O Jovem-Político-Idiotinha

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Qual o assunto do momento? Política. E Sexo, claro! Então vamos lá…

Jovem, charmoso no ponto certo, incentivador de causas sociais (medianas), visto de longe como alguém perfeito, com uma imagem a ser zelada. Quase um garoto de ouro de tão perfeitinho. Desconfie! Quando alguém preza tanto para imprimir uma imagem de perfeição, custe o que for, nem que seja o tempo de bobos que babam por suas palavras, pode passar as unhas na superfície para ver que a tinta que se esconde embaixo da cor dourada é quase sempre de péssima qualidade. Se existe uma coisa que não podemos disfarçar por muito tempo é caráter, mas é preciso estar com os olhos afiados para não se deixar levar pela beleza.

Construindo uma carreira entre as camas de políticos em ascensão, e outros que, na terceira idade, já conquistaram cargos importante, o nosso jovem surgiu como uma novidade. Alguém de coração bravo, que pegaria uma luta (alheia) para impor como sua. Ele nunca teve problemas grandes na vida: filho da tradicional família brasileira, logo cedo enxergou que seus discursos precisariam do amparo de quem precisasse ter uma voz ecoada. Um perigo esse tipo de aproveitador, pois sem base de vida, nem parâmetros, ele vai buscando um sinal aqui outro acolá e assim vai se aproveitando das situações.

A primeira coisa que observou sobre si mesmo foi que um corpo malhadinho e um sorriso de menino inocente poderiam lhe render alguns trocados. E danado como sempre foi, conseguiu se aproximar de alguns políticos casados que moram em armários obscuros. Uma noitada de prazeres sem compromisso, uma gozada ali e um político pagando algumas contas não teria problema algum, tudo em nome da nova amizade que nascia “sem grandes interesses” ali. Mas a gente sabe que essa espécie de garoto-águia vive de oportunidades e uma cama política se bem feita rende facilmente outros contatos.

Começando assim seu horizonte de sexo com outros homens, ditos héteros, ele foi aprendendo sobre política bebendo na fonte. Caindo de boca nos melhores pratos e restaurantes que o bom dinheiro público pode pagar. Quem criticaria? quase ninguém, ora bolas. Para os familiares: o jovem promissor, estudante do ensino médio, estava crescendo, fazendo trabalhos de modelo e recepções, conseguindo uma graninha pra “comprar suas próprias coisinhas”. Nada demais. Se os familiares soubessem o quanto os jovens do sexo masculino são capazes de ousadas manobras para pagar seus suplementos diários e academias, ficariam perplexas. Sexo, noitadas nas melhores baladas e degrau-após-degrau na escala social são combinações ardilosas, porém, um tanto quanto instigantes, admito.

Como no cenário político, de várias cidades, de vários estados e países, a caderneta que contém os contatos desses garotos-de-família que topam tudo é pesada no Euro, rapidamente, o nome do rapaz foi sendo passado de agenda para agenda e logo ele estava onde queria: assumindo um cargo de confiança, e mantendo sua vida (nem tão mais secreta assim) entre as sombras e as camas que já tinha frequentado. Como em qualquer profissão que se preze e merece férias, ele às vezes, precisou tirar algumas semanas de férias viajando para cursos. Claro, todos na área artística, seja atuando ou dançando, o jovem quer ser reconhecido pelo seu talento. Qualquer talento que ele ache que tenha, incluindo o sexual.

Agradando homens (com dinheiro) e mulheres (pra manter o status), rapidamente ele cruzou a linha ser um objeto de cama (às vezes de decoração), passando a ser uma aspirante jovem promessa política. Como já conhece o campo minado chamado Política, ou pelo menos ele acha que conhece, vem pedindo apoio de quem um dia usou seu corpo. Nada demais também, nenhuma crítica sobre isto, pois babaca é quem não saca que nesta sociedade, mediana, esperto é quem sabe dar o que tem.

