O Futuro da comida certamente será menos indigesto para o planeta

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Puxadas pela demanda de consumidores, vendas de carnes feitas a partir de vegetais surpreendem e abrem caminho para novas pesquisas na área da alimentação das Famílias Brasileiras.

Em determinada rede de supermercados , uma das maiores do país, a venda de hambúrgueres feitos à base de plantas, iniciada em maio de 2020,de forma pontual e significativa, dobra a cada 30 dias. Em comparação com o Seu principal concorrente , que iniciou uma oferta desse mesmo produto alguns meses depois , 30% dos hambúrgueres vendidos já eram desse tipo. Olhando para a frente, a expectativa de ambas as redes é de crescimento de vendas. Certamente, observando essa evolução numericamente significativa, essa venda deverá superar 12 mil unidades por mês. Em agosto daquele ano a cadeia de fast-food Burger King passou a vender sanduíches de carne vegetal em suas lojas brasileiras. Em breve, a Fazenda Futuro, pioneira na produção de hambúrguer de planta no Brasil, lançará carne moída e almôndega vegetais, que serão comercializadas em parceria com a rede Spoleto, especializada em comida italiana.

Na BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, a meta é não ficar apenas no hambúrguer, ou seja a empresa quer transformar a carne de pratos prontos, como pizzas e lasanhas congeladas, em alimentos que possam atender à nova demanda por carne feita a partir de plantas. A pretensão é de que até 2023, o desafio será de que 10% da receita venha de produtos vegetais, informa fonte da Direção de Pesquisa e Desenvolvimento da BRF. As concorrentes JBS e Marfrig também estão interessados nessa disputa, que tornou-se tão rentável. A consultoria Euromonitor estima que as vendas de janeiro a dezembro da categoria “substitutos da carne” somarão R$ 120 milhões. Confirmada a projeção, 2021 deverá entrar para a história como o ano da virada das opções feitas à base de plantas. O que sabemos é de que enquanto as vendas de carne processada crescem 9% ao ano, estimamos que a categoria de substitutos de carne cresça de 28% a 39%.,mas se Consideramos apenas os hambúrgueres vegetais, a estimativa deverá passar de 42%”, informou uma analista da Euromonitor.

O número de startups que investem em pesquisas para encontrar “a carne vegetal perfeita” deu um salto neste ano na grandes feiras de alimentos do mundo.

O que acontece no Brasil é um reflexo de uma tendência mundial, em sua edição mais recente, a Anuga, a maior feira de alimentos do mundo, realizada no em Colônia, na Alemanha, 253 empresas expositoras ofereceram carne a partir de extratos de vegetais. Em 2020, elas eram apenas 75. Em junho, a gigante suíça Nestlé anunciou que fábricas nos Estados Unidos e na Europa estavam sendo adaptadas para a produção de um hambúrguer à base de uma mistura de extratos de cenoura, beterraba e pimenta que promete manter uma textura similar à da carne mesmo depois de levada à brasa. Startups também estão na busca pelo bife vegetal perfeito. Em janeiro de 2020, a pequena empresa californiana Beyond Meat abriu capital na Nasdaq, mercado de ações de negócios de tecnologia em Nova York, num processo que animou os investidores. A ação da companhia, que estreou a US$ 65, em dois meses estava em US$ 234. Atualmente o papel é cotado na faixa de US$ 130, garantindo um valor de mercado acima de US$ 6 bilhões — relevante para uma empresa que começou a vender produtos em supermercados dos EUA, Canadá e Reino Unido há apenas cinco anos.

Assim como no exterior, no Brasil o público-alvo é um grupo heterogêneo, que inclui veganos, vegetarianos, gente que quer diminuir a quantidade de carne que ingere e também aquelas pessoas que levam em consideração os efeitos dos hábitos de alimentação na sustentabilidade. Segundo o Ibope, 17% dos brasileiros se autodeclaram vegetarianos — 6 pontos percentuais a mais do que em 2016. Um levantamento divulgado em outubro pela consultoria global Nielsen mostra que 48% dos 39 mil brasileiros entrevistados on-line disseram estar mudando a dieta para reduzir o impacto no meio ambiente. De acordo com uma pesquisa on-line da consultoria Euromonitor feita com 2.520 brasileiros, 32% afirmaram estar tentando reduzir o consumo de carne. Do total de entrevistados, quase 73% tentam causar um impacto positivo no meio ambiente por meio de ações de seu dia a dia,informou fontes da Empresa que realizou essa Pesquiza ( Euromonitor ). Entrevistas da consultoria de tendências Kantar com 3,2 mil consumidores, divulgadas em novembro, revelaram que 27% reduziram o consumo de carne no período entre maio do ano passado e maio deste ano.Covém salientar de que entre os argumentos utilizados pelos ambientalistas contra o consumo excessivo de carne estão o desmatamento para ampliação de pastagens, a produção de alimentos para rações e a emissão na atmosfera de gases do efeito estufa.

