Os Irmãos de Betânia e os Irmãos Karamazov.

Qual a ligação entre Marta, Maria e Lázaro, os habitantes de Betânia, na Galileia de Jesus, e os irmãos Karamazov; Dimitri, Ivan, Alyosha e Smerdyakov, todos filhos de Fiodor Pavlovitch Karamazov, personagens de Fiódor Dostoiévski em sua obra-prima final, “Os Irmãos Karamazov”(1880), passado na Velha Rússia Czarista?

Aparentemente nada a ver, nem no tempo, nem no espaço, muito menos qualquer parentesco.

Em outra via, muita coisa me surgiu a título do tema, afinal voltara a ler “Os Irmãos Karamazov”, romance há muito tempo esquecido e abandonado, justo neste fim de Quaresma, quando a ele retornei, e de repente vi-me querendo comparar e me amparar na Santa Missa deste 5º Domingo, quando o Padre Celebrante discorreu sobre o Evangelho de São João, narrando a visita de Jesus Cristo a Betânia, Ressuscitando Lázaro, seu amigo, finado e cheirando mal há quatro dias, num feito em que ela, a morte, não se faz ruina; é apenas um sonho, uma certeza de que, no outro lado da vida, há sempre o Cristo, ideal Amigo, a despertar.

Num acordar totalmente diferente, os ternos irmãos de Betânia, vivendo felizes num lar sem pai, nem mãe a referir, conferir e inferir, serenidade, contrastam com os irmãos emprenhados por Dostoievski, vivendo seus dramas medonhos e soturnos, saturnais quase infernais, no lar de um pai terrível, Karamazov, imagens eminentemente díspares, mas que soam bastante comuns em muitas famílias, nas cenas corriqueiras que a convivência desafia.

Neste grande contraste, Marta, Maria e Lázaro constituem uma família assaz perfeita que convive em grande amor, vencendo o desafio da vida em seu ganhar e perder, diferente do viver e do conviver, dos Karamazov, em pavoroso pesadelo desde a infância.

Dos irmãos de Betânia, os Evangelhos não falam de seus pais. Eles são tão bons, que os seus pais deviam sê-lo também.

Se a exceção não enseja por si a regra, o Evangelho não nos fala da árvore boa, reconhecida nos seus frutos?

Dos três irmãos, sabe-se apenas serem amigos diletos de Jesus, vivendo harmoniosamente e sem traumas, sempre acolhendo o Mestre nas suas andanças pelos caminhos empoeirados da ressequida Galileia, sendo refrigério para o seu cansaço, e alimento para renovação de suas forças, afinal o Mestre sofria as canseiras de sua humanidade.

Pelo que se sabe do relatado, a família de Betânia bem recebia os visitantes, a mesa sendo farta, muitos comendo e bebendo em frugalidade, tudo sem cobranças e/ou pagamentos.

Os três irmãos de BetâniaMarta, Maria e Lázaro — são figuras centrais nos Evangelhos, especialmente em Lucas e João.

Betânia era uma aldeia perto de Jerusalém, situada a 3 km.

As vezes Jesus ia para lá porque os seus discípulos temiam um apedrejamento por parte dos Judeus, sempre ciosos na sua ortodoxia de fé.

Jesus não viera para negar a fé do seu entorno talmúdico, reformá-la talvez, torná-la  mais humana, mais fraterna, denunciando a intolerância do humano, aquele que apedreja de morte a mulher adúltera, que chacina cruelmente o blasfemador e que demoniza os milagres, sobretudo se tais prodígios forem realizados num dia de Sábado.

“O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” escreveu  Marcos 2:27, replicando toda pregação farisaica de seu tempo, gente que condenava o Mestre por realizar milagres, fazer os coxos e estropiados andarem, os cegos de nascença enxergarem só com a argamassa de seu cuspe, os surdos-mudos falarem e ouvirem com um sopro, curar muitos leprosos e morféticos, pacificar loucos e endemoniados, e até mortos ressurgirem… Que coisa horrenda! Tudo misterioso e sumamente perigoso, sobretudo porque era realizado ao vivo e em cores, na presença de muitos, justo “num dia de Sábado”! Um escândalo!

Jesus fizera essa declaração tida como autoritária e despropositada, porque o sábado no seu pregar, não existia somente para o povo Hebreu, mas para toda a humanidade.

Dizer assim, eis uma heresia, perante a religião rabínica, algo terrivelmente perigoso, podendo sofrer ameaças até de lapidação pública…

Não era comum o apedrejamento de profetas?

