O CINEMA EM ARACAJU NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

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                   Caroline de Alencar Barbosa

Graduanda em História na Universidade Federal de Sergipe
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)
Bolsista Cnpq do projeto Quando a guerra chegou ao Brasil: ataques submarinos e memórias nos mares de Sergipe e Bahia (1942-1945) e-mail: caroline@getempo.org

Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard

Trabalho apoiado pelo projeto "Quando a Guerra chegou ao Brasil: Ataques submarinos e memórias nos mares de Sergipe e Bahia (1942-1945)", Edital Universal CNPq 2014.

Durante o período que compreende a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a cidade de Aracaju recebia as noticias do conflito principalmente através das páginas dos jornais e suas manchetes. Dessa maneira criou-se a ideia de que a guerra permanecia distante e restrita àquelas notícias.

Analisando os jornais da época como “Correio de Aracaju” e “Folha da Manhã”, percebemos que os cinemas consistiam em locais que, além de serem espaços de sociabilidade e entretenimento da população aracajuana, traziam as últimas notícias acerca do conflito.

Em meados de 1942 os cine jornais , noticiários que eram apresentados antes das exibições das películas, traziam as novidades sobre a guerra. Em junho de 1942, no cinema REX o jornal da guerra apresentava aos seus frequentadores “a batalha do mar de coral e outros aspectos da guerra nesses últimos tempos” Correio de Aracaju (p.2). A batalha do Mar de Coral ocorreu entre 4 e 8 de maio de 1942 e consistiu em um embate onde, de um lado se apresentavam os americanos e australianos e do outro o Japão.

Mas, poucos meses depois, após os torpedeamentos a navios mercantes brasileiros em agosto de 1942 entre os mares de Bahia e Sergipe a guerra tornou-se um assunto do cotidiano da cidade de Aracaju. O episódio onde corpos dos tripulantes e restos de cargas dos navios torpedeados chegam às praias aracajuanas trouxe a consciência de que o conflito não era mais algo distante.

Após esse fato a insatisfação popular em diversos locais do Brasil pressiona o governo a tomar uma posição e dessa maneira o Brasil declara guerra às potências do Eixo. Blackouts, racionamento, carestia e vigilância constante passam a fazer parte do cotidiano da cidade.

Uma nova ordem que se estabeleceu após os torpedeamentos com diversas restrições como, por exemplo, o toque de recolher. No que diz respeito aos cinemas percebe-se como alguns costumes passam a ser considerados condenáveis por parte dos cidadãos. Os cinemas deveriam exibir suas películas a partir das 17 ½ horas e relógios deveriam ser instalados em locais visíveis ao público. O que se anuncia a partir de uma notícia no Correio de Aracaju em 1943 é a insatisfação dos “habitués” dos cinemas em relação aos donos dos estabelecimentos, que descumpriam as ordens vigentes. Afirmava-se que “a projeção só começava à vontade do seu proprietário, isto é, às 19,40, 19,50 e 20 horas” (p.2).

Nesses cinemas eram exibidos filmes relacionados ao conflito como, por exemplo, “Comboio” que fora realizado durante batalhas reais da Marinha Inglesa e “Casei-me com um nazista”, que narra a história de uma americana que se casa com um alemão e a partir disso passa a “sofrer com as consequências da alucinação nazista do marido” Correio de Aracaju (p.3). Ambos foram apresentados no cinema Rio Branco em 1943. Os jornais de guerra foram mantidos no que se intitulava um “programa antinazista”.

Os cinemas consistem até os dias atuais em espaços de lazer que, além do entretenimento, proporcionam ao seu público interpretações sobre aspectos do cotidiano. Da mesma maneira, os cinemas aracajuanos durante a Segunda Guerra Mundial se caracterizavam como espaços de socialização, além de informarem sobre os principais acontecimentos relacionados ao conflito e suas implicações.

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