O FASCISMO NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O TEMPO PRESENTE

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Caroline de Alencar Barbosa

Graduanda em História na Universidade Federal de Sergipe
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)
Bolsista COPES do projeto “Aracaju em tempos de conflito: Estudos dos espaços de lazer na Segunda Guerra” apoiado pelo Cnpq e pela /POSGRAP/COPES/UFS
Apoio dos projetos Memórias da Segunda Guerra em Sergipe (Pronem, FAPITEC/CNPq) e Quando a Guerra chegou ao Brasil: a submarinos e memórias mares de Sergipe e Bahia (1942-1945), (Edital Universal 2014/CNPq).
e-mail: caroline@getempo.org
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard

Trabalho apoiado pelo projeto "Quando a Guerra chegou ao Brasil: Ataques submarinos e memórias nos mares de Sergipe e Bahia (1942-1945)", Edital Universal CNPq 2014.

O século XX caracterizou-se por um tempo de amplas modificações no cenário mundial, grandes expectativas foram criadas a partir desse período marcado por renovações tecnológicas como, por exemplo, o cinema, a conquista de direitos, o avanço nos diálogos entre nações e a busca pelo “direito à felicidade” como cita Francisco Carlos Teixeira da Silva em seu capítulo de “O século sombrio” (2004).

Mas em que consiste esse direito à felicidade para a sociedade contemporânea? Segundo o filósofo italiano Giorgo Agambem (1942-) o conceito de felicidade perpassa por termos como magia. Nas sociedades contemporâneas temos essa noção atrelada a bens materiais, status social e o que é possível conquistar. Nessa corrida pelo sucesso muitos aspectos foram interpretados de forma errônea gerando conflitos ideológicos e consequências que ecoam em nosso cotidiano.

Os avanços científicos que cercam o século XX trouxeram benefícios, mas também destruição, as ideologias produziram massacres em massa. A busca dos países por um status de “potência” levou o mundo a um colapso de opiniões que culminaram em duas grandes guerras mundiais e diversas ditaduras.

Historicamente sempre existiram guerras, porém a capacidade de destruição que o século XX trouxe aos olhares mais atentos foi sem precedentes, pois nunca tantos inimigos foram vistos.

Em “A era dos extremos”, Eric Hobsbawn (1917-2012) apresenta-nos um olhar panorâmico de diversos intelectuais sobre o século XX, dentre eles nos chama a atenção à descrença em um século que prometia renovação. René Dumont (1904-2001), agrônomo e ecologista francês já destaca o século XX como “um século de massacres e guerras”.

Explorando esses diversos acontecimentos que marcaram o século XX chamamos atenção aos fascismos que influenciaram vários conflitos. Com uma extrema perspicácia, os países que adotaram a ideologia fascista utilizaram de uma grande capacidade de persuasão das massas a partir de instrumentos de propaganda eficientes.

A perseguição às minorias é um dos objetivos dos movimentos de cunho fascista onde o racismo encontra-se enraizado no modo de ação política em função de uma categoria superior, que se coloca como vítima de determinado grupo, assim como a Alemanha que promoveu uma intensa perseguição aos judeus, considerados como o mal da sociedade e responsáveis pelas mazelas da população alemã. Além desses, os ciganos, negros, homossexuais também foram alvo da intolerância alemã. Sendo assim, entendemos o fascismo como algo construído historicamente, sendo o “inimigo” escolhido de acordo com o regime social vigente.

A filósofa política alemã Hannah Arendt (1906-1975) já afirmou que: “a vitória totalitária pode coincidir com a destruição da humanidade, pois, onde quer que tenha imperado, minou a essência do homem. Assim, de nada serve ignorar as forças destrutivas de nosso próprio século.” (p.13).
Portanto, ao analisar o século XX, percebemos que ele trouxe à tona questões nunca abordadas que nos permitiram perceber os excessos que os homens comentem em prol de seus objetivos maiores. Um tempo que tem ecos em nosso dia-a-dia, com a ressurgência dos movimentos extremistas e a intolerância como parte do cotidiano. É perceptível o retorno aos antigos discursos de ódio, contudo há quem afirme que essas ideologias findaram com o século que as “criou”. Mas, dessa forma como seria possível que no século XXI ainda existam discursos nessa vertente? Existem herdeiros? Qual a importância de compreender isso? São questões pertinentes e que mostram um passado que, na verdade, ainda não passou.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX. 1941-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Enciclopédia de guerras e revoluções: vol II: 1919-1945: a época dos fascismos, das ditaduras e da Segunda Guerra Mundial (1939-1945)./ Francisco Silva. 1º Ed.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
       _____________. O século XX: entre luzes e sombras.In: O século sombrio: uma historia geral do século XX. –Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. (P. 1-25).

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