O feliz ano velho de Marcelo Déda

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Quando até os aliados previam e muitos desalinhados torciam por um ano ruim, este segundo ano do governo Marcelo Déda, uma pesquisa de opinião pública restabeleceu a verdade: o sergipano acha o primeiro governo petista muito bom e reafirma sua confiança de que as mudanças propostas estão a caminho. Foi o que revelou a aferição do instituto Padrão publicada em primeira mão por este JC no domingo passado.

A maioria dos sergipanos aprova como ótima ou boa a administração Marcelo Déda, apesar das críticas constantes ouvidas na capital com relação às obras que não andam, aos repetitivos problemas na saúde, à violência que teima em assustar. A oposição usou e abusou de bater nessas três teclas, a imprensa não sem razão deu repercussão às queixas, mas a população manteve-se fiel à escolha que fez em 2006: quase 55% consideram que o governo é bom ou ótimo. Se somados aos que o consideram regular, a aprovação sobe para exatos 88%. Déda venceu a eleição com mais de 52% dos votos válidos.

A pesquisa constatou que mais de 45% se surpreenderam positivamente com a atuação do governo, que estaria se saindo melhor do que o esperado e, mais surpreendente ainda, 72% dizem que o governo vai melhorar nos próximos dois anos.

Mas a mais festejada informação extraída da pesquisa, e esta ainda não devidamente divulgada, é menos administrativa e mais política: Marcelo Déda é mais bem avaliado no interior de Sergipe, especialmente no alto e médio sertão, região onde até poucos anos atrás o ex-governador João Alves Filho reinava absoluto e era imbatível. Ali a aprovação ao governo bate os 68% — 21% acham que a administração é ótima e 47% acham que é boa — enquanto 25% a consideram regular. Dentre os mais exigentes eleitores de Aracaju, por exemplo, “apenas” 47% consideram o governo bom ou ótimo. Sinal dos tempos.

Ainda na região do sertão, 62,5% estão positivamente surpreendidos com o desempenho do governo Marcelo Déda e 78% acham que dias melhores virão para a administração estadual. E na comparação direta entre o governador de hoje e o ex-governador João Alves Filho confirma-se que o passado ficou para trás e que os tempos são outros. Quando se pergunta quem é o mais popular, o mais honesto e o mais competente, Déda ganha fácil em todas — principalmente no sertão. Veja a tabela:

 

Questão
 Mais popular
 Mais honesto
 Mais competente
 
Local
 Sergipe
 Sertão
 Sergipe
 Sertão
 Sergipe
 Sertão
 
Marcelo Déda
 55,9%
 61,3%
 44,6%
 58,9%
 54,8%
 62,5%
 
João Alves
 38,4%
 32,1%
 17,9%
 13,7%
 29,9%
 23,2%
 
Nenhum
 1,9%
 1,8%
 19,9%
 10,7%
 5,9%
 3,0%
 
Não sabe
 3,8%
 4,8%
 17,6%
 16,7%
 9,4%
 11,3%
 

Fonte: Padrão, 10 a 14 de dezembro de 2008

 

Confirmando o bom momento desfrutado pelo governador, quando o eleitorado é instado a responder de que lado o ex-governador e atual deputado federal Albano Franco deverá ficar na próxima eleição, não há dúvida: é melhor ficar do lado do vencedor. Na média de Sergipe, 48,7% disseram que Albano deve permanecer apoiando o grupo político de Marcelo Déda, contra 35,6% que responderam que ele deve ficar com João Alves. No sertão, a ampla maioria, 58,9%, respondeu que Albano deve permanecer com Déda, contra 32,7% que acham que ele deve se juntar a João.

 

A BOA AVALIAÇÃO DE MARCELO DÉDA como administrador deve ser creditada a ele mesmo. Déda tem carisma, foi um competente administrador quando governou Aracaju por seis anos — e os reflexos disso estão inclusive na eleição de Edvaldo Nogueira, sem querer retirar os méritos do prefeito, que se elegeu no primeiro turno porque seguiu a cartilha da austeridade e competência, e porque tem um jeito humilde que agrada ao aracajuano. Mas, acima de tudo, Déda conseguiu atravessar um ano meio turbulento, de poucas realizações visíveis e ser bem avaliado porque sabe como ninguém fazer o próprio marketing.

Ele tem estatura física e moral, é jovem, bem apessoado, sabe se portar nos palácios ou pisando na poeira da caatinga — embora às vezes exagere nas performances —, não mente, não promete o que não pode cumprir, é culto e tem bom vocabulário, se expressa como raros políticos e, como se não bastasse, consegue conciliar tudo isso com o modo tradicional de fazer política, atirando-se nos braços do povo, beijando criancinhas e abraçando os mais velhos. É um governador com cheiro de novo, mas que não causa estranhamento nem ao mais embrenhado dos catingueiros.

 

A PROPÓSITO DO PADRÃO — Pesquisas Científicas Ltda., para responder a quem queira desfazer de tudo isso que foi dito aí em cima por causa da autoria da pesquisa, diga-se que é o instituto mais conceituado em Sergipe. Andou queimado na eleição de 2006, quando, contratado pela Secretaria de Comunicação no governo passado, divulgou números discrepantes dos resultados reais obtidos nas urnas. Mas Ronaldo Joaquim dos Santos, o diretor do Padrão, é um profissional sério, sabe fazer pesquisas de opinião pública e continua sendo o mais procurado por todas as tendências políticas, indistintamente. Então não há porque se questionar os resultados da pesquisa que é amplamente favorável a Marcelo Déda e seu governo.

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