Gustavo Guadagnini, de 30 anos, há quatro anos trabalha na The Good Food Institute, uma ONG americana que recebe recursos de bilionários como Bill Gates e os fundadores do Facebook para investir em pesquisas de tecnologias de carne vegetal, e informa com muito conhecimento dessa causa, de que atualmente as pessoas em geral, e os jovens, em particular, não conseguem mais dissociar um alimento dos problemas no meio ambiente que sua produção causa. Não é sem razão que Guadagnini conseguiu tornar-se uma espécie de evangelizador ( guru ) dessa causa no Brasil. Há pouco mais de dez anos, ele virou vegano na tentativa de perder peso — na época, tinha 150 quilos, dos quais conseguiu eliminar 60. De quebra, largou uma carreira na multinacional Whirlpool para expandir a Good Food Institute no Brasil, nos últimos anos assessorou a Seara, a JBS, e a Fazenda Futuro. Esta última, fundada pelo carioca Marcos Leta, de 39 anos — dono também da marca de sucos Do Bem —, colocou sua carne vegetal no mercado em maio de 2020, sendo que atualmente direciona parte da produção às 1.100 lojas do Bob’s, uma das principais cadeias de fast-food do país. Para isso, Leta conta com uma equipe de engenheiros de alimentos que leva em consideração a opinião dos consumidores nas redes sociais para modular um sabor que agrade ao máximo de paladares possível, informando com bastante propriedade de que o ponto alto do Seu primoroso trabalho foi ter lançado o primeiro molho à bolonhesa à base de plantas no Brasil.

Apesar desses avanços, alguns nutricionistas, alertam que os consumidores não devem se deixar enganar pelas aparências, por que em muitos casos, a indústria se apropria de uma narrativa de alimento saudável, vegano, clean, plant-based, mas continua a produzir alimentos ultraprocessados, que pouco têm a ver com comida de verdade, ou seja, infelizmente são apenas aparência e propaganda enganosa. Além disso alguns desses Profissionais ressaltam a necessidade de saber de forma inequívoca como esses alimentos são produzidos. Entre os chefes de cozinha, as novidades estão longe de causar boa impressão. Recentemente um deles jurado de um reality show culinário usou as redes sociais para dar sua opinião. Ele informou de que experimentou por curiosidade o ‘hambúrguer’ de plantas ‘sabor’ carne. E informou de que não é hambúrguer, não tem gosto de carne, nem textura de carne, o que é óbvio, pois não é carne. Gorduroso, pastoso, desagradável. Uma ¨coisa ruim ultraprocessada oportunista no momento de mais confusão alimentar da história¨. Para além das críticas ao sabor, há também a crença de que, na ânsia de “querer salvar o mundo”, muita gente está abraçando avidamente qualquer coisa com algum apelo de marketing “saudável”. A carioca Cristiana Beltrão está há duas décadas e meia à frente de restaurantes e da marca de temperos Bazzar, contou que viu a preocupação com saúde ligada aos alimentos se expandir em 26 anos, tendo chegado ao ápice agora. A demanda refletiu-se em mudanças no cardápio. “Identificamos os pratos vegetarianos há pelo menos 19 anos, os orgânicos há 17. Desde o ano 2019, passei a destacar os alimentos veganos”, disse Beltrão, que ainda não se aventurou a oferecer um hambúrguer vegetal a seus clientes.

