O Imortal e dadivoso “Velho Chico”

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O Imortal e dadivoso “Velho Chico”

Por Clarkson Moura.

“Na oração, obtemos e acumulamos graças; na pregação, as distribuímos.” São Francisco de Assis.

Desconhecer ou desqualificar a importância econômica e o alcance social do maior empreendimento de integração hídrica de bacias hidrográficas das Américas corresponde a assumir, de público, a sua incontida ignorância, a sua transbordante estultícia, a sua evidente alienação.

A transposição é a satisfação de uma inadiável necessidade social de mais de 12 milhões de coirmãos nordestinos, um histórico resgate político de uma secular dívida social, um empreendimento arrojado da capacidade resolutiva de uma consagrada e criativa equipe multidisciplinar da Ciência e Tecnologia brasileiras.

Perdoem-me a intencional reconsideração enfática: ignorar ou fingir desconhecer, por capricho, ressentimento, passionalidade, proselitismo, preconceito ou quaisquer outros sentimentos mesquinhos, esses truísmos significam, na melhor das hipóteses, dar um testemunho aberto e inequívoco de seu apedeutismo, de sua estreiteza cultural, de sua inata debilidade intelectual, de seu fundamentalismo ideológico, de seu fanatismo irracional e de sua intolerância compulsiva.

Como um dos três representantes estaduais no Comitê de Gestão da Bacia Hidrográfica do São Francisco, de Sergipe, durante o Governo de Antônio Carlos Valadares, este modesto articulista teve o prazer e a sorte de contatar com, até então, o maior conhecedor das bacias hidrográficas deste País, mormente, do “Rio da Unidade Nacional”, o saudoso Dr. José Theodomiro de Araújo, à época, um anoso, experiente e estudioso engenheiro civil, geólogo, servidor público, integrante, sucessivamente, dos Quadros do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra Secas) e do extinto DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento).

Sempre questionado por nós, então membros do aludido Comitê, sequiosos de beber do seu inesgotável e salutar caudal de notórios conhecimentos técnicos e científicos especializados, atinentes ao seu domínio de atuação funcional e formação profissional (Hidrologia, Hidrografia, Hidrodinâmica, Geologia e Engenharia Hidráulica), o solícito e erudito Mestre, desinvestindo-se de sua meritória cátedra, ao estilo aristotélico, nos brindava a todos, com pertinentes, sábias e didáticas preleções circunstancias, ou melhor — com verdadeiras “aulas-magnas” — dirimindo-nos, assim, quaisquer resquícios de dúvida sobre a temática improvisadamente lançada por ocasional discípulo interlocutor.

A propósito, a pergunta mais recorrente que se fazia ao festejado Especialista, naquela quadra, era sobre a possível, remota e porvindoura extinção do “Velho Chico”, seja por conta das frequentes, progressivas e multiusuais intervenções humanas, seja pelas adversidades naturais, na sua vetusta, tarimbada, especializada, magistral e acadêmica visão, sob as quatro dimensões: científica, socioeconômica, filosófica e religiosa.

Todas as vezes em que fora instado a responder a essa reiterada indagação, o renomado Mentor, exímio Conferencista e assediado Consultor Técnico foi rápido e categórico: “Nunca, jamais, em tempo algum!” De pronto, oraculou: “Pelo ângulo religioso, o São Francisco, como atesta seu próprio nome, é uma singular dádiva divina. Pela ótica socioeconômica, consoante batizado pela Sabedoria Popular, ostenta a expressão metafórica de “O Nilo Brasileiro”. Do ponto de vista filosófico, é uma realidade transcendental, que tem sua própria lógica, sua perseidade. Sob a óptica científica, é um sistema organizado, autossuficiente, autopoiético, ou seja, que se (autor)renova, se (autor)regula, se (auto)alimenta, se (autor)reproduz. E rematou: É um rio perene, e não, um mero acidente geografico temporário”.

Aliás, como criatura diferenciada, o imortal Prof. Theodomiro, detentor de uma intuição sobrenatural, chegou a prever o surgimento, num futuro próximo, de tais figuras sociais, que, irreverente e pejorativamente, chamava de “pregoeiros do caos”. Ou seja, espécie de falsos “profetas do Apocalipse”, que arvorariam em vaticinar acontecimentos catastróficos como, por exemplo, a “morte” do eterno “Velho Chico”.

Nesse diapasão, diga-se, de bom alvitre, que, neste nosso “Sergipe del Rei”, e, por extensão, nos Estados-membros das Regiões Sudeste e Sul do País, o que não tem faltado são servis seguidores desses malevolentes e passionais mentores do discurso tendencioso, enganoso e catastrófico de que o vigoroso e imorredouro Rio São Francisco agoniza, está em estado terminal e cuja “causa mortis” é a transposição, monumental obra hídráulica que atende, direta e indiretamente, a 12 milhões de irmãos nordestinos, distribuídos por algumas centenas de municípios de quatro Estados da Região Nordeste, alcançados pelo famigerado e árido “Polígono das Secas”.

A esta altura, impõe-se-nos a oportuna inquirição: ” Se a “transposição é a exclusiva e fatal ‘causa mortis’ do nosso afetuoso, vital, infindo e caudaloso “Velho Chico”, por que não o foi para o Rio Colorado (EUA), o Rio “Yang Tsé” (China), os Rios Tejo-Segura (Espanha), o “Projeto Chavimochic” (Peru), etc?!

Não bastasse essa suasória e irrefutável premissa, o pretérito Governo golpista patrocinou uma massiva campanha publicitária oficial, dispendiosa, abusiva e enganosa, de partes conclusas da megaobra — que já se achava quase consumada em sua totalidade — veiculada, ao arrepio do § 1° do art. 37 da Constituição Federal (vedação de promoção pessoal de autoridade por imagem, símbolo, nome), provocando, no jargão jornalístico, desvelado “sobressalto de opinião pública”, com vistas a incutir, na cabeça do Povo menos esclarecido, a falsa impressão de que, apenas em virtude do hercúleo esforço concentrado, do imediato tratamento de choque e da inusitada força-tarefa, do seu Governo tampão, haver-se-ia tornado tecnicamente factível, financeiramente realizável e economicamente viável, o complexo de obras de grande porte, cuja execução, ainda que iniciada há 10 (dez) anos, teria sido, ao longo desse período, intermitente e lenta.

Conforme se pretendeu adrede insinuar, a execução das obras teria entrado em velocidade supersônica, de modo que a então comunicação presidencial ousou alegar, de má-fé, aos quatros ventos, haver feito, em 10 (dez) meses, mais parcela do volume construído do que ambos os Governos de seus antecessores, Lula e Dilma, fizeram-no juntos, em 10 (dez) anos, no, hoje, chamado “Projeto São Francisco”, tencionando, explicitamente, usurpar a “paternidade” do faraônico empreendimento público, socialmente imprescindível e politicamente frutuoso.

Com a palavra, os “Defensores do Povo”, os “Arautos da Verdade”, os “Salvadores da Pátria”, os “Benfeitores da Pobreza”, os “Oráculos da Justiça”, os “Paladinos da Ética”, os “Predestinados da Governança”.

Graças a Deus, a sua formação profissional e ao amplo conhecimento especializado da matéria, o autor deste singelo texto continuo refratário e irredutível para com o “catastrofismo”, a “fracassomania”, a “teoria do caos” e o “escatologismo” que tentam estigmatizar essa “Fonte de Vida” batizada com o epônimo sagrado de São Francisco, o padroeiro dos animais, um dos mais populares e reverenciados santos da Igreja Romana, em cujo atual e revolucionário pontifício se encontra, coincidentemente, Sua Santidade, o Papa Francisco.

 

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Frase do Dia
“Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.” Immanuel Kant. 04 de Outubro Dia Mundial dos Animais.

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