Se você perguntar ao nosso jovem artista-político-moço-de-família-que-transa-escondido-com-políticos se ele já leu algum pensador relacionado ao tema político da construção do olhar democrático e direito dos cidadãos, ele responderá com todas as letras que acompanha o BBB e todos os campeonatos de beleza que passam na TV. Claro que ninguém questiona ninguém quando o assunto é o saber político, pois normalmente os jovens candidatos estão mais preocupados com a foto perfeita postada nas redes socais e neste setor, as fotos produzidas, feitas nas baladas mais bacanas da cidade e em outros estados, o sorriso maneiro saudável, com dentes postiços brancos despertam likes e se o Deus dele quiser, servirão para mais e mais votos.

E é neste ponto que mora o perigo dos cegos…

Quando se para cinco minutos para avaliar o que este jovem político compartilha em suas redes sociais, um calafrio assume a alma. Repetindo discursos de ódio alheio, ele passou a criticar tudo aquilo que ele mesmo pratica ainda no presente. Sexo com o mesmo sexo? abominação; sexo sem intenção de procriar? Impossível, pois ele agora é um ferrenho evangélico em construção (só por amor mesmo e depois de casar); sexo por dinheiro? Nunca, um rapaz de família não pensa nessas coisas; sexo em troca de aparecer na televisão e ganhar uma notoriedade pequena? Nunca precisou, sempre prezou conhecer as pessoas olhando em seus olhos, sentindo suas necessidades, conversando sobre seus problemas mais intrínsecos, está aqui para ajudar o outro. Tudo mentira, lembra de arranhar a pele dourada!?

Tamanha é a cara-de-pau do rapaz, que quem o conhece de outros Carnavais, se surpreende o quão bom ator ele vem se tornando. Pelo menos para alguma coisa dormir com aquele diretor carioca serviu; conseguiu cursar uma oficina de verão em plena garoa paulista de graça. Olhe só que maravilha e os cursos de teatro pela hora da morte, deu foi sorte!

As garotas preferem ele assim (mais na dele). As bibas, confusas, pelo novo modo de vida do jovem, não conseguem entender porque ele compartilha tanto discurso de ódio e preconceito, incitando raiva. E assim a vida vai passando e nosso jovem político cada dia mais empenhado em conseguir se eleger. Sumindo das baladas que tinham como consequência o sexo, ele agora está frequentando mais a igreja (talvez um pedido do partido ao qual se filiou, mais uma manobra pensando em se dar bem, talvez). Na política das aparências, não será surpresa se ele um dia comandar uma cidade, um estado, um país. Tudo pode aquele que em tudo se dedica, certo já!

Só assusta saber que o futuro político de tantas pessoas estará atrelado ao comando de uma pessoa que mal saber quem é ela mesma. E neste quesito nada mais triste do que saber que quem votar nele hoje sorrindo estará chorando em poucos anos. Quando um discurso de ódio é reproduzido para angariar mentes vazias, sempre traz algumas consequências. Que o nosso jovem candidato será um estouro na escolha das urnas, não tenho dúvidas, mas, com tantas manobras para agradar novos públicos, será que ele conseguirá se manter muito tempo no tiroteio das críticas? Como uma pessoa que muda de pele de acordo com o vento de suas próprias contradições, servirá de âncora para o povo? São questionamentos que todos nós deveríamos ter, e principalmente, avaliar antes de apertar a tecla verde.

Lendo o livro “Como Conversar Com Um Fascista” da filósofa, Marcia Tiburi, encontrei nosso jovem político inserido em diversos capítulos, principalmente no de nº 48, intitulado “A arte de escrever para idiotas”. Vi nosso menino de ouro, aposta política, servido de exemplo para ilustrar tanto as subcategorias do “idiota de raiz” quanto o “neoidiota”. Fica a dica de leitura, para aprofundar a sua cabeça ainda mais na difícil realidade em que alguns de nós estamos inseridos. É triste, mas, a vida nunca foi totalmente bonita mesmo!

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