E não é assim, hoje ainda, quando as pedras atiradas são iguais em tantos ódios levantados pelos hodiernos saduceus, fariseus e até zelotes, todos inimigos de Jesus, em suas contendas sempre eternas?

Assim, como dito antes, a casa dos Irmãos de Betânia era um refúgio de hospitalidade, diálogo e de milagres, inclusive.

Jesus a visitava com frequência, comia na sua mesa, e ali ensinou, realizando o mais impressionante dos sinais antes da sua própria Páscoa: a Ressurreição de Lázaro, seu amigo, narrado em João 11, tema da Missa do ultimo Domingo, o 5º da Quaresma.

Em feito outro, numa distinta visita talvez, a mesma Maria, ou outra Maria, porque os Evangelhos nos falam de muitas Marias: Maria Sua Mãe; Maria de Betânia;  Maria que viu Jesus Ressurrecto por primeiro; inclusive da Maria Madalena, imaginada por Dan Brown, como amante marital de Jesus em “O Código Da Vinci”, hoje um bestseller esquecido.

Uma dessas Maria, por certo a de Betânia, despertara o menosprezo dos convivas porque lavara os pés do Seu Senhor, usando as lágrimas de próprios olhos, e os seus longos cabelos para enxugá-los, quebrando para isso um vaso de perfume muito caro para melhor ungi-los.

Tal feito restou sobremodo reprovado, afinal o tal perfume, bem podia segundo alguns, ser revertido em moeda sonante para o alimento dos pobres.

E Jesus lhes respondeu em lição tão eterna, quão definitiva para nós todos: “Pobres, sempre o teríeis!” Lição que refleti muitas vezes em diversos textos aqui lançados.

De Marta, revelando-se administradora da casa e da família, há um momento de preocupação, quiçá mesmo de reclamação.

Marta se incomoda em não ser ajudada por Maria, sua irmã, nos seus afazeres domésticos, preferindo esta, ficar ao lado de Jesus, embevecida com os seus ensinamentos.

Jesus apazígua Marta, diz-lhe que esta se preocupa demais, por “inquieta e perturbada com muitas coisas”(Lucas 10,41), algo que soaria por demais até incongruente, afinal as donas de casa bem o sabem, que tais quefazeres não se refazem sozinhos.

Não é preciso apagar o fogo na hora certa, para o cozido restar bem servido, lavar os utensílios…, os inacabáveis afazeres domésticos?

Jesus diz-lhe, acalmando-a: Marta, Marta, tu tem inquietas e te agitas por muitas coisas ; no entanto pouca coisa é necessária , ate mesmo uma só. Maria com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”.(Lucas 10v. 42).

Está a lhe dizer, incompreensivelmente até, que a escuta da Palavra é o fundamento de tudo.

Lázaro, por sua vez, nenhuma palavra diz nos Quatro Evangelhos. É apenas o dileto amigo de Jesus.

Lázaro é a fé que vence a morte.

O seu milagre é o sinal supremo: Jesus é “a ressurreição e a vida” (João 11,25). Quem Nele crê, “mesmo que morra, viverá”.

Se Lázaro ressurgiu dos mortos o que dizer dos Irmãos Karamazov?

Se os três irmãos de Betânia constituem uma família perfeitamente normal por harmoniosa, em Os Irmãos Karamazov (1880), Fiódor Dostoiévski, mergulha profundamente os quatro irmãos na condição humana.

O personagem motor da trama é Fiodor Karamazov; o pai dos quatro irmãos: um ser abominável!

Ele é um patriarca grotesco; um bufão devasso, ganancioso, cínico e completamente irresponsável.

Nascido pobre, Fiodor Karamazov enriqueceu graças aos dotes das duas esposas, ambas mortas precocemente, a quem iludiu só pelo prazer carnal, consumo de bebidas, em excedentes orgias e muitas humilhações.

A primeira esposa, Adelaida Ivanovna Miúsova, era uma aristocrata impetuosa tida como “fogosa e impaciente”, que fugiu com o marido por aventura romântica, sem ver que este só lhe queria roubar o dote por herança.

Deste consórcio, nasceu Dmitri, o primeiro dos Irmãos Karamazov, abandonado em tenra infância pela mãe incomodada com os maus tratos e orgias do marido, ficando o lactente aos cuidados de um criado, num “isbá”, um casebre tosco da Rússia, restando depois aos cuidados de um parente da mãe, já que esta logo morre, sem lhe deixar nenhuma lembrança, senão sua paixão violenta em um temperamento explosivo.

Uma vez viúvo, Fiodor Karamazov casa-se com Sófia Ivanovna uma mulher calma, piedosa e sofredora, que lhe dará dois filhos: Ivan e Alyosha.

