse verdadeiro Kama Sutra alternativo; lamento companheiro, não está mais comigo. Está emprestado ao amigo Pedro Valadares, este sim um grande entusiasta do budismo tibetano.

 Até semana que vem.

 Um abraço do

 Apolônio Lisboa

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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