O ciclo virtuoso da UFS

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“É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”. A frase atribuída a Caetano Veloso talvez resuma o que está acontecendo com a Universidade Federal de Sergipe, essa jovem senhora de 40 anos agora completados. Tudo parece conspirar para que o projeto longamente gestado e que virou realidade com atraso no outono de 1968 finalmente amadureça e alcance o objetivo. A UFS que foi sonhada por idealistas e abnegados hoje se materializa pela força da própria grandeza, perseguindo como nunca o papel primordial de distribuir educação gratuita e de qualidade. O modelo de excelência nunca esteve tão próximo de ser alcançado.

Muito se fez em quatro décadas desde que num 15 de maio oficializou-se a incorporação de seis escolas superiores ou faculdades que ministravam 10 cursos. O primeiro reitor foi o médico João Cardoso do Nascimento Júnior. Uma década depois, criaram-se os centros universitários que agruparam os cursos das quatro grandes áreas do conhecimento e substituíram os institutos e faculdades. Logo depois, em 1980, gestão de Clodoaldo de Alencar, outro marco importante: a inauguração do Campus de São Cristóvão. Agora, com o plano de expansão em prática, a UFS atravessa novo — e provavelmente mais importante — ciclo virtuoso.

Por isso, o reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho divide a história da UFS em três momentos: o primeiro foi a inauguração, o segundo foi a construção da cidade universitária e o terceiro momento é a presente reestruturação. “A universidade não recebeu uma grande reestruturação desde quando foi inaugurada. Agora ela passa por uma modificação não só física como de posicionamento, tornando-se uma universidade voltada à inclusão”, afirma.

 

NESTE MOMENTO HÁ UMA CONJUMINÂNCIA DE FORÇAS querendo tornar a UFS melhor e mais respeitada. Depois de um governo desastroso para as instituições federais de ensino superior como foi o do sociólogo e professor universitário Fernando Henrique Cardoso, o governo do torneiro mecânico formado no Senai Luiz Inácio Lula da Silva fez exatamente o contrário. Priorizou o setor e será certamente o presidente que mais teve sensibilidade para investir nos centros irradiadores de ensino, pesquisa e extensão que neste país são as universidades públicas, notadamente as federais. Um ponto para a UFS.

Os políticos sergipanos de todos os matizes ideológicos, quase todos egressos da UFS, têm uma imensa simpatia pela instituição, coisa, aliás, que o reitor Josué não cansa de exaltar. O apoio que a UFS tem encontrado no Congresso, onde emendas importantes têm sido aprovadas todo ano, é digno de elogio. Como se fosse pouco, o mandatário do Estado, Marcelo Déda, é UFS futebol clube desde que cursou Direito e, principalmente, foi onde se iniciou na vida pública, sendo presidente do Diretório Central dos Estudantes. Como se fosse pouco, Déda e Josué foram da mesma família (o reitor é cunhado da ex-mulher do governador) e mantêm uma longa e sincera amizade. Mais um ponto para a UFS.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, também é um egresso da Universidade Federal de Sergipe, onde cursou Medicina e onde sucedeu a Déda no DCE, da mesma forma iniciando-se ali na política. Mais um pontinho para a UFS.

E, por que não dizer, a instituição tem a sorte de num momento importante da sua existência ser dirigida pelo professor Josué Modesto dos Passos Subrinho — um sobrenome erradamente grafado por um desavisado escrivão, mas o nome certo no lugar certo. Josué conhece a UFS como ninguém, porque ali foi estudante, estagiário, servidor, professor e vice-reitor antes de ser o principal administrador. E, por isso mesmo, gere a instituição como se fosse a própria casa: com serenidade, atenção a todos as demandas e problemas domésticos, e austeridade. Na gloriosa missão, é apoiado pelo amigo e fiel escudeiro Angelo Antoniolli, vice-reitor.

 

PRESTES A COMPLETAR O PRIMEIRO MANDATO, o reitor acredita que a Universidade Federal de Sergipe enveredou, nos últimos três anos, pelo caminho do crescimento com sustentabilidade. Enquanto o campus de São Cristóvão e o campus da Saúde, em Aracaju (onde fica o Hospital Universitário), são ampliados, novos campi vão surgindo no interior, como o de Itabaiana e o de Laranjeiras.

No Processo Seletivo Seriado de 2004, a UFS oferecia cerca de 2 mil vagas em 54 opções de cursos. Em 2006, a UFS já disponibilizou 2.415 vagas para o campus de São Cristóvão e 500 vagas para o campus de Itabaiana. Novos cursos apareceram e agora a oferta atingiu 4.070 vagas em 82 opções de cursos nos quatro campi. E a UFS democratiza a distribuição das vagas: dos aprovados no último vestibular, 53,80% são

oriundos da rede particular de ensino e 34,40% das escolas estaduais. O restante é egresso das escolas municipais e federais.

O ensino à distância foi implantado e já uma realidade. Em 2007, o Centro de Educação Superior a Distância (Cesad) implantou sete cursos de Licenciatura na modalidade semi-presencial em nove pólos (Arauá, Areia Branca, Brejo Grande, Estância, Japaratuba, Laranjeiras, Poço Verde, Porto da Folha e São Domingos). E foi realizado processo seletivo para 2.250 vagas nessa modalidade.

Na pesquisa e pós-graduação, a partir deste ano a UFS conta com 17 cursos de mestrado e quatro cursos de doutorado — contra oito e um em 2004, ano de início da atual administração. O número de artigos produzidos por docentes publicados em periódicos indexados à Web of Science passou de 56, em 2004, para 100, em 2007. O indicador é o mais utilizado internacionalmente para aferir a qualidade da pesquisa científica acadêmica e a inserção internacional da universidade e confirma a evolução da qualidade da produção científica dos docentes da UFS nos últimos três anos.

 

NO MESMO PERÍODO, O NÚMERO DE DOCENTES DOUTORES no quadro efetivo da UFS passou de 165 para 324, enquanto o número total de docentes no quadro efetivo evoluiu de 461, em 2004, para 581 em 2007. A proporção de docentes com doutorado em relação ao número total de docentes passou de 35,8% para 55,8%.

Para a administração da instituição, o ano de 2007 ficará marcado como um dos mais importantes da história recente da UFS por conta da adesão ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que visa criar condições para a ampliação do acesso e permanência dos estudantes de graduação, para a elevação do nível de qualidade dos cursos e para o melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos.

Com o crescimento da universidade, só em 2007 foram contratadas 26 obras com recursos próprios da UFS, convênios, emenda ao Orçamento Geral da União e do Ministério da Educação, além de parcerias com outros ministérios e o governo estadual. “É bom lembrar que essas ampliações, reformas e construções estão sempre atreladas ao crescimento da oferta em todos os segmentos de atuação da UFS, uma universidade que não pára de crescer e neste ano já contratou 18 novas obras, algumas iniciando agora e outras em andamento”, diz, orgulhoso, Josué Modesto.

Como se vê, o ciclo virtuoso da UFS continua.

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