O sabor da conquista

0

Recentemente, recebi de uma leitora, o seguinte e-mail:

 

A minha infância foi pobre, o meu pai trabalhava na feira vendendo pasteis e minha mãe sempre ao lado dele como uma boa companheira, ele só tem ate a 4ª serie e ela mal acabara o ensino médio quando se casaram, ela de Aracaju e ele de Nossa Senhora. da Glória. Quando nasci as dificuldades aumentaram e voltamos a terra do meu querido papai. Passei belos 20 anos da minha vida na “Capital do Sertão”  e mesmo sem ter uma “base familiar” que amava ler , parecia uma pequena traça entre revistas e mais revistas.

Certa vez quando tinha 16 anos, estava folheando a Revista Perfil e comecei a gostar de uma coluna de um escritor, para mim até então desconhecido Domingos Pascoal e passei a ficar ansiosa pela chegada de cada edição, pois amava a forma que ele escrevia, eu sentia emoção em suas palavras. Tive, naquela época, a ousadia de criticar, via email, um texto seu que falava sobre jovens houve uma respondeu com todo o meu enorme email publicado no “cantinho dos leitores”, só para informação guardo com enorme carinho até hoje numa linda capa azul a folha da revista, com meu lindo nomezinho no final. Eu dizia, naquele tempo e digo ainda, que guardo  aquela página da Perfil, onde está o meu email e a resposta  para mostrar aos meus filhos.

Aos 18 anos fui mãe de um garotinho que chegou no “susto” e sabe de uma coisa? Ele conseguiu me fazer mulher / mãe / pessoa! Deu-me garra para batalhar pelo nosso futuro!

No entanto, depois do seu nascimento pensei que minha vida tinha acabado. Só de imaginar o que poderia fazer uma mãe solteira no interior do estado sem emprego, sem salário e sem nenhuma expectativa! Acabaram-se os meus sonhos… Porém, para a minha sorte, um ano depois voltei a estudar. Voltei por incentivo de um “anjo” que apareceu na minha vida quando fui ao um Simpósio de Redação em Itabaiana e encontrei ninguém mais, ninguém menos, que o meu “ídolo”!!

Senti-me uma criança pequenininha com as pernas para cima e deitada de barriga para baixo no chão quando passava Xuxa, sabia? Nossa! Um escritor que eu admirava tanto e falava dele com as minhas amigas sobre a maneira que ele escrevia, estava a menos de 03 metros de mim e ainda me deu uma nota de um dólar que guardo até hoje na carteira (posso mandar para você autografar? risos)

Desculpe se lhe fiz perder tempo com esse texto contando coisas soltas, mas para mim, pessoas como você, são as selecionadas para que eu possa apresentar ao meu filho como “EXEMPLO”.

OBS.: Meu bebê tem 03 anos hoje e já mostrei para ele que a mamãe dele tem nome dela em revista. Estimulo bastante a leitura dele e quem sabe um dia posso apresentá-lo a você com muito orgulho!

Obrigado querida amiga, a sua primeira carta deixou-me alegre, pois era a prova de que o que eu escrevia estava sendo lido. Porém a segunda, mesmo seis anos depois, provou mais ainda: o que escrevo está sendo lido e o melhor, está servindo para alguma coisa. As suas manifestações, ao que me parece sinceras, validam a minha proposta.

Mas, na verdade, trouxe a lume este correspondência recebida para explorar um pouco a declaração contida no primeiro parágrafo: “A minha infância foi pobre…”.

 

Gostaria de chamar a atenção para um fato que, infelizmente não é muito conhecido e valorizado ou, pelo menos, não é muito divulgado.

 

A realidade é a seguinte: é muito mais fácil quem nasce pobre vencer na vida do que aquele que já nasceu rico.

 

Por motivos óbvios quem nasce na riqueza não tem nenhum estimulo em buscá-la, Não há a necessidade do esforço, de aprender, de criar, de construir, de fazer…

 

Diferentemente daquele que, obrigatoriamente, terá que lutar, se preparar, estudar, se esforçar e, sobretudo, trabalhar muito se quiser, um dia saborear a riqueza. Sim, saborear mesmo, pois ela quando conquistada tem valor e sabor é, verdadeiramente, uma RIQUEZA.

 

Diferentemente, quem recebe, como se diz, “de mãos beijadas”, não passa por aqueles embates da busca, do esforço, do trabalho. Ela vem fria, sem o valor agregado, da luta, sem o calor da conquista.  

 

Existe até o axioma que diz: “avó rico, filho nobre, neto pobre”. O avô nasceu pobre e construiu a riqueza; o filho nasceu rico e consumiu a riqueza recebida do pai; o filho deste, o neto do primeiro, nasceu na pobreza e, provavelmente ficará rico… É o ciclo da vida.  

 

A meu ver esta realidade deveria ser mais estudada, divulgada e incentivada. Este é um daqueles assuntos que devidamente trabalhado nas nossas escolas, se prestaria para ajudar aos dois lados: tanto os nascidos na riqueza, para que se conscientizassem desta realidade e cuidassem melhor de sua sorte; como a grande maioria que nasce de famílias pobres, trabalhasse melhor os seus “infortúnios”.

 

Pois, queridos leitores e leitoras, concluo dizendo: Nascer pobre é o melhor combustível para ficar rico. E, nascer rico é, sem trocadilho, o maior risco de ficar pobre.  

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários