O CENTENÁRIO DE CARLOS MELO

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Carlos Fernandes de Melo
       A Academia Sergipana de Medicina promove no próximo dia 14 de outubro, no auditório da Sociedade Médica de Sergipe, sessão solene para celebrar o centenário de nascimento do médico Carlos Fernandes de Melo, patrono da cadeira 6 do sodalício. Em nome da Academia, o médico e acadêmico Paulo Amado Oliveira, secretário adjunto, fará o panegírico do saudoso ginecologista e obstetra que teve atuação destacada na vida médica de Sergipe nas décadas de 50 a 70, atuando principalmente nas maternidades Francino Melo e João Firpo, dos hospitais Cirurgia e Santa Isabel respectivamente.
       Auxiliar dedicado e fiel de Augusto Leite, teve ainda atuação importante na Casa Maternal Amélia Leite, na Sociedade Médica de Sergipe e no Conselho Regional de Medicina, do qual foi presidente por curto período.
     Carlos Melo nasceu em Aracaju  em 14 de outubro de 1910, sendo filho de João Carneiro de Mello e Antonia Fernandes de Mello. Colou grau  pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1932, iniciando suas atividades profissionais em Propriá,  atendendo convite do médico Moacir Rabelo Leite. Foi prefeito da cidade em 1938 e dirigiu o Hospital São Vicente de Paula até 1945, quando se transferiu para Aracaju.
      Tornou-se especialista em ginecologia e obstetrícia realizando curso no Rio de Janeiro, vindo depois a assumir a direção da Maternidade Francino Melo em substituição ao médico João Firpo, atendendo convite de Augusto Leite.  Atuou em seguida na maternidade do Hospital Santa Isabel, que curiosamente veio a receber  o nome de João Firpo, e nas clínicas Santa Lúcia e Santa Helena. 
       Dirigiu o Departamento da Maternidade e Infância da Legião Brasileira de Assistência, na gestão de quatro governadores:  José Rollemberg Leite,  Arnaldo Rollemberg Garcez, João de Seixas Dória e Celso de Carvalho. Um dado que revela a sua competência, dedicação e compromisso com a causa da saúde pública. Foi chefe médico do IAPB e Governador do Rotary Internacional distrito 455 de 1964 a 1965. É patrono da cadeira seis da Academia Sergipana de Medicina. Faleceu em 5 de dezembro de 1990, em Aracaju, com 80 anos, sendo sepultado no Cemitério Santa Isabel.
       Exerceu a profissão durante 55 anos de sua vida e costumava dizer que o exercício da Medicina deve ser o maior prazer do médico. “Exerci a medicina num tempo muito difícil, com dificuldades enormes de locomoção. Lembro que andávamos sobre um cavalo para atender pacientes em vilarejos e povoados” rememorou ele em entrevista a mim concedida em sua residência da rua Zaqueu Brandão, em  4 de novembro de 1990. Não mais conseguia andar, mas o raciocínio e a memória estavam afinados. Em 5 de dezembro, um mês após, ele falecia.
     Essa entrevista, que me marcou bastante, foi publicada no Jornal da Somese no mesmo mês de sua morte, tendo sido seguramente o último registro vivo do ilustre esculápio. Lembro dele naquele momento como homem feliz, no alto dos seus oitenta anos, sentado confortavelmente numa cadeira de rodas, fluindo lucidamente uma conversa descontraída, ágil e segura, ao lado de seu filho Carlos Fernandes.
          Carlos Melo aprendeu a tratar de seus pacientes sem discriminação, com carinho e como se cada um deles fosse um filho ou parente seu, e muitas vezes sem cobrar um só centavo. Ele se sentia bem agindo assim, e conforme me confidenciou, atendeu milhares de pessoas, de cangaceiros do bando de Lampião a soldados da volante. No seu período de 13 anos na cidade ribeirinha de Propriá, conseguiu como prefeito realizar obras de saneamento, o que muito lhe confortava.
         Foi casado com D. Maria Magalhães, carinhosamente conhecida como Tatá e uma das pessoas que mais lhe incentivava e com ela teve  sete filhos: Carlos Magalhães, odontólogo e jornalista, Ana Melo, ginecologista, Carlos Fernandes, engenheiro, João Carlos, Carlos Henrique Ana Elizabete, anestesista que reside nos Estados Unidos e Ana Cristina, arquiteta.
        Homenagear  a figura de Carlos Melo no seu centenário de nascimento é reverenciar a Medicina de Sergipe e seus vultos, verdadeiros discípulos de Hipócrates.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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