O EQUÍVOCO LULA

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O Partido dos Trabalhadores, todas as suas tendências, até alguns personagens petistas mais próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem consciência que a sua indicação para ser o principal mandatário do país foi um grande equívoco. Deixando de lado a questão do preparo intelectual, o metalúrgico Lula da Silva não tem muita intimidade com o trabalho, é um zero à esquerda na articulação política e não estava preparado para promover a reforma política, econômica e social de um Brasil repleto de distorções éticas e extremamente viciado. Lula teve apenas um mandato parlamentar. O deixou sob pretexto de que estava junto a trezentos picaretas no Congresso Nacional. Voltou à vida de líder sindical, com reuniões, movimentação em frente às fábricas e uma cachacinha depois, que ninguém é de ferro. Nada de preconceito, mas o Lula não poderia ultrapassar o limite de uma liderança que mexia multidões para reivindicações salariais, gritando palavras de ordem. Mais que isso era demais, o que está sendo comprovado agora.

Quando Lula viajou à Paris, onde participou da festa de aniversário da queda da Bastilha, pensava que aumentaria a sua condição de candidato a sentar em uma cadeira da ONU. Talvez tenha se divertido muito com o vinho, o champagne e a culinária francesa, mas não se sentiu confortável com o que disse a imprensa a seu respeito e ao Brasil. A revista britânica The Economist informou que “o pior escândalo político do Brasil nos últimos 15 anos tomou proporções cinematográficas”. Se economicamente a posição do país merece elogios da imprensa internacional, politicamente é um desastre. Na reportagem, a revista britânica argumenta que o Brasil tem “sido menos eficiente do que julgava, na guerra contra a corrupção”. Há uma constatação na publicação: “comprar votos” não é novidade em Brasília, “onde presidentes precisam de apoio de parlamentares volúveis”. A The Economist relata que desta vez a dimensão do escândalo é um golpe duro para o governo Lula.

Outros jornais europeus fizeram referências à crise política no Brasil, provocada pelo partido do presidente Lula. O jornal espanhol El Mundo diz que enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assistia o desfile que comemorava a queda da Bastilha em Paris, “seu país seguia recordando a França jacobina. As cabeças de figuras destacadas do PT e do governo não param de cair”. Essa afirmação é feita no principal editorial do dia – ontem – intitulado “A corrupção lança sombras sobre Lula”. Além de merecer um editorial pouco simpático, nas páginas de notícias internacionais o El Mundo divulga a demissão do diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo Lima e Silva, com uma reportagem intitulada “A corrupção persegue Lula até Paris”.

Já o jornal americano The New York Times publica matéria sobre os planos para ampliar o Conselho de Segurança da ONU, que é um dos objetivos do presidente Lula. Para o jornal, “os planos podem não dar em nada”. E explica: “Os quatro países que lançaram uma ofensiva diplomática conjunta por cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU – Brasil, Alemanha, Índia e Japão – estão enfrentando uma oposição inesperadamente forte”, diz a reportagem. Os principais focos de resistência a poucos dias da votação na Assembléia Geral da ONU, segundo o jornal, são propostas alternativas apresentadas pela União Africana e por um grupo de países que inclui a Argentina.E os Estados Unidos, continua o diário nova-iorquino, adotou nos últimos dias a posição de que a ampliação do conselho é “prematura” porque não há “consenso” sobre o que fazer.

Os acontecimentos que enxovalham partidos e políticos brasileiros estão chegando ao exterior de forma que atingem o presidente Lula, o que dificulta a luta que ele empreende para fazer uma imagem diferente do Brasil lá fora. O aconselhável seria repensar esse projeto, atuar decididamente na condução do processo de investigação e tomar medidas duras e drásticas de colocar na cadeia os integrantes deste esquema de corrupção.

O grande problema é que os fatos respingam no Planalto, porque foram encabeçados por pessoas da cozinha do presidente o que, logicamente, atingem Lula com a dúvida de que ele estaria sabendo de tudo que ocorria nas salas vizinhas ao seu gabinete.

MOMENTO
O prefeito Marcelo Déda (PT) não tem dúvida de que o PT está passando pelo momento mais difícil da sua história.  Segundo ele, ao longo dos últimos 25 anos o partido construiu uma referência ética que produziu um patrimônio político extraordinário.

EQUÍVOCOS
Déda reconhece que, infelizmente o partido cometeu equívocos que estão custando muito, “mas temos energia, história e projeto para nos reerguer”. Disse ainda: “creio que nos reconstruiremos com mais humildade, com menos arrogância, com mais tolerância”.

ENCONTRO
Está sendo marcado, para a próxima semana, um encontro com as lideranças mais expressivas do bloco oposicionista, para discutir o atual momento político. O pessoal que fazer uma avaliação de possíveis estragos que essa onda de corrupção tenha provocado em Sergipe e analisar as eleições de 2006.

DUTRA
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), está esperando apenas a indicação do substituto para deixar a estatal. Dutra vai retornar a Sergipe, onde iniciará um trabalho político, já se preparando para disputar o Senado, como companheiro de chapa de Marcelo Déda.

ALMEIDA
O senador Almeida Lima (PSDB) vai retornar às suas atividades no Congresso, no reinicio dos trabalhos no segundo semestre. Por enquanto ele se mantém em silêncio, mas a cúpula do PSDB continua tendo-o como candidato ao governo do estado em 2006.

DEMISSÃO
Gorette Reis (irmã de Jerônimo) pediu demissão ontem da direção da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Em sua carta alega motivos pessoais e políticos. Na próxima segunda-feira, Gorette Reis assume a Secretaria Municipal da Saúde em Lagarto, substituindo ao sobrinho Sérgio Reis.