A primeira versão de um substituto vegetal da carne surgiu em 1901, quando o americano John Harvey Kellogg, o criador da marca de cereais que leva seu nome, recebeu uma patente de um produto feito de glúten de trigo e amendoim. Na década de 1980, surgiram hambúrgueres vegetarianos feitos de milho, batata, proteína texturizada de soja, legumes, tofu, cogumelos e cereais. A receita atual muda de empresa para empresa, mas, de modo geral, continua levando ervilha, soja e outros legumes. Uma quebra com o passado, porém, se deu graças a um avanço tecnológico. Testes em laboratórios têm permitido novas reações químicas entre carboidratos e aminoácidos ou proteínas que resultam em um produto com textura e gosto mais próximos da carne. O hambúrguer vegetal é o produto que está fazendo mais barulho, mas não está sozinho quando o assunto é o futuro da comida.

Na Europa, começou a ser comercializada em 2018 uma molécula capaz de substituir o açúcar, mas com zero caloria. Camarões e peixes feitos a partir de células-tronco já são realidade. A DSM, uma companhia global de origem holandesa que atua nas áreas de saúde, nutrição e materiais, mantém um centro de biotecnologia perto de Amsterdã com mais de 200 cientistas. A empresa estabeleceu uma joint venture com o grupo francês Avril e vai produziu uma proteína vegetal a partir de canola, não modificada geneticamente. Ela está sendo usada como base para a produção de bebidas, produtos lácteos, assados e barrinhas. A previsão é que já esteja disponível comercialmente no fim de 2021. A empresa também desenvolveu um sal mineral para animais, que melhora a produção de carne e leite. Para reduzir a emissão de metano em 30% pelos bovinos, desenvolveram um suplemento alimentar que é adicionado à dieta regular, sem quaisquer efeitos adversos sobre o bem-estar do animal.

No Laboratório de Nutrição e Metabolismo, um dos 50 da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp), no primeiro andar do prédio — forrado de tubos de ensaio, bancadas com microscópios e uma máquina que desidrata frutas ao fundo —,um destacado professor do Departamento de Alimentos e Nutrição, fez uma importante e curiosa descoberta. Na busca por alimentos como frutas e vegetais que contenham componentes bioativos, que previnem doenças e retardam o envelhecimento, ele e sua equipe elaboraram um extrato de jabuticaba que ajuda na prevenção do câncer de próstata. A novidade já foi patenteada por uma empresa e deverá chegar ao mercado em breve. Testes em animais mostraram que o consumo de jabuticaba também ajuda na recuperação da perda de memória provocada pela doença de Alzheimer, ou seja repentinamente o mundo começou a prestar atenção na jabuticaba brasileira.

Nessa mesma linha de pesquisa de frutas, um cientista de alimentos da UNICAMP, descobriu propriedades anticâncer e antioxidação no araticum, uma fruta natural do Cerrado brasileiro parecida com a fruta-do-conde. Salientando com muita propriedade de que no momento atual exista, com toda a certeza, uma maior preocupação por alimentos mais saudáveis que possam prevenir doenças e consequentemente retardar o envelhecimento. Devemos, porém com toda a certeza atentar de que as pessoas utilizem esses alimentos de uma forma correta, por isso, é necessário estar baseado em muita ciência, para não incorrer em modismos ou danos à saúde, informam os Pesquisadores daquela Universidade modelar no Brasil, considerada com muita razão, uma das cinco melhores universidades do mundo no ramo de ciências alimentares de acordo com o Global ranking of academic subjects de 2019, da Shanghai Ranking Consultancy. Na Faculdade de Engenharia de Alimentos dessa excelsa Entidade de Ensino, um time de doutores e mestres vem vasculhando as propriedades de diversos alimentos e estuda como as bactérias “boas” do intestino vêm ajudando a melhorar o funcionamento do eixo cérebro-intestino, via alimentos probióticos, como iogurtes, a bebida fermentada quefir e o chá de kombucha, de forma bastante curiosa e destacada mundialmente, existe outra linha de pesquisa promissora que é de produzir proteína a partir de insetos, como o gafanhoto.

Concluímos portanto de que o futuro da comida, com a ajuda impar da ciência, pode certamente ser menos indigesto para o planeta, sem necessariamente ser intragável para a humanidade.

Uma palatável e auspiciosa Semana, com muita Harmonia e Paz. Não deixe para amanhã a vacinação, se Deus lhe proporcionar a oportunidade de se vacinar no dia de hoje, se vacine, certamente a sua família merece que você aja com rapidez no sentido de se imunizar assim que possível…Deus no Comando!!!

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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