O custo de um trabalhador formal, por Edmir Pelli

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Para quem sabe o custo de um trabalhador formal, não é surpresa a manutenção dos altos índices do desemprego. O país está pagando caro o adiamento da reforma trabalhista desde o governo Fernando Henrique Cardoso e pelos dois anos e meio do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Num mundo globalizado, onde vale a competitividade de cada participante, o custo do emprego coloca o Brasil em desigualdade diante dos adversários. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem 13,8 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade. Eles são quase 25% do total da população ocupada no país e cerca de 60% está na faixa dos 18 aos 39 anos de idade. Segundo, ainda, a pesquisa, 84% dos camelôs, taxistas, catadores de lixo, motoristas de vans e kombis e donos de pequenos negócios querem continuar na informalidade.

O maior problema para esses trabalhadores não é hoje, mas sim amanhã, pois a informalidade deixa o trabalhador sem proteção social, tendo em vista que poucos são os que pagam a Previdência Social. O setor produtivo vem revelando temores sobre os rumos das reformas trabalhista e sindical. As alterações previstas pelo governo deverão significar não só um aumento dos conflitos entre empregados e empregadores, como também servir de estorvo a novos investimentos.

Ainda de acordo com setor produtivo, a proposta do governo no lugar de estimular as livres negociações entre patrões e empregados, levará a um crescente tensionamento entre sindicatos e empresas. O projeto permite, por exemplo, que uma companhia seja acionada pelos sindicatos mesmo que os filiados não queiram.

A modernização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) enfrenta fortes resistências corporativistas e ideológicas, atrelado a garantias que já não se justificam. Por outro lado, os sindicatos também não aprovam todos os termos da proposta de reforma da CLT, tanto que uma nova central sindical foi fundada recentemente e cuja primeira bandeira é a luta para evitar a aprovação da reforma trabalhista, nos termos que foi proposta.

O Brasil precisa se debruçar sobre planilhas, estatísticas e contas e debater qual o caminho a seguir para gerar empregos, assim como discutiu e aprovou a Parceria Público-Privada. Governo, Congresso, sindicatos de patrões e trabalhadores precisam demonstrar que sabem o que é preciso fazer.

Assim sendo, para evitar o desemprego, a informalidade e a queda da renda, Governo, Congresso, Sindicatos de patrões e trabalhadores precisam ser mais condescendentes nas negociações, tendo em vista, que só um ambiente competitivo permitirá o desenvolvimento e a multiplicação de novos postos de trabalho.

EdmirPelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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