O RISCO DO PSDB

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O Diretório Regional do PSDB faz uma reunião, hoje, no final da tarde. Assunto: decisão de como o partido sairá na disputa das eleições de outubro. Segundo informação que circulou ontem, durante todo o dia, possivelmente na sexta-feira o ex-governador Albano Franco vai anunciar oficialmente a posição do PSDB, que seria sair sozinho, sem apoiar candidatura a governador e liberar o pessoal para votar em quem quiser. Albano também promete uma boa notícia para seus aliados. Depois de uma série de encontros com o ex-prefeito Marcelo Déda (PT) e o governador João Alves Filho (PFL), o ex-governador Albano Franco não conseguiu fechar uma aliança. Tentou a oposição, mais foi impedido pela verticalização. Dialogou com o governador e considerou a proposta frágil para fechar uma coligação. Os tucanos ficaram acuados pela legislação eleitoral e por algum tipo de capricho que não sustentou uma aliança com o PFL. Tem quem aposte que o anuncio não será ainda na sexta-feira, mas se acontecer não será uma posição irreversível.

O ex-governador Albano Franco recuou de sua candidatura ao Senado, através de uma aliança informal com o PT, porque a direção nacional do PSDB proibiu qualquer entendimento com os principais adversários do tucanato. Mas não foi apenas por isso. Albano percebeu que entrando numa aliança branca – como o seu partido pensou – prejudicaria os candidatos proporcionais, definhando a legenda para o próximo quadriênio. Teve um momento que o ex-governador pensou em fechar com o PFL, porque elegeria um maior número de candidatos através de um chapão. A maioria dos membros do partido, inclusive os que detêm mandato, mostrou insatisfação de apoiar o governador João Alves Filho, alegando divergências regionais. Quase todos insistiram que o melhor nome para se aliar seria com o ex-prefeito Marcelo Déda. O maior sinal de que a composição caminhava para acompanhar a coligação nacional, foi a reação do empresário Ricardo Franco (PSDB), que ameaçou sair candidato a deputado estadual, caso o pessoal contrariasse a decisão do seu pai.

Os deputados não gostaram e também reagiram às declarações de Ricardo. Elas provocaram constrangimentos. Tanto que alguns parlamentares passaram a recusar dar opinião sobre a melhor posição que o partido deveria tomar.

Por enquanto o PSDB tem como proposta sair sozinho. Possivelmente aliando-se a partidos menores para a formação de uma coligação. Os candidatos a deputado federal são Albano Franco, Bosco Costa e Laércio da Multiserv. Disputam a Assembléia Legislativa Ulices Andrade, Jorge Araújo, Fabiano Oliveira, Luiz Mittidieri e José Teles de Mendonça. É uma chapa forte, mas na opinião de algumas pessoas que calculam bem o quociente eleitoral, sem uma ampla coligação será difícil o próprio Albano chegar à Câmara Federal. Um assessor do governo avaliou que para eleger o primeiro candidato, qualquer coligação vai precisar de 140 mil votos e avaliou que, no caso do PSDB, o ex-governador deve puxar a legenda. Admite que ele tenha 80 mil votos em todo estado, Bosco Costa 30 mil e Laércio um máximo de 15 mil: “com 125 mil votos não dá para eleger ninguém”, disse. Quanto aos estaduais, o primeiro se elege com 40 mil votos e chega ao segundo a partir dos 60 mil: “é possível que eleja dois parlamentares”.

Lógico que um assessor do governador poderia contabilizar assim para tentar reabrir o contato entre o PFL e PSDB, mas um forte membro da oposição fez calculo equivalente. Discorda apenas em relação a Albano Franco, acha que ele se elege deputado federal. Concorda com a eleição só de dois estaduais. Uma liderança do interior, ex-aliado de Albano, diz que ele está revivendo o sacrifício de 2002, ao permanecer no governo por pressão dos seus amigos. “Deu no que todos sabem”, falou. Essa preocupação também é do ex-prefeito Marcelo Déda, que está conversando com lideranças de partidos menores, para fazer uma composição com o PSDB. Apenas um detalhe: nenhum partido que apóia o Déda para governador aceita uma coligação com os tucanos.

