O que mais pode vir?

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Em sua edição de ontem, 19 de novembro, O Estado de São Paulo, por meio do Editorial “Linha Vermelha”, requereu a demissão sumária do Ministro da Educação, Sr. Abraham Weintraub por seus comentários sobre a Proclamação da República.

Parecendo a Rainha de Copas, baixinha dentuça criada por Lewis Caroll, o Estadão do alto de seus tamancos eivados de equívocos, grita autoritariamente: “O ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem de ser demitido imediatamente.”

Faltou quem botasse no texto alguns pontos de exclamação, três pelo menos, para ser a sua frase preliminarmente proferida mais consentânea com o “Cortem-lhe a cabeça!!!”, como gritava a Rainha da fábula contra aqueles que lhe divergiam no seu mau gosto de pintar de azul as rosas de seu jardim.

Esparramando mau gosto pelo Editorial, o jornalão paulista brandiu espadas contra aqueles que veem a Proclamação da República como algo sem povo, uma parada militar apenas, sem heroísmo nem grandeza, um golpe que o povo não vira, nem percebera, assistindo “bestificado”, como assim retratara um cronista da época.

Abespinhou-se o Estadão com o Professor Weintraub, não tanto por sua “errática gestão”, que por si somente, já bem justificaria a sua substituição por um quadro mais qualificado, dos que sobejam no país, mas que o periódico não quis desfiar.

Segundo o Jornal, “há outra razão, muito mais séria, que torna a sua permanência no cargo uma indignidade”.

Tentando pintar as rosas de anil, grita o editorial: “Não é de hoje que o ministro se porta em desacordo com a decência que deve pautar a conduta de um servidor do primeiro escalão da República”.

E a indecência não foi Abraham Weintraub ter exibido em público “cicatrizes para justificar seu baixo rendimento acadêmico”, nem ter glosado Gene Kelly, guarda-chuva à mão “para fazer troça de cidadãos críticos às suas políticas para a área de educação”.

Ocorre que há incômodo com as suas já “bastante conhecidas discussões infantis no Twitter”.

O real incômodo, todavia, é o Twitter, esta ferramenta gratuita mal empregada por iletrados e mal educados, que no anonimato exibem a própria covardia em excedente inanição cultural e moral.

E porque o problema vem daí, o Jornal entende que “até para os padrões do bolsonarismo – que estabeleceu novo patamar de insalubridade nas redes sociais – o ministro cruzou a linha vermelha”.

Percebe-se que o jornal  abomina o “bolsonarismo” esta terrível moléstia, última praga, incidente “in terra nostra”.

O problema denunciado pelo jornal foi que “no feriado da República, Abraham Weintraub postou-se a defender a monarquia na rede social”.

“A Constituição – continua o Jornal – não o proíbe de ter a opinião que for sobre as formas de governo”

Como estamos a viver numa Democracia que tolhe o livre pensar e professar “em se tratando de um ministro de Estado, no entanto, manifestar predileção pela monarquia é, no mínimo, uma conduta inapropriada”.

Inapropriada?!

Eu pensei que inapropriado fosse prevaricar, desejar a mulher do próximo, roubar, locupletar-se com o erário, se conduzir mal em desalinho, mesmo que amparado por um recurso, uma liminar, algo que adie ou escamoteie uma eventual condenação.

Para o Estadão, “Weintraub foi além. Acometido por algo próximo de um “surto antirrepublicano”, o ministro da Educação classificou como “infâmia” a proclamação de 15 de Novembro de 1889 e passou a desfiar uma série de aleivosias contra personagens da história brasileira ligadas ao movimento republicano”.

“Infâmia”, teria sido dizer que o Marechal Deodoro da Fonseca traiu o seu amigo Imperador Pedro II, uma verdade comezinha?

“Infâmia”, teria sido o Marechal Floriano Peixoto, comandante das tropas imperiais eximir-se de reprimir os insurgentes, e por pior, ter aderido aos golpistas?

E o que dizer do comandante do “Golpe”, o Marechal Deodoro da Fonseca, ter se levantado do leito, onde repousava por apneia, mediante um boato de que seria imediatamente preso pelo novo Ministro do Exército, o seu inimigo, e militar também, Gaspar Silveira Martins, num desfecho senil de uma dor-de-cotovelo juvenil?

Por acaso não foi assim, a República sendo gestada como ato derradeiro de uma disputa perdida por Deodoro do amor e do leito de uma viúva, Maria Adelaide, bela senhora que era Baronesa de Triunfo, e que preferiu Silveira Martins?

Weintraub não chegou nem a citar tal entrevero amoroso, entre Deodoro da Fonseca e Silveira Martins como causa determinante da nossa República!

Citou apenas o real valor de Dom Pedro II, um homem culto, probo e notável, sua filha Dona Isabel, a Redentora, e sua mãe Dona Leopoldina, mulher que assinou os primeiros atos da nossa Independência, três notáveis exemplos para a História do Brasil.
Incomodou-se sobremodo o Estadão porque “uma pessoa que acompanha as postagens do ministro no Twitter respondeu que “se voltarmos à monarquia, certamente você (o ministro Abraham Weintraub) será nomeado o bobo da corte”, tendo o Ministro respondido na lata, sem educação, por necessário digo eu: “Uma pena. Eu prefiro cuidar dos estábulos. Ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”.

E o Jornal prosseguiu: “Diante da agressividade da resposta do ministro, outro cidadão, em tom jocoso, disse ‘ter encontrado o seu bom senso na rua, que mandou-lhe lembranças’. Mais uma vez, o ministro desceu ao rés do chão: ‘Quem (sic) bom. Agora continue procurando o seu pai’”.

“Não são palavras que se supõe proferidas por um ministro de Estado, mas por um grosseirão” – pontua o Editorial.

Para o Estadão foi deletéria também a opinião do Ministro comparando Deodoro com Lula da Silva, a Geni da vez.

E mais! Deixando agora a Rainha de Copas e posando em melhor remate do Chapeleiro Louco ou da Lebre Maluca neste infeliz país das Maravilhas, “a  opinião do Ministro “avilta as tradições do Exército Brasileiro e as mais comezinhas regras de conduta social”.

“E se ainda assim Abraham Weintraub não for substituído – termina o Estadão –  o que mais pode vir?”

 

 

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