O PODER MUDA DE MÃO

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Em 1982, quando foi eleito pela primeira vez governador do Estado, o engenheiro João Alves Filho (PDS), foi saldado por aliados, e inclusive membros de partidos de esquerda, com o mesmo fervor com que o ex-prefeito Marcelo Déda (PT) o fez hoje. Naquela época havia um sentimento de mudança, que aconteceu logo nos primeiros seis meses, quando João Alves e o vice-governador Antônio Carlos Valadares (PDS) se uniram para soltar as amarras que os vinculavam a um grupo que se mantinha no poder há muitos anos. João, entretanto, procurou se fortalecer politicamente, através de um grupo coeso que lhe deu sustentação política por pelo menos oito anos e ainda condições de tentar um quarto mandato 24 anos depois.

Um projeto de poder não pode ser efêmero. Ele tem que se consolidar por vários anos, através de lideranças que vão sendo criadas para fazer acontecer a sucessão natural e manter a mesma linha de comando político. O Partido dos Trabalhadores, quando assumiu o poder em 2002, tentou fazer um projeto de poder, fortalecendo o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, mas não deu certo. Lula ainda não pensou na formação de uma liderança que o substitua dentro do Partido dos Trabalhadores, se é que ele ainda continuará filiado a ele. Caso seja reeleito em segundo turno, quem estará pronto para substituí-lo? Não há uma preocupação em formar lideranças capazes de suceder Lula, mesmo daqui a quatro anos.

O PSDB já não faz assim. A legenda fez nomes para disputar a Presidência da República. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no seu segundo mandato, deixou o seu ministro da Saúde, José Serra, trabalhar direcionado a disputar sua sucessão. Formou uma liderança que quase chegou à Presidência da República. Tanto que Serra manteve essa estrutura política, elegeu-se prefeito de São Paulo e agora governador do Estado, com uma estrondosa maioria sobre o PT. É que Aluisio Mercadante não tem o perfil do líder para chegar ao Governo. O médico Geraldo Alckmin está aí na disputa para a Presidência da República, mas se não der certo, já tem outro nome em ascensão para disputar a sucessão de Lula em 2010, sem que o PT tenha um nome competitivo. Chama-se Aécio Neves, o jovem governador reeleito de Minas Gerais.   

O governador eleito Marcelo Déda está assumindo o governo do estado em primeiro de janeiro de 2007. O governador João Alves Filho continuará fazendo política, discutindo as coisas do estado e do país, liderando um grupo, mas é possível que não volte a disputar mandato. E o campo está aberto na oposição a Marcelo Déda, porque não se criou uma liderança firme para enfrentá-lo nesse momento e nem daqui a quatro anos. Acontece que o Partido dos Trabalhadores, agora através do governador eleito, deve preparar um nome que possa disputar o governo do estado, porque com a reforma política que acontecerá nos próximos dois anos, há possibilidade de se por um fim à reeleição, aumentando para cinco anos o mandato de prefeitos, governadores e presidente.

Evidente que o governador eleito Marcelo Déda não vai assumir em janeiro pensando em formar liderança. Mas é preciso pensar nisso, para que monte um projeto de poder mais audacioso, já que há um aparente vazio de novos líderes no ar. O ex-senador José Eduardo Dutra, dentro do grupo, é o que tem melhor posição em termos de sucessão, mais ainda não tanto para ganhar uma eleição a governador do estado, embora já tenha tentado, chegou ao segundo turno e ficou próximo. Mas começou com Dutra toda essa força que manteve a oposição unida nestes quatro anos. Marcelo Déda vai assumir o comando do estado, mas com a responsabilidade de formar um líder à altura de uma disputa majoritária, porque há uma escassez de bons nomes para o executivo estadual, já que caciques como o senador Valadares, Albano Franco e João Alves Filho não interessa disputar um próximo pleito, dentro desses próximos quatro anos. É um fato que a história já começa a registrar…

 

 

CONVERSA

O governador João Alves Filho (PFL) ligou para o governador eleito Marcelo Déda (PT) para cumprimentá-lo pela vitória e desejou-lhe êxito na sua nova missão.

Foi um gesto que demonstra que o palanque político está sendo desarmado, também assim entendido por Marcelo Déda.

 

VIAGEM

Onze quilos mais magros, o governador eleito Marcelo Déda vai pegar os filhos e viajar para uma praia do Nordeste e descansar de três a quatro dias.

Ao voltar a Aracaju Déda vai comandar pessoalmente a campanha de segundo turno do presidente Lula em Sergipe: “para mim a campanha não terminou”, disse.

 

AMORIM

O deputado federal eleito Eduardo Amorim (PSC) foi o campeão de votos em Sergipe, Ele conseguiu obter 115.466 votos e apenas confirmou o que já vinha sendo previsto.

O segundo mais votado foi o deputado federal Jackson Barreto (PTB) reeleito com 100.366 votos e o terceiro foi o ex-governador Albano Franco (PSDB), com 97.366 votos.

 

RENOVAÇÃO

A renovação na Câmara foi superior a 50%, com o retorno de Jerônimo Reis, e a chegada de Valadares Filho, professor Iran, Eduardo Amorim e Albano Franco.

Estão João Fontes (PDT), que disputou o governo, Cleonâncio Fonseca (PP), Bosco Costa (PSDB), não disputou, Jorge Alberto (PMDB) e Heleno Silva (PL), que ficou fora.

