O poder das escolhas: Uma nova leitura

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Nasci em uma família de comerciantes de classe média alta, tive uma infância muito legal, mas ainda na minha pré-adolescência aconteceu uma coisa comigo que só muitos anos depois percebi que, mesmo inconscientemente, havia feito a primeira grande escolha da minha vida. Numa das minhas férias de junho fui passar na cidade em que moravam os meus avós e, no dia de voltar para a minha casa, depois de um mês de férias maravilhosas e livres, literalmente fugi da casa dos meus avós e me escondi numa praça no centro da cidade. Na minha cabeça de criança queria ficar mais uns dias de férias. Esse foi o primeiro grande desafio da minha vida e, o mais interessante era que eu não era acostumado a fazer uma coisa dessas. Naquele dia perdi o avião e em troca escapei de um desastre aéreo que não teve um só sobrevivente…

 

A confusão nesse dia foi grande. Meus pais sem saber onde eu estava e me esperavam no aeroporto do Recife quando souberam do acidente. Foi uma grande loucura. Algumas horas depois fui localizado por amigos da minha família e, ainda sem saber porque, fui recebido, com lágrimas, abraços e afagos dos meus avós e no dia seguinte por meus pais que viajaram quase 20 horas sem parar para me buscar.

 

Todavia, só em 1995, ou seja, 35 anos depois desse evento, foi que percebi que nesse dia havia feito a escolha entre continuar vivo ou morrer. No entanto, não foi essa a única vez na minha vida que fiz esse tipo de escolhas, ainda em 1991 ao ficar nas mãos de bandidos após um rapto relâmpago que durou quatro horas, tive que fazer novamente a escolha entre negociar friamente e viver ou me apavorar e morrer. Fiz a escolha mais inteligente e… sai vivo.

 

Isso parece ser fantasioso, todavia, as conexões com essa grande teia só aconteceram em 1995, quando estava em uma fazenda isolada nas proximidades de Belo Horizonte fazendo um curso chamado “O Processo Hoffman da Quadrinidade”[1].

 

Só quando eu saí do processo foi que percebi que já havia feito várias escolhas na minha vida e todas elas haviam permitido que continuasse a minha jornada nesse planeta. Ao mesmo tempo, ainda no Processo Hoffman, percebi nitidamente que se eu havia escolhido viver a minha vida teria que valer a pena, ou seja, teria que ter significado, teria que me levar a caminhos de felicidade teria que fazer valer a diferença.

 

Desde então comecei a valorizar alguns “insights” inexplicáveis que ainda hoje tenho e também a perceber que em 90% dos casos, essas informações quando analisadas com muito cuidado por mim têm conteúdo e significado. Às vezes são pessoas que não acreditam no meu trabalho e querem me prejudicar, outras vezes são pessoas que não gostam ou até mesmo sentem inveja; todavia – na maioria das vezes – antes que as suas ações se concretizem sou informado e consigo me defender.

 

Quando comecei a trabalhar com processo criativo e comecei a lidar com centenas de pessoas, quase que imediatamente percebi como as nossas vidas são diferentes e como cada pessoa constrói um mapa de vida baseado naquilo que acredita ser verdadeiro. E, ao mesmo tempo como é difícil faze-las entender que a vida não está resumida em apenas nascerviver e morrer… Tem muito mais por trás de toda essa simples trilogia.

 

Hoje em dia, acredito que o que há de mais importante é justamente o poder das escolhas que estamos fazendo continua e rotineiramente. O mais sério ainda é que, muitas vezes, somos responsáveis pelas “verdades” que imbuímos nas cabeças dos filhos, amigos, familiares, decisões que tomamos como se a vida deles fosse a nossa própria vida e – pior ainda – como se fosse possível com a minha decisão “personalizada” e adaptada para o meu mundo, para o meu mapa de vida, para as minhas experiências e para o meu entendimento dessas experiências pudessem ajudá-los de alguma forma a encontrar a mesma resposta que eu encontraria. Para isto acontecer, no mínimo seria necessário que vivêssemos a mesma e única vida.

 

Ainda hoje, apesar de já ter escutado isso centenas de vezes, ainda me espanto quando escuto pessoas dizer que o único desejo delas é verem os seus filhos formados e felizes, como se elas próprias não tivessem o menor direito à felicidade ou à vida. E muito comum esse tipo de desejo dos pais, principalmente de pessoas que vêm sempre à vida de maneira reativa e não acreditam que podem desejar, lutar e conquistar a sua própria felicidade. Ou então, aqueles pais que querem construir o futuro dos seus filhos à sua imagem e semelhança, como se as suas próprias experiências de vida valessem para os filhos, como se o mundo não estivesse mudando nessa velocidade espantosa, como se tudo o que nos cerca não estivesse também mudando numa velocidade espantosa, como se a nossas vidas não estivesse interligada a dezenas ou mesmo a centenas de outras vidas. E como se cada conhecido, cada amigo, cada pessoa com as quais conversamos, muitas vezes, não nos fizessem parar para refletir por dias inteiros sobre o que nos disseram ou sobre o que ouvimos das suas experiências.

 

Assim vamos vivendo as nossas vidas, fazendo escolhas diárias sem percebermos que somos inteiramente responsáveis por estas escolhas, mas nunca teremos o controle ou o domínio das suas conseqüências que obtemos com essas escolhas. Lembro agora da escolha feita por uma pessoa, hoje da minha família, que foi estudar em Lisboa. Um dia ao sair da Universidade parou para admirar um belo carro esporte de luxo, cujo dono ela conheceu em seguida, tornou-se seu marido, veio morar no Brasil com ela e, este pequeno movimento, alterou a vida de toda a família dele, da minha e de meus cunhados. E esse movimento nos espalhou pelo Brasil, USA e Dinamarca.

 

Logo, não resta a menor dúvida que o poder das escolhas está conosco mesmo, o difícil é – muitas vezes – entendermos isto. No entanto, mais do que as escolhas que fazemos temos também pensar nas possíveis conseqüências das escolhas, essas, na maioria das vezes, são irreversíveis…Como diz o secular provérbio chinês:

 

“Há três coisas que não voltam atrás:

a flecha lançada, a palavra proferida e a oportunidade perdida…”.

 

Portanto, para finalizar, pense nas escolhas que você está fazendo hoje, ou melhor, agora, são elas que irão dar as cores e tonalidades do seu futuro. Sucesso para você!



[1] Instituto Hoffman do Brasil, Belo Horizonte, www.institutohoffman.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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