O CRACK REDUZ O INTERESSE PELO SEXO

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Teoricamente, imaginávamos que as pessoas usuárias do crack apresentariam uma intensa atividade sexual, pois como estavam sob o efeito da droga, passariam, de forma compulsiva, a aumentar o número de relações e também o número de parceiros (as) sexuais.  Puro engano. O último trabalho realizado junto aos usuários do crack da região central de Aracaju e nos bairros Industrial, Coqueiral, Santos Dumont, Bugio, Santa Maria e Coroa do Meio, pela equipe da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe, através da Gerência Estadual de DST/AIDS em parceria com Organizações Não Governamentais, onde foram entrevistados 382 usuários de crack e realizados exames para diagnóstico do HIV e Hepatite C, mostrou que muitos usuários de crack, após algum tempo de uso, tornaram-se “assexuados” ou diminuíram as relações e o número de parceiros sexuais. Foram detectados doze soropositivos para o HIV e nove para Hepatite C. A surpresa para nós, é a revelação da diminuição da atividade sexual, meses e até anos após o uso do crack.

Pesquisamos a existência de outros trabalhos no Brasil, que associem o uso do crack e a mudança de comportamento sexual. Alguns mostram que o uso do crack, por exemplo, em adolescentes, “apressa” o início da relação sexual. Entretanto, muitos trabalhos indicam que o “prazer” do sexo é trocado pelo “prazer” da droga.

Estudos demonstram que as drogas consumidas por via fumada são as mais “aditivas” (que produzem dependência rápida). O crack, um subproduto da cocaína, é uma das substâncias com maior potência de indução do usuário ao vício. Apresenta um curto tempo entre a administração e o efeito, cerca de oito segundos, muito mais rápido quanto comparado a outras formas de uso da cocaína. Após algum tempo de uso, o indivíduo perde a sua capacidade de controlar o consumo droga. O crack passa a controlar o indivíduo, e não o contrário, que ocorreu no momento da experimentação inicial.•.

Percebemos que os usuários de drogas apresentam abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da droga. O crack propicia a liberação rápida de dopamina, um neurotransmissor que ativa as regiões do cérebro que levam à dependência. Como parâmetro de comparação observa-se que a concentração basal deste neurotransmissor durante o uso da droga é quase seis vezes mais alta do que aquela obtida no prazer sexual.
O impacto das drogas sobre a vida das pessoas é evidente e o comportamento sexual é uma das atividades que sofre profundas mudanças diante da dependência química. O não uso do preservativo nas relações sexuais e até a troca do crack por “favores sexuais” são alguns dos comportamentos observados, principalmente naquelas pessoas envolvidas com as atividades de prostituição.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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