O dia em que entrevistei Jorge Amado

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(Fotos: Divulgação colunista)

Remexendo o meu baú de lembranças encontrei uma entrevista que realizei com Jorge Amado em 1991.Nosso primeiro encontro aconteceu no Pen Clube do Brasil e foi  ciceroneado pelo comum amigo Antonio Carlos Villaça. Estávamos  em pleno fim de tarde do verão carioca.

A figura extremamente simples, semblante calmo, voz tranquila, descia pelas escadas e ocupava todo o salão do 9 andar. O abraço caloroso no Villaça. Antigos amigos que se rencontravam….

O escritor era fiel a sua baianidade. Vestia blusão estampado, calça jeans e sandálias de couro. Ele veio atendendo ao pedido do velho amigo para conhecer o jovem escritor e jornalista que acabara de publicar o ensaio jornalístico O Que Eles Pensam.

O livro foi premiado pela Academia Brasileira de Letras como revelação de 1991. Era tudo que eu precisava para continuar no ofício de escritor. Decidi então escrever o volume 2. E o Baiano Universal não podia faltar. Já tinha tentado uma entrevista antes mas Jorge morava tempos em Paris e tempos no Brasil. Finalmente havia chegado a hora.

Jorge punha-se a falar sobre temperos, comidas e a velha Paris. Ameacei  ligar o gravador mas ele pediu gentilmente que deixássemos a entrevista para outro momento. Ele queria respirar o Brasil. Ouvir o Villaça. Combinamos que enviaria as perguntas e que ele devolveria via correio. Não tínhamos email, internet. Era na máquina de escrever.

O escritor foi fiel a promessa e enviou as respostas . Guardei o original corrigido a mão e com a sua assinatura e agora divido com vocês.

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