O que os candidatos representam para o mercado

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Como abordado na coluna anterior, a eleição é um momento decisivo. O candidato eleito terá a missão de guiar o país para a retomada do crescimento. Os atuais presidenciáveis mostram seus posicionamentos e o mercado tenta digerir as propostas apresentadas, muitas vezes divergindo da leitura da grande parte da população.

Do lado direito existem propostas de continuidade da agenda reformista, iniciada no atual governo, com austeridade fiscal e maior participação da iniciativa privada. Do lado esquerdo propostas de retomada do investimento público, com elevação dos gastos do governo como motor para economia. Algo parecido com o corrido na última década.

Para parte do mercado, Alckmin é o “queridinho”. Alguns enxergam nele a continuidade nos ajustes da economia de forma mais “light”. Cortes nos gastos, ajuste das contas públicas e medidas para ganho de competitividade da indústria, viriam de forma menos agressiva. Os projetos tentariam não afetar bruscamente as políticas de cunho social e inserir a iniciativa privada, gradualmente, para suprir tais áreas. Este tom mais social democrata teria uma aceitação mais fácil por parte da população e do congresso. Entretanto, a falta de carisma impede que o “chuchu” engrene nas pesquisas.

O indefinido candidato do PT e Ciro Gomes, apesar de se mostrarem opositores, representam a centro-esquerda, que tendem a dar continuidade à política econômica adotada no final da década passada e na primeira metade desta. Um crescimento impulsionado pelo consumo e pelo investimento público não é bem-visto aos olhos do mercado, já que, os reflexos destas medidas podem ser percebidos nos déficits orçamentários da união. Para os investidores o momento é de comprimir as contas públicas, principalmente em temas delicados como previdência social, o que não é percebido em tais candidatos.

Bolsonaro é visto por parte do mercado como o “resta um”. O mercado namorou com o Dória, depois veio o Luciano Hulk, o Joaquim Barbosa e outros “outersids”, entretanto nenhum deles se propuseram a corrida presidencial. Tão pouco o Alckmin aparenta que irá disparar nas pesquisas. Parece restar o candidato do PSL para representar a direita. Apesar das controvérsias e do tom “radical” e conservador ele deve receber o benefício da dúvida, pelo menos nos 100 primeiros dias de mandato.

Apesar de grande parte dos seus 26 anos de congresso ter votado com a esquerda e exaltar o desenvolvimentista regime militar, Bolsonaro passou a se mostrar a favor do livre mercado após o inicio do seu “namoro” com Paulo Guedes. O economista PhD e representante do movimento liberal tem grande respaldo dos agentes econômicos. Por conta do seu “testa de ferro” na economia, Bolsonaro ganha algum crédito com o mercado financeiro, aumentando sua força na corrida presidencial.

Particularmente, nunca vi a população tão dividida ideologicamente. A eleição se aproxima e o mercado aguarda ansiosamente pelo evento que poderá fazer a economia dar um passo para frente ou dois para trás. O país tomará um rumo apenas quando a incerteza acabar e o mercado espera que andemos para o lado direito.

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