 

FONTES

O deputado federal João Fontes (PDT), disse que não pretende encerrar sua carreira política após o fim do mandato de deputado federal em dezembro desse ano.

“Sou um homem vocacionado para a política, e estarei pronto para mais uma missão se as circunstâncias me levarem a isso”, avisa.

 

VOTAÇÃO

Os eleitores que não votaram ontem (1º de outubro) poderão votar normalmente no dia 29 de outubro, data do 2º turno das eleições.

No entanto, é necessário comparecer a um cartório eleitoral e justificar a ausência do voto no primeiro turno das eleições.

 

CACHO

O advogado Emanuel Cacho lembra previsão que fez antes das eleições em relação à vitória de Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente em Aracaju.

Segundo Cacho, foi a única capital do Nordeste que ele venceu e Sergipe foi o estado em que Lula venceu com uma pequena margem de votos.

 

CICLO

O deputado federal João Fontes (PDT) disse que terminou o ciclo para determinados políticos e começou outro com Marcelo Déda.

Fontes diz que precisa ser formado outro grupo político para poder fiscalizar os novos projetos e atos: “eu estarei nesta trincheira”.

 

LULA

O presidente Lula da Silva (PT) disse ontem que já conversou com o governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda, para que ele participasse de sua campanha de segundo turno.

Outros aliados estão sendo convocados para entrar na campanha e Déda já avisou que vai trabalhar pela reeleição de Lula.

 

ALBANO

O deputado federal eleito Albano Franco (PSDB) está animado com o número de votos que obteve e por ter sido o mais votado de sua coligação em Aracaju.

Disse que fez uma campanha limpa e trabalhou intensamente. Fica em Sergipe para trabalhar no segundo turno em favor de Alckmin.

 

FÁBIO

O vereador e radialista Fábio Henrique mostrou ontem não teria se elegido caso tivesse permanecido com a sua candidatura a deputado estadual.

Fábio disse que precisava de 34 mil votos para eleger-se deputado estadual: “o povo não acreditava na minha vitória”, disse ele.

 

GILMAR

O radialista Gilmar Carvalho (PSB) não conseguiu retornar à Assembléia Legislativa e ficará de fora por quatro anos.

Gilmar apareceu pouco no horário gratuito de televisão e não conseguiu reunir numero de votos suficientes para influenciar no coeficiente eleitoral.

 

JACKSON

O deputado federal Jackson Barreto (PTB), como o segundo colocado, mostrou que continua um político bom de voto. Foi o segundo mais votado no Estado.

O candidato Valadares Filho (PSB) surpreendeu com o volume de votos. O primeiro colocado, Eduardo Amorim, já tinha sua posição esperada.

 

 

Notas

 

CLAUSULA

O TSE deve divulgar os percentuais da soma dos votos válidos de todos os partidos políticos amanhã. Isso permitirá averiguar quais legendas ultrapassaram a cláusula de barreira. A norma restringe o direito a funcionamento parlamentar aos partidos políticos que não atingiram 5% dos votos em todo o país.

Os Tribunais Regionais Eleitorais ainda precisam homologar os resultados, depois serão divulgadas as estatísticas. A maioria dos partidos intensificará negociações para iniciar uma maratona de fusões e incorporações.

 

COLLOR

O senador eleito Fernando Collor (PRTB-AL) declarou que tem maior ter simpatia pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições ao Palácio do Planalto. Collor falou para alguns jornalistas ontem pela manhã na capital alagoana, ainda comemorando a vitória.
“Não faço críticas ao Alckmin, só mostro minha simpatia à candidatura do Lula. Entendo que ele é para o Brasil o que mais compreende a alma nacional, o que melhor se identifica com o país e com o povo”, afirmou Collor.

 

DOSSIÊ

Os advogados do presidente Lula apresentaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a defesa prévia do petista na investigação judicial aberta pela corte para apurar se houve crime eleitoral no escândalo do dossiê. Na peça, alegam que o presidente não tinha interesse nos documentos.

É que o presidente Lula estava em situação confortável na corrida pela reeleição. O processo foi instalado a pedido da coligação Por um Brasil decente, que representa o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

 

 

É fogo

 

Uma pipa provocou problema de falta de energia elétrica em boa parte do centro de Aracaju. Durante 30 minutos tudo ficou parado.

 

Para não ser presa no bairro Santa Maria, uma senhora escondeu-se na casa do cachorro. Ela foi acusada de fazer boca de urna.

 

O deputado federal João Fontes segue hoje a Brasília para analisar com o partido como será o segundo turno para presidente da República.

 

Toda a bancada de Sergipe também deve seguir para Brasília para o reinício das sessões, depois de vários dias em campanha.

 

O deputado federal Jorge Alberto (PMDB) ficou na primeira suplência da oposição e Pedrinho Valadares (PFL) primeiro suplente da situação.

 

As ruas voltaram ao silêncio normal. Os carros de som e trios saíram de circulação e a cidade está de ressaca.

 

A maioria dos candidatos viajou para descansar da campanha. Muita gente gastou muita sola de sapato percorrendo o Estado.

 

O apresentador de TV Clodovil Hernandez é o mais votado deputado do Brasil. Acha que o mandato é apenas mais um emprego.

 

Ávida só volta à normalidade amanhã ou depois em todos os segmentos da administração estadual e municipal.

 

José Eduardo Dutra (PT) com certeza será um auxiliar forte de Marcelo Déda (PT), caso não seja indicado para compor o governo Lula, que está no segundo turno.

 

brayner@infonet.com.br

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