Do marido beberrão e devasso, Sófia suportou as maiores humilhações com resignação cristã, morrendo jovem também, quando os meninos ainda eram pequenos.

Das poucas lembranças da mãe, só Alyosha, o mais novo, guardaria sua memória.

É uma lembrança fugaz, vendo-a ajoelhada diante de um ícone, rezando, semente da fé profunda que o garoto viria a adquirir com o seu amadurecer, já que Ivan, o mais racional, parece ter herdado da mãe uma sensibilidade ferida que o leva inclusive à loucura.

Dos três irmãos, Dmitri (Mitya) Fyodorovitch, filho de Adelaida
, é o mais “Karamazov” dos filhos.

Dir-se-ia que Mitya saíra apaixonado, impulsivo e sensual como o pai, mas com um caráter nobre e generoso.

Abraçando a carreira militar, Mitya vive entre extremos de honra e dúvida, apaixonado por duas mulheres, Gruchenka e Katerina, traumatizado pelo abandono da mãe e do pai, sobretudo deste último que lhe nega a herança de sua mãe, espólio que deveria ser dele, e que o pai teima em lhe sonegar, além de querer conquistar amorosamente Gruchenka, uma das noras, num adultério ao próprio filho.

Mitya crê vagamente em Deus e no juízo final. Confessa: “Eu creio, Senhor, ajuda a minha incredulidade”, preferindo viver segundo a carne. Representa o homem carnal que luta para se redimir.

Ivan Fyodorovitch, o segundo irmão Karamazov, e o primeiro filho de Sófia, a segunda esposa, torna-se um intelectual brilhante, frio por fora, torturado por dentro. É o poeta e filósofo, autor do famoso poema “O Grande Inquisidor”.


Criado por parentes distantes, e em isolamento intelectual, Ivan adquiriu o trauma da morte precoce da mãe piedosa. Tornou-se o grande rebelde contra Deus.

Argumenta terrivelmente que, se o mundo tem tanto sofrimento inocente (crianças torturadas, guerras, etc), então “Deus, ou não existe, ou é cruel!”.

 

Sua frase mais célebre é: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Isso conduz o seu intelecto ao desespero e à alucinação.

Pode-se dizer também, que a razão pura de Ivan, totalmente isenta do amor, tudo enlouquece.

Quanto ao terceiro Karamazov, Aliêksei Fyodorovitch, ou Alyosha, simplesmente, segundo filho de Sófia, a segunda esposa, tem um perfil mais puro, terno e luminoso. Torna-se frade noviço no mosteiro, discípulo do stáriets (monge piedoso) Zossima.

Alyosha é gentil e amado por todos. É o mediador da família.

Seus traumas de perda da mãe aos quatro anos de idade e a negligência contínua do pai o fazem transformar dor em compaixão.

Sua fé é simples e ativa. Acredita que “todos são culpados por todos” e que o amor cristão concreto vence o desespero.

Após a morte do Stáriets Zossima e a decomposição do seu corpo, há um abalo na fé de Alyosha, mas este renova sua crença escolhendo viver no mundo, não fugir dele. Representa o coração e a esperança.

Há porém, um quarto irmão Karamazov: Pavel Fyodorovitch Smerdyakov, um meio-irmão, assim considerado por “ilegítimo”, os três anteriores meios-irmãos também, mas “legítimos”, isto é provindos de um matrimônio.

Pavel Fyodorovitch Smerdyakov é um 
filho provável de Fiódor com Lizaveta Fedotovna, a “Fedorovna Fedotovna”, tida como idiota da cidade.

 

Epiléptico, cínico e ressentido, Smerdyakov é tão rejeitado na família por sua origem bastarda, que foi criado não como filho, mas como servo, num tempo em que a servidão era permitida na Rússia Czarista.

Suas constantes humilhações o levam a achar-se “o último dos últimos”.


Adota as ideias de Ivan de forma literal e brutal: “Se tudo é permitido, questiona-se, por que não matar?”

 

É ele quem assassina o pai. É o mais sombrio dos Irmãos Karamazov.

Smerdyakov pratica o crime maior; o parricídio, cometendo o celebre delito de Édipo, aquele que sem o saber ou assim o desejando, procria filhos com a própria mãe, Jocasta, antes matando Laio, seu pai, personagens terríveis da Tragédia Édipo Rei de Sófocles, em confirmação do famoso Complexo de Édipo, descrito por Sigmund Freude, em seu livro A Interpretação dos Sonhos” publicado pela primeira vez em Viena nos idos de 1899.

