O Jornalismo Sergipano e o Poder

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Quer saber quem é seu amigo no Jornalismo espere o mesmo receber poder. Aqui em Sergipe (menor piso salarial do Brasil), o salário quase nunca é essa coisa toda, mas, o ‘poder’ é algo que sempre pira a cabeça dos nossos profissionais. Os mais-mais se valem das indicações de cargos em comissão para tirar da miséria a barriga que antes era preenchida por lasanha congelada e salgadinho de terceira qualidade. Todo engrandecimento precisa ser miseravelmente justificado.

Contando em minúcias: assim que se formou, com louvor, ela não precisou de muito para provar que tinha talento. Fez testes para a televisão e passou em vários. Sempre vestiu a carapuça da moça pobre lutadora que conseguiu empregar seu talento e atingiu certo reconhecimento, porém, ao ser contratada para um cargo de médio-porte sentiu na pele a insegurança de um chefe que beirava a psicopatia. Tem coisa pior do que chefe inseguro que acha que você vai tomar o lugar dele?

Relatando tantas situações constrangedores e humilhantes ao longo dos meses, ela nunca se importou se importava de dividir, com amigos próximos, seus percalços. Coisa de amizade verdadeira. Muitas vezes chorando no ombro dos amigos, encontrava âncoras para lidar com os vexames do tal chefe. Aprendeu a engolir sapos e engoliu tantas espécies de anfíbios que um dia, como num passe de mágica,ela mesma assumiu a função que antes pertencia ao antigo chef-vilão. O mundo realmente é um moinho. A vitória, às vezes chega para quem trabalha, mas nãos e engane, pois isto é algo que acontece uma vez a cada turma de jornalismo formada.

O Poder dá grandes responsabilidadese quando um colega/amigo assume um cargo grande, por indicação de alguém que reconheceu seu talento, logo-logo começa a receber uma enxurrada de pedidos por emprego. Faz parte. O que não deveria fazer parte é o cargo recém-empossado subir àcabeça do chefe emergente ao ponto de causar um autoendeusamento do mesmo. Mas como controlar o doce sabor do salário que ultrapassou os quatro pisos? Enlouquecer é a consequência!

E se a amiga-jornalista-capacitada-nova-rica tem uma vaga aberta para um profissional com experiência? E se este mesmo profissional é um amigo dela, o qual ela já chorou no ombro após várias humilhaçõesde assédio moral? O lógico seria o emprego ser ofertado ao amigo necessitado sem nem pestanejar, porém, o mundo nem sempre é racional.

Uma novela mexicana, dublada:

O amigo vai, na humildade, levar um currículo para “avaliação”.

Senta com a amiga, conhece a nova sala refrigerada amiga, fica realmente feliz com tamanha vitória.
Ouvepor maisde duas horas o quanto a ela galgou cada conquista. E ele até vibra por isso!

Sente também que o emprego será dele. Fazer parte da equipe dela seria uma honra, mas ao final recebe como ultimato um: “Mesmo avaliando que você é capaz de assumir o cargo. Infelizmente sem contato político não terei como empregar você”.

Uau que choque!

Corta a cena para ele: cara do amigo embaraçado com tamanha embromação.

Corta a cena para ela: close nos lábios da amiga proferindo palavras de salvação e que Deus é maior que tudo. E que ele (o amigo) em breve encontrará outra alternativa.

Corta a cena para ele: o olhar seco do amigo não-contratado.

Corta a cena para ela: levantando e direcionado o amigo até a porta de sua mega-sala, mostra-lhe que o poder é algo realmente transformador.

Corta a cena para os créditos final – Fim da história.

Moral da história: nunca espere que um amigo lhe ajude quando ele assumir um bom cargo. Se isto acontecer, agradeça, mas não conte com esta possibilidade sob pena de encontrar uma porta de saída de sala esperando por você.

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