PAIXÃO
O deputado federal Ivan Paixão (PPS) acha que haverá uma cobrança muito grande da sociedade para redução de gastos de campanha. Reconhece que o processo eleitoral brasileiro está cheio de vícios, com a participação de empresas públicas e privadas, que comprometem os parlamentares eleitos.

LISTA
Ivan Paixão admite que a lista fechada será derrotada, porque ela pode favorecer a uma abertura de reserva mercados, beneficiando os presidentes de partidos. O deputado vê um benefício na lista: “como é partidária, tira o estímulo de quem quer comprar voto para eleger-se”.

INQUÉRITO
Quanto o comportamento da sociedade em relação às CPIs, Ivan Paixão diz que a sociedade quer ver resultados e que se puna os corruptos. Acha que ninguém vai aceitar que o relatório apresente apenas o servidor Marinho, que recebeu R$ 3 mil, como único culpado.

RISCO
O detento Antônio Francisco corre risco de vida na UTI. A elasticidade das veias está comprometida e não suporta o fluxo sanguíneo. Em razão da alta de pressão, com a flacidez das veias, Antônio Francisco pode sofrer um infarto fulminante a qualquer momento.

VISITA
Ontem pela manhã, Antônio Francisco recebeu uma visita ilustre: o ex-governador Albano Franco, que passou 45 minutos ao eu lado. Francisco foi correligionário de Albano há muitos anos e acompanhava politicamente o seu pai, ex-governador Augusto Franco.

GOVERNO
Parte do grupo aliado ao ex-governador Albano Franco (PSDB) defende que ele seja candidato ao governo do Estado. Albano recusa porque o seu objetivo é disputar o Sendo Federal e está trabalhando discretamente para isso.

AFASTA
Um parlamentar admitiu que o presidente Lula já afastou do seu convívio o pessoal que imagina envolvido em todos esses problemas. Começou com José Dirceu, depois com Guschiken e os demais membros da cúpula partidária que influenciavam no seu Governo. Esse pessoal foi entregue às bruxas…

PRESIDENTE
O professor Adelmo Macedo (PAN) será candidato a presidente da República pelo seu partido. A convenção será em junho do próximo ano. Adelmo chegou sexta-feira de uma reunião do partido, ocorrida no Rio de Janeiro, e o seu nome foi escolhido para disputar a Presidência. Trabalha-se agora a formação da chapa.

Notas

TELEFONIA
A Câmara analisa o projeto que fixa em até dois minutos o prazo para se iniciar o atendimento ao consumidor em centrais telefônicas de empresas. O projeto obriga ainda que essa modalidade de serviço ofereça a opção “atendimento pessoal” no menu eletrônico, para dar acesso imediato à telefonista. Pela demora no atendimento, muitas vezes o consumidor “prefere abrir mão de fazer uma reclamação por falta de tempo ou de paciência para lidar com sistemas telefônicos automatizados, complicados e lentos”.

HABITAÇÃO
Mutuários de baixa renda – com renda, isolada ou somada à do cônjuge, de até dez salários mínimos – que contraírem financiamentos habitacionais podem gozar de isenção de juros pelo período de três a cinco anos. Assim, os valores das prestações serão contabilizados como amortização do saldo devedor. Essa é uma das boas novidades contidas no projeto de lei do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) que institui o Programa Social da Habitação (PSH) no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), para atingir maio número de pessoas.

SEGURO
O senador César Borges (PFL-BA) quer exigir do trabalhador que pleiteie seguro-desemprego a freqüência a cursos gratuitos que facilitem sua reabsorção pelo mercado de trabalho. Não havendo esses cursos, o desempregado deverá colaborar com a comunidade, prestando serviços voluntários. Isso é o que prevê projeto de autoria do parlamentar baiano que receberá decisão terminativa na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O objetivo é fazer com que o seguro desemprego dê retorno à Nação.

É fogo

Para o deputado João Fontes (PDT), o sujeito que entregou sua irmã à polícia no caso da intervenção de sua administração na Prefeitura, é capaz de tudo.

Um homem que retirou a camisinha durante relações sexuais com uma prostituta foi multado na Nova Zelândia por ter colocado a vida dela em risco.

O promotor de Justiça José Luís Melo tomará posse no cargo de procurador de Justiça dia 1º de agosto.

A solenidade de posse de José Luiz Melo será realizada às 17 horas no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, localizado na praça Fausto Cardoso.

Vários deputados de diversos partidos já estão dando explicações sobre a ida dão Banco Rural, agencia do Brasília Shopping.

O empresário Marcos Valério já diz que tem denuncias que envolvem deputados do PSDB e PMDB. Será uma loucura.

O prefeito de Capela, Manoel Messias dos Santos (Sukita), PSB, assinou convênio com a Caixa Econômica Federal, para construção de 50 casas no povoado Miranda.

Ainda vai dar muito que falar o processo que está rolando em Lagarto, envolvendo políticos de alto escalão, empresários e profissionais liberais.

O deputado federal Ivan Paixão diz que a maioria dos brasileiros está tonta com o grande número de denuncias de corrupção.

A maioria dos políticos que transita nas estradas nos finais de semana está reclamando das péssimas condições das rodovias.

As chuvas que caíram ultimamente também fizeram um estrago muito grande em algumas ruas movimentadas de Aracaju.

A obra da ponte que ligará Aracaju à Barra dos Coqueiros está sessenta dias adiantada. A etapa de construção dos pilares já foi concluída.

As taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras para uso do cheque especial e operações de empréstimo pessoal ficaram estáveis em julho na comparação com junho.

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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