Em tempos notáveis atuais, sem Freud ou Jung, para elucidar traumas em tantas dessemelhanças, existindo porém, muitas IAs, Inteligências Artificiais, que tudo resolvem e facilitam, pedi a dois amigos que perguntassem aos seus respectivos ChatsGPTs o que teria a ver e comparar tanta miséria dos Karamazov com a candura de Marta, Maria e Lázaro, os irmãos de Betânia?

A resposta me surpreendeu. Valia a pena a pergunta.

O que a família Karamazov e os Irmãos de Betânia nos ensinariam hoje sobre os dramas da vida, as dúvidas sobre Deus e a razão de viver?

Repetidamente por resumo, os Karamazov revelam a humanidade em miniatura, afinal cada irmão encarna  uma faceta nossa:

Dmitri é a paixão que pode salvar ou destruir;

            Ivan é a razão que questiona tudo e quase enlouquece;

            Alyosha é o amor que redime;

            Smerdyakov é o cinismo que mata.

Diante dos traumas da vida (desestrutura familiar, ciúme, herança surrupiada, sofrimento injusto, adultério, ou quase isso, do pai com a própria nora, esposa do filho), o romance não oferece respostas fáceis.

O ódio ao pai é, no fundo, raiva à vida, como ela é.

O próprio parricídio, cometido por Smerdyakov, é simbólico; uma espécie de desejo de todos os filhos e filhas: o assim chamado Complexo de Édipo e de Electra, no caso das mulheres.

Com ele, Dostoievski nos revela que sem autoridade amorosa (paterna, materna e/ou divina), o homem se perde.

Sobre Deus e a razão de viver, Ivan formula a grande dúvida moderna: como crer num Deus que permite o sofrimento inocente? “Devolvo o ingresso”, diz ele cinicamente, porque assim rejeita a criação.

Dostoiévski, porém, não deixa Ivan sem resposta.

Por meio de Zossima, seu monge e mentor, Alyosha responde que a fé não é teoria. É amor ativo. “Todos somos responsáveis por todos.”

O sentido da vida não está na explicação lógica do mal, mas em carregar a cruz do outro, perdoar, lembrar-se dos mortos com amor, este inclusive é um discurso final de Alyosha. Coisa de santidade, inclusive!

Em resumo, a família Karamazov nos ensina que:

Sem Deus, tudo é permitido…, e o resultado é crime e loucura.

Com Deus, tudo é difícil…, mas possível através do sofrimento, da humildade e do amor concreto.

No final, o que resta é a escolha de Alyosha: viver no mundo, sofrer com ele e, mesmo assim…, amar.

Essa é a única razão que vale a pena viver — e a única que vence a morte.

Ler Os Irmãos Karamazov, diz-me um dos ChatsGPTs, é sair abalado; mas um pouco mais humano.

Como disse o próprio Dostoiévski: “Se alguém me provasse que Cristo está fora da verdade, eu preferiria ficar com Cristo a ficar com a verdade.”

A família mais disfuncional da literatura nos mostra exatamente isso: no meio do caos, da dúvida e do crime, ainda é possível escolher o amor.

E essa escolha é tudo.

É possível comparar os Irmãos de Betânia com os Irmãos Karamazov? Perguntei a um dos ChatsGPTs consultados.

 

Não só é possível, respondeu-me dizendo ser até muito enriquecedor comparar os dois grupos de irmãos — os Três Irmãos de Betânia (Marta, Maria e Lázaro) e os Quatro Irmãos Karamazov (Dmitri, Ivan, Alyosha e Smerdyakov), embora eles pertençam a universos completamente distintos: um é bíblico e evangélico (o amor, a fé e a ressurreição), o outro é literário e moderno (o drama psicológico, o niilismo e a busca desesperada por sentido em tudo).

A comparação portanto, não jaz arbitrária.

Há muito sentido e valia para uma reflexão tão longa.

Dostoiévski era profundamente cristão e conhecia bastante os Evangelhos; ele usa alusões bíblicas constantes em sua obra, incluindo referências ao Lázaro de Betânia em outros livros, como Crime e Castigo.

Em Os Irmãos Karamazov, os temas da ressurreição, da morte, da dúvida e da fé ecoam o episódio de João 11.

Nesse sentido, alguns críticos e leitores veem nos Karamazov uma espécie de Contraponto à Betânia: uma família destruída pelo pai ausente e devasso, em contraste com a casa acolhedora que Jesus amava.

Vale, portanto uma comparação estruturada, destacando semelhanças, contrastes e o que isso nos revela sobre a condição humana:

  1. Estrutura familiar e número de irmãos

Betânia: Três irmãos (Marta, Maria, Lázaro) — uma família unida, sem pai mencionado (provavelmente órfãos ou viúvos), centrada na hospitalidade e na amizade com Jesus.

 

Karamazov: Quatro irmãos (três legítimos + um ilegítimo), unidos pelo sangue, mas despedaçados pelo pai Fiódor Pavlovitch, figura paterna tóxica e ausente.

Em Betânia, a ausência de pai biológico é preenchida pela presença amorosa de Jesus (o “Pai” celestial).

Nos Karamazov, a presença do pai biológico é venenosa e gera até o ódio parricida.

  1. Personalidades e “tipos” humanos (o equilíbrio entre ação, razão e coração)

Ambos os grupos representam facetas da alma humana, mas invertidas:

Em Ação / Serviço / Crença

 

Marta é ativa, hospitaleira, “inquieta com muitas coisas”, mas confessa: “Tu és o Messias” E o Messias era a Vida.

Maria escolhera a melhor parte.

Em Betânia não há sombra não há Niilismo.

A família é harmoniosa.

Não há um Smerdyakov, bastardo, epiléptico, cínico; resolvendo matar o pai adotando literalmente que “tudo, (porque não crê em Deus) lhe é permitido”

E assim o mal quando surge, é por absoluta ausência de amor…

E se Betânia não tem o seu “Smerdyakov”, diga-se toscamente, é porque tem Jesus como centro.

  1. Relação com o “Pai” e com Deus

Em Betânia:

Jesus é o “amigo” (João 11,11: “Nosso amigo Lázaro dorme”), o substituto amoroso do pai.

A família floresce porque acolhe o Filho de Deus.

Nos Karamazov:

O pai, Fiódor, é um “Deus falso” — cínico, devasso e roubador.

Os filhos dele herdam o seu “veneno”; o assim chamado “karamazovismo.”

A dúvida de Ivan (“Se Deus não existe, tudo é permitido”) nasce da ausência de um Pai Amoroso.

O parricídio real, cometido por Smerdyakov, é um grito contra este pai real e terreno e, simbolicamente, contra um Pai Celestial rejeitado.

  1. Lições sobre a fé, a dúvida e o sentido da vida.

Em Betânia ensina-se a Esperança.

Mesmo na morte de Lázaro, Jesus chega e diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

A fé vence o desespero e a tristeza; a família é restaurada.

Os Karamazov ensinam a tragédia da dúvida moderna:

Sem um centro amoroso (Deus ou Pai Bom), a família implode na paixão de Dmitri, na razão destrutiva de Ivan, no cinismo assassino de Smerdyakov e na fé frágil que precisa ser reconquistada por Alyosha, que restara abalado com a morte do seu monge venerável, o Stáriets, Zossima.

Dostoiévski parece nos propor: se Betânia é o ideal enquanto casa onde Jesus é acolhido, no seio dos Karamazov tudo resvala e acontece quando Deus é “expulso” ou questionado até o niilismo.

 

Alyosha nesse contexto, é o “eco reverbero” de Maria/Marta: escolhendo viver no mundo com amor ativo, mesmo após sua crise de fé (como Maria após a unção do corpo de Lázaro, antes da ressurreição do irmão).

E afinal: Por que a comparação vale tanto?

Os irmãos de Betânia representam a família redimida pela presença de Cristo: harmonia entre ação (Marta), contemplação (Maria), e vitória sobre a morte (Lázaro).

Os irmãos Karamazov representam a família moderna fragmentada: sem Deus como centro, o homem se divide em extremos: paixão sem freio, razão sem amor, fé sem dúvida resolvida, e mal sem remorso.

Dostoiévski, cristão convicto, usa o drama dos Karamazov para mostrar que o niilismo nasce da rejeição (ou dúvida radical) sobre o amor divino.

Alyosha, no final, aponta o caminho de volta, talvez sem convencer tanto, nem a tudo responder: “Todos somos culpados por todos” e o amor concreto vence o absurdo.

Em resumo: sim, comparar os dois grupos é não só possível, mas profundo.

Betânia nos mostra o que a fé pode ser;

Karamazov nos mostra o que acontece quando ela falta ou é questionada até o limite.

Juntos, eles nos obrigam a escolher: acolher o “Amigo” (Jesus) ou deixar o vazio do pai devorar a casa.

A resposta de Dostoiévski (e da Bíblia) é clara: só o amor que vem de cima restaura o que o ódio e a dúvida destroem.

Mesmo em Betânia, onde a morte não tem a última palavra.

Uma conclusão que não foi minha, mas que a ela concordei dada por um dos ChatsGPTs

Que Deus aumente em nós a nossa frágil Fé!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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