 

 

ANUNCIO

É possível que na próxima sexta-feira o PSDB anuncie a decisão de sairá independente com a chapa a federal, liderada pelo ex-governador Albano Franco e Bosco Costa.

O PSDB terá uma reunião de diretório regional hoje à tarde quando definirá como todos vão atuar. As bases estão liberadas para votar em quem quiser para governador.

 

ENCONTRO

Segunda-feira à noite, no apartamento do senador Valadares (PSB), houve uma demorada conversa entre ele, Marcelo Déda (PT) e Albano Franco.

Não houve forma de qualquer acerto em respeito à verticalização e já que não poderá ser candidato ao Senado, Albano forma a chapa para federal e estadual.

 

QUESTÃO

O pré-candidato ao Governo, Marcelo Déda, revelou que foi tratado no jantar a questão de uma chapa proporcional que seja boa para o PSDB.

“Estamos buscando uma solução”, disse Déda, que ontem conversou com lideranças de alguns partidos, para que façam aliança com os tucanos.

 

JANTAR

Por volta das 23 horas de segunda-feira, Albano Franco ofereceu um jantar ao economista Marcos Melo, que lançou um livro no mesmo dia à tarde, na Assembléia Legislativa.

Aproveitou e comunicou ao tucanato o que conversara com Valadares e Déda. Disse que o partido sairia sozinho, com chapas proporcionais. Montaria palanque para Alckmin.

 

JOÃO ALVES

O governador João Alves Filho (PFL) não demonstra mais interesse em conversar com o ex-governador Albano Franco em busca de um entendimento.

Não revela isso, mas deixa passar a impressão que não há mais do que tratar. Ontem o governador conversou com Tácito Faro, mas não tratou de um encontro com o PSDB.

 

OPINIÃO

Um influente membro do PFL acha que o partido não pode deixar de insistir para fechar uma aliança com os tucanos.

Acha que se houver uma garantia da reeleição de Bosco Costa (PSDB) à Câmara Federal fica mais fácil negociar com os tucanos.

 

CONSELHO

A informação vem de Brasília: o conselho político da campanha de Geraldo Alckmin, formado ontem à noite, vai atuar nos estados em que PSDB e PFL conflitam.

Membros do conselho virão a Bahia e Sergipe. Aqui conversarão com João Alves Filho e Albano Franco para tentar uma aliança entre os dois.

 

NAUFRÁGIO

A aliança entre o PDT e o PPS para lançar candidato à Presidência da República naufragou. Ela vinha sendo discutida há algumas semanas entre os dois partidos.

Também já está descartada a candidatura presidencial do deputado Roberto Freire (PE) e o PPS deverá declarar apoio ao candidato da coligação PSDB-PFL, Geraldo Alckmin.

 

PAIXÃO

Esse naufrágio era tudo que o deputado federal suplente Ivan Paixão (PPS) queria, porque o seu desejo é manter o apoio ao governador João Alves Filho (PFL).

Ivan Paixão estava temendo que o seu partido tentasse uma coligação fora desse eixo PSDB-PFL, porque ele ficaria impedido de apoiar João Alves.

 

TENSOS

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e o deputado federal Jackson Barreto (PTB) ficam tensos quando sabem que Albano Franco e João Alves estão se encontrando.

Os dois só se tranqüilizam depois que têm conhecimento da conversa e que a coligação se mantém em estaca zero. Temem uma aliança dos dois…

 

VERDE

O Partido Verde reúne-se hoje, em Brasília, para discutir posição nas eleições presidenciais. Há três possibilidades: lançar candidato próprio, apoiar outro partido ou sair independente.

O presidente do PV em Aracaju, Reynaldo Nunes Morais participa do encontro nacional e vai defende que o seu partido não apóie nenhum candidato a presidente.

 

PROBLEMA

Na reunião de sexta-feira passada houve uma discussão em torno da indicação do vice-governador na chapa lidera por Marcelo Déda. O PSB não abre mão da vaga…

Na reunião foi levantada a questão de que o PMDB era importante, mas não tinha força política para indicar o vice. A tese não foi aceita por outros partidos.

 

DEFINIÇÃO

Sobre a questão da indicação do vice, ficou definido que o nome do companheiro de chapa de Déda sairá mais adiante, no período das coligações.

O ex-senador José Eduardo Dutra (PT) sugeriu que o bloco continue articulando o nome do vice. Caso não chegue a um acordo, o pré-candidato Marcelo Déda é que escolherá.

 

 

Notas

 

COMPLICADO

Só para mostrar como está difícil a aliança PSDB e PFL. O deputado estadual de São Paulo, José Caldini Crespo (PFL), acusa o PSDB de ser um “partido prepotente, que não gosta de dividir o poder” e que reluta em aceitar o PFL como parceiro. Crespo foi mais incisivo nas críticas ao revelar que “houve corrupção no governo Alckmin”.
Os atritos entre PFL e PSDB tiveram mais faíscas no recente episódio dos ataques do PCC no estado de São Paulo. O governador Cláudio Lembo criticou a falta de solidariedade dos tucanos diante dos acontecimentos.

 

NA BAHIA

Problemas idênticos estão acontecendo na Bahia, onde PSDB e PFL se dividem no apoio a Geraldo Alckmin, através do deputado federal Jutahy Junior (PSDB) que não queria se unir ao PFL do senador Antônio Carlos Magalhães. O problema continua, mas Alckmin preferiu o palanque do PFL na Bahia.

Sergipe também está dividido por problemas regionais. O ex-governador Albano Franco (PSDB) não fecha aliança com o PFL do governador João Alves Filho. De alguma forma esse tipo de divergência atrapalham Alckmin.

 

GREVE

Funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 19 Estados e no Distrito Federal estão em greve desde ontem. A paralisação vai durar três dias, em protesto ao não cumprimento, pelo governo federal, do acordo assinado durante a greve de 2005. Não está descartada a greve por tempo indeterminado.

Sergipe também aderiu à greve e parou as atividades no momento em que ela foi deflagrada, a paralisação termina sexta-feira. As agências do INSS estão com as portas totalmente fechadas e os serviços mínimos estão funcionando.

 

 

É fogo

 

O PSDB e PFL brigam muito no Nordeste, região em que o presidente Lula ganha fácil as eleições e Alckmin está abaixo da linha do razoável.

 

O ex-governador Albano Franco vai levar o PSDB sem alianças, procurando coligações com partidos pequenos.

 

Mais uma vez Albano Franco vai para o sacrifício para proteger seus parlamentares, embora há cálculos de que haverá uma redução de bancada.

 

O governador João Alves Filho (PFL) ainda deve tentar uma conversa com o ex-governador Albano Franco para fechar uma coligação.

 

A candidatura do deputado federal João Fontes (PDT) ao governo do estado modifica o quadro eleitoral radicalmente.

 

O deputado Fabiano Oliveira (PSDB) não acha justo que o seu partido dispute as eleições sem fechar uma aliança com outras legendas.

 

José Eduardo Dutra (PT) tem acompanhado o pré-candidato ao governo pelo PT, Marcelo Déda, em todas as suas incursões. Dutra já está definido como candidato ao Senado.

 

O senador Valadares (PSB) é quem faz o meio campo para fortalecer a candidatura de Marcelo Déda ao governo do Estado.

 

Valadares é o responsável pelos contatos políticos, principalmente com lideranças do interior. Tem ouvido muita gente.

 

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brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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