O ENEM, novamente.

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 Saiu o resultado do ENEM – 2010. Volto ao tema qual samba de uma nota só, repetindo os artigos anteriores “O Resultado do ENEM” de 8 de abril de 2008, “O ENEM, o SARESP e o dolo de ninguém” de 11 de novembro de 2011, e “ENEM: Um exame brocha” de 23 de julho de 2010. O ENEM, como concebido não afere nada, insinua uma tentativa de avaliação.

E qual a grande falha, repito: não ser obrigatório, não ensejar responsabilidades: nem do aluno, menos do professor, e pior do diretor da escola pública, por leniência, e da particular por insurgência, rebeldia em fingida inocência; um conjunto escasso de decência e proficiência, num excesso de insurgência, resiliência e prepotência. Todos se juntando para torpedear o ENEM e a sua pretendida avaliação.

Mas, não será isso compreensível? Quem gosta de ser avaliado? Ninguém! E isso é tão verdadeiro que a “moderna” pedagogia abomina a reprovação, afinal decorridos os períodos letivos, se a aprovação não aconteceu, a promoção se faz por premiação, afinal algo sempre fica, nem que seja uma sedimentação lodaçal do que foi ministrado. Ou seja: simula-se que houve ensino, finge-se que houve avaliação, disfarça-se festivamente audaz conquista, só para dizer que a escola precisa se diferenciar da vida, onde, em maioria há fracassos que sucesso.

E neste amplo estuário de certezas, tudo vale; inclusive o vale tudo e o acima de tudo. No vale tudo, bem se acode qualquer vantagem ancorada na Lei do Gerson. E no acima de tudo, não há nada superior acima da decisão e da reinvindicação assembleísta para a remuneração do ócio a qualquer preço. É a velha história: não pise no meu piso. E o ensino sem contrapiso, nem contrapesos vira refém das palavras de ordem em sobrepeso de má educação.

Que faz então o ENEM neste angu constupidor de fétida obração? Quer avaliar o aluno sem avaluar a educação, ou quer, criando um ranking de escolas, Brasil a fora, deixar um dado audaz impreciso para consideração?

Ora, não é nada disso. É muito difícil o Estado definir uma política de Educação. Primeiro porque o planejador estatal acha-se acima do cidadão comum quando lhe deseja tolher a liberdade. Neste particular é sempre terrível o “Grande Irmão”, pedagogo, seja na ficção de George Orwell em 1984, ou na não-ficção dos regimes totalitários do século que passou. E em segundo lugar para não seguir sequência, que dizer das decisões congressuais quando ali se ousa mudar as leis e os hábitos, querendo refazer o mundo com sobeja demagogia?

No caso do piso salarial docente, por exemplo, uma política assaz compreensível, não foi uma imprudência criminal aprovar uma lei que não se enquadra com os escassos orçamentos de Estados e Municípios? Por acaso ainda se acredita que o Estado, se assim o desejar, encarna-se como grande Midas gerador de riqueza, ou em pose de Robin Hood, pode sugá-la do contribuinte que grita contra a velocidade “alucinante” do impostômetro?

Mas, o assunto é ENEM. E é do seu resultado que pretendo discutir, antes dizendo que é muito complicado colher o divulgado na internet. As tabelas são confusas, compartimentadas, dificultando análises comparativas.

Dizem que é porque o ENEM deseja avaliar o alunado e assim só este deveria ter acesso ao resultado.

Todavia, com os dados divulgados pela imprensa, as escolas sergipanas ficaram pessimamente qualificadas frente aos demais Estados, uma interpretação de quem deseja remasterizar o ensino, nivelando condições eminentemente diferentes.

O resultado no ranking nacional foi assim:

Resultado divulgado

Conforme se vê na tabela aao lado, muitos dos colégios famosos não aparecem na listagem porque o ENEM resolveu qualificá-los em quatro segmentos: o primeiro, compreendido pelas escolas que participaram do certame acima de 75%; o segundo, entre 50 e 75%; o terceiro, entre 25 e 50%; e o quarto, entre 0 e 25%.

Como só houve comparação dos colégios do primeiro segmento, os que ali não estavam ficaram inconformados com tal apodo moralizador; uma resposta corretíssima do MEC que, não querendo ainda impor a obrigatoriedade do exame, já se arvora no direito de analisar um universo mais confiável como expressiva representação colegial.

Todavia, eu entendo que melhor seria aplicar um índice moralizador, qual seja o de retribuir com nota Zero àquele alunado que faltou a prova e foi reprovado por WO. Neste particular, a colocação bem poderia ser assim:

Um resultado não muito agradável
O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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