O COLAPSO ECONÔMICO DE 1929

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Gabriela Rezendes Silva
Graduada em História (UFS)
Integrante do GET (UFS/CNPq)
E-mail: gabriela@getempo.org
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard

O século XX sem dúvida fora um século de incertezas políticas, econômicas e sociais. A Grande Depressão – ou quebra da bolsa de valores de New York, como ficara conhecida – marcou profundamente o mundo capitalista. Pela primeira vez na história do capitalismo, não se conseguia visualizar uma resolução para o problema, a crise fez cair por terra à imagem do mesmo como um sistema perfeito.

Se no final do século XIX e início do século XX as crises eram tidas como condição para a permanência do sistema, após a I Guerra Mundial, isso muda totalmente. O que antes era tido como ciclos do capitalismo, agora tornava-se o maior pesadelo dos grandes investidores e posteriormente da população em geral, que sentiam os sintomas da crise no dia a dia.

O epicentro da Grande Crise fora os Estados Unidos da América, o país que se tornara no início do século, potência mundial. Durante o período da I Guerra Mundial os EUA exportou muito para a Europa e América Latina. No decorrer dos primeiros anos do pós-guerra, o consumo e a grande produção de bens duráveis e não duráveis continuavam na América – estava em alta o “modo de vida americano” –, o mundo ocidental vivia uma época de consumismo exacerbado. Era um momento de grandes investimentos na bolsa de valores.

O ano de 1929 tenderia a marcar profundamente a história do modo de produção capitalista. Após o fim da guerra, o fluxo de produção continuou o mesmo, no entanto, as consequências do conflito foram catastróficas para os países europeus. A Europa ficou arrasada – no aspecto geográfico, político, econômico e social –, a desconfiança estava presente em todas as transações econômicas e políticas, o que tendiam a piorar o que já não estava bom. Os países passaram a desenvolver um “protecionismo” econômico, buscando-se comprar menos e vender mais. Assim, a forte onda de desconfiança do mundo pós-guerra, corroborou para uma significativa diminuição no intercâmbio comercial entre os países. O que era uma saída de emergência – proteger sua economia – tornou-se medida perigosa. A crise deixa de ser percebida como um dos ciclos econômicos comuns ao modo de produção capitalista e se torna um verdadeiro colapso econômico, sem data de fim.

Nessa conjuntura de caos e desespero – sim, pois muitos se suicidavam, entravam em depressão – a miséria e o desemprego alcançam índices absurdos, dando espaço para surgir figuras que marcariam o século. Com discursos e intervenções que prometiam conter a Grande Crise, surge a figura de Adolf Hitler na Alemanha, e Roosevelt nos EUA.

Assim, a partir de meados da década de 1930, dar-se um basta no liberalismo econômico e o Estado passa a intervir de maneira firme no mercado. O New Deal – Plano desenvolvido por Roosevelt – é um grande exemplo dessa intervenção estatal, em que o Estado passa a vigiar o mercado, a disciplinar os empresários e a corrigir os investimentos arriscados, fiscalizando as especulações nas bolsas de valores. O governo ainda desenvolveu medidas de proteção aos trabalhadores e criou inúmeras empresas estatais. Com isso, se comprovou que o mercado não é capaz de resolver todos os problemas como se pensara até início do século e que de fato, se faz necessária a intervenção do Estado.

Dentre os muitos acontecimentos que tornaram o século XX um período sombrio, a Grande Crise foi um deles. Por se tratar de um problema de nível mundial, o colapso econômico levou o desespero ao mundo capitalista. Até mesmo os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil e a Argentina, sentiram de perto suas consequências.

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