Só porque o “Chega” gorou e não chegou, lembrei-me de chicotes e dos condutores dos jumentos da minha infância.
Diz-se do Chega!, por interjeição e palavra invariável, expressão mui grave e breve utilizada, para expressar sentimentos intensos de impaciência, irritação, desaprovação ou o desejo de interromper uma ação ou situação.
O Chega! É algo semelhante ao “basta”.
É dito com tanta ênfase e repulsa que a ele segue um desejo imprecação, isso às vezes, mas nem sempre: – “Vá tomar banho, ó seu fedorento!” – “Vá tomar no Quim!”, descomer, justo em falsete micuim. – “Vá à merda!”, no mesmo fedor, mas sem exibir elegância. Ou “Vá à PQP!”, maiusculamente grafado, ou “Vá à pqp!, minusculamente gravado, só para externar maus prurismos de bom mocismo, e ofender a genitora, que alguma culpa possui de não ter matado o sêmen que a pior fertilizou.
Sem imprecações todavia, há muitos exemplo para o Chega!
“Chega! Eu não quer ouvir mais nada”.
“Chega! Eu vou me separar de você”.
“Chega! Vou pedir minha demissão”.
Tudo sem maiores ofensas, mas com infensas definições.
Há outros exemplos, infestos, por mais terríveis, nunca ouvidos, mas imaginados.
Teria dito assim no seu Chega!, definitivo, o Presidente Getúlio Vargas, em prévias de suicídio com bala no peito extremamente decepcionado ao ver-se imerso e submergido, em “mar de lama” ao seu redor, afundado em excedente covardia de aliados e achegados.?
Teria dito o gaúcho no seu ensimesmar-se derradeiro: “Chega! Basta de malhar em ferro frio neste país repleno de muita corja e assaz resistente à forja!?”
Pergunta que nenhum seu circunstante ousou fazer, afinal poucos o viram tão gigante em sua horizontalidade exibida no esquife.
E um outro Chega!, não tumular, mas enlouquecido, o do Presidente Jânio da Silva Quadros, num bilhete curto e tolo, como se de porre o tivesse rascunhado, missiva para não ter qualquer valia, simonia ou cacofonia, afinal o Brasil, nada leva a sério, a não ser a esperteza da escória que soçobra à toda e qualquer intempérie, só para confirmar que vale ainda o aforismo longínquo de Capistrano de Abreu (1853-1927), um historiador que ninguém mais lê, porque restou preciso, incômodo e definitivo, enquanto obrigação de fé apostolar: “Todo brasileiro está, (ou devia ser, pelo menos) obrigado a ter vergonha na cara”.
Com vergonha ou sem ela, eis que me afasto do tema; o Chega!, só para dizer que este chamado nunca vem, quando imprecado e motivado, em apelo às massas ignaras, essas sempre inerciais, confusas e amorfas; um perigo eterno e constante, afinal todo rebanho, qualquer um, de bestas, de bugres, de gente burra e até de jumentos, desembesta sem razão, a quem açule a tropa e a espante.
O que me faz lembrar dos carregadores de água na cidade de Capela na minha meninice, porque a cidade era abastecida de água transportada em recipientes, arqueados em pipas de madeira, chamados ancoretas ou ancorotas, para alguns, trazidos no lombo dos jumentos, obedientes aos estalidos do chicote, sem tortura, nem vergaste; tudo em ordem e sem desembesto.
Tudo isso só para dizer que por verve ceboleira, diz-se que o “Jumento tem sete charmes para infertilizar qualquer égua, já Luiz Inácio tem o charme de sete jumentos…” (Colocarei em negrito por criação de um amigo, tão velho quanto eu).
A frase não é minha, repito, porque a escutei como chiste, afinal a infertilidade dos jumentos, parece edulcorar qualquer fêmea cavalar.
As bestas, poldras ou éguas não os escoiceiam quando no cio, não os rejeitam, nem os repelem, facilitam-lhes até a eventual discrepância de alturas.
Saboreiam-no, dizem até alguns gaiatos, deliciando-se com o seu relincho.
Já o fruto, o gerado é sempre mulo, por híbrido, bronco e infértil…
Seria coisa nossa também de Brasil!?
Permitam-me, agora por cacoete, fugir do tema sem me afastar do dilema, ousar a rama, de falar um pouco da Física, esta matéria assaz útil a todos os gostos.
Uma das coisas mais fascinantes do estudo inicial da teoria ondulatória é a propagação de ondas transversais numa corda, em que se pode gerar ondas estacionarias, por reflexão e refração, estudo que se estende ao som em tubos abertos e fechados, seus muitos harmónicos a ver e ouvir em cordas e orifícios, e por extensão; uma gama infinita de instrumentos musicais.
No caso dos chicotes empregados para tanger os jumentos no transporte das ancoretas cheias de água potável da minha infância, ha uma aplicação desses conceitos, caso do movimento de uma onda transversal ao longo de uma corda, que no nosso caso é o chicote de couro e a reflexão dessa onda na extremidade final do referido mangual.
Extremidade, diga por acréscimo por sua missão e confecção, que deveria vergastar o jeguinho, o que não acontece, afinal o objetivo do bom transportador do comboio não é espancar impiedosamente o jumento simplesmente, como a historia conta do pranto incontido de Friedrich Nietzsche, na sua Viena no alvorecer do século passado.
De Nietzsche, o relato vale a pena inserir, porque o filósofo compadeceu-se de tal modo com um animal vencido pela carga que transportava, ao qual vira ser impiedosamente espancado pelo seu tangedor, que do agressor lhe arrebatou o chicote, caindo em choro incontido abraçando-se com o animal, qual irmão indefeso que sofria com a intolerância do humano,
Aquele choro incontido e terrível, tão inexplicável para os homens comuns, evidenciava o inicio da alienação crescente do filósofo em decaimento continuo e terminal.
Se os homens que conduzem manguais se deliciam em sua missão, há alguns que colocam nas suas pontas, pequenas pontas metálicas para dilacero simplesmente, de si e de suas vitimas, de molde a redimir-lhes os pecados, caso absurdo de monges medievais em diária mortificação dos sentidos, e de alguns carrascos do estado opressor, diferentemente dos comboieiros da minha infância.
Ali não se pretendia torturar nem promover sofrimentos e castigos aos jumentinhos.
Com tal objetivo de evitar castigos inúteis, os comboieiros amarravam pequenos rabichos na ponta de seus chicotes, confeccionados de uma cordinha mais leve, e não de couro, de modo a constituir uma continuidade da chicote, agora por um meio de densidade menor, mais leve, para simples aplicação dos princípios de reflexão e refração de uma onda transversal em dois meios de densidades distintas.
No primeiro caso, o da tortura e/ou mortificação, as pequenas pontas de metal produzem mais dilacero e sofrimento, porque a onda prossegue, como se o chicote estivesse preso numa ponta semifixa, por mais rija, uma parte sendo forçada a retornar com inversão de fase, e a outra tentando prossegui sem mudança.
Como isso não se faz perfeitamente, a energia se concentra nas pontas metálicas terminais, perfurando a carne do torturado, sangrando-o!
Já no caso do pequeno rabicho leve amarrado na ponta do chicote, a onda iniciada no cabo do mangual reflete como uma corda solta sem mudar de fase, o que se faz com um silvo sonoro, estalo rápido e preciso do ar que resta sozinho fustigado.
Este estalido no ar somente, relembra ao jumento o vergaste jamais esquecido quando lhe foi empregado no processo de amansamento, afinal os equinos não nascem mansos.
E há os que amansam pela dor, enquanto outros tudo conseguem com brandura.
Se os jumentos bem aprendem e não esquecem do que lhes querem dizer os estalidos do chicote ao ar, sem os atingir, alguns humanos, povos inteiros inclusive, comportam-se piores que os jumentos, apanhando todo tempo e toda vida, sem aprender.
Por acaso não é o caso de Cuba em meio século e meio de desencaminhos, tudo “revolucionário, mas popular”, afundando-se em misérias?
E o Brasil não está a querer imitar Cuba, com excedentes mandatos Lulopetistas?
Se não é bem assim, eis um sintoma de que não houve vergaste suficiente ainda, lá e cá, em excedente asnice ou jumentice.
Isso porem não interessa.
O que interessa é que eu viajei na maionese e preciso voltar ao tema inicial pretendido que era o Chega!, o ChegaPortucalense ao qual ainda pretendo falar.
O Chega, segundo a Wikipedia é um partido político português de ideologia populista, de direita radical, nacionalista, patriótica, conservadora, sendo o seu espectro político definido por alguns politólogos como sendo de direita a extrema-direita.
Diz-se ali também que embora esteja no seu manifesto a defesa do liberalismo económico. Há muita crítica nesse campo.
Desde 2025, o Chega tem o segundo maior grupo parlamentar na Assembleia da República (60 deputados) e tendo sido a força com o terceiro maior número de votos nas eleições legislativas de 2025 (22,76%).
A inscrição do Partido foi aceita pelo Tribunal Constitucional a 9 de abril de 2019. Tem, portanto, seis anos de vida! Uma tenra infância!
Nas eleições legislativas portuguesas de 2019, o partido elegeu um único deputado, obtendo 1,29% dos votos.
O Chega fez parte da coligação Basta! para as eleições parlamentares europeias de 2019, não conseguindo eleger nenhum eurodeputado, com André Ventura como cabeça de lista.
Em julho de 2020, o partido aderiu ao grupo europeu Identidade e Democracia
Nas eleições legislativas de 2022, o Chega aumentou significativamente a sua representação parlamentar, passando de um para doze deputados, com 7,18% dos votos.
Na eleição para Presidente da República, o Chega conseguiu ir aos Segundo turno no Domingo passado, 9 de fevereiro, quando havia crescente esperança do predomínio da chamada Direita, demonizada mundo a fora como Ultradireita.
O que se viu foi a vitória dos Socialistas, palavra que a todos empobrece, o que me faz retornar aos comboieiros de água e seus jeguinhos.
Só para dizer que o meu viajar na maionese